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Número 102,

Editorial

2015 e os sinais de que dias sem tédio virão

Para acalmar a sanha do mercado financeiro, especulativo e sabotador, a presidenta indicou a montagem de uma política econômica mais conservadora do que a que conduzira nos últimos anos
por Revista do Brasil publicado 05/12/2014 19h17, última modificação 15/12/2014 11h29
Para acalmar a sanha do mercado financeiro, especulativo e sabotador, a presidenta indicou a montagem de uma política econômica mais conservadora do que a que conduzira nos últimos anos
Ichiro Guerra/Dilma 13/Fotos Públicas
dilma

Na reta final, quem garantiu a reeleição, contra o golpe, foram os movimentos sociais

O segundo governo Dilma ainda não começou, mas o primeiro não termina bem. Um mês depois da vitória nas urnas, gestos da presidenta reeleita causavam apreensão nas forças progressistas que tiveram papel decisivo no segundo turno. Para acalmar a sanha do mercado financeiro, especulativo e sabotador, a presidenta indicou a montagem de uma política econômica mais conservadora do que a que conduzira nos últimos anos, assegurando estabilidade, empregos e renda. Em outro sinal conciliador com as bancadas empresariais que mandam n­o Congresso, entregou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para um representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, e o Ministério da Agricultura para a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

O peso do dinheiro empresarial nas eleições é decisivo para a composição desse Congresso que está longe de representar a sociedade brasileira. O Legislativo, para piorar, tem chances de ser chefiado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cunha é uma das principais referências dos lobbies empresariais na Câmara. E garantirá – nos dizeres do governador eleito do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em entrevista nesta edição – que o governo Dilma não tenha um único dia de tédio em seu novo mandato.

É fato que nem Dilma, nem Lula, em seus 12 anos de governo, podem ser responsabilizados pelos sistemas político e partidário aos quais são subordinadas as regras eleitorais e a tal da governabilidade. Tampouco podem responder pela rede de empresários corruptores e de políticos corruptos que contaminam o Estado brasileiro desde dom João VI. E muito menos têm culpa pelo fato de o sistema de comunicações do país ser dominado por meia dúzia de famílias, que hoje formam o principal partido de oposição.

Entretanto, mediram mal a capacidade da imprensa corporativa de estragar a festa, e pouco foi feito para que o Brasil superasse essas mazelas. De todo modo, ainda há tempo de sair do “terremoto político” proporcionado pela Operação Lava Jato com objetivos mais ousados. Para tanto, é preciso saber unir forças também em torno dos movimentos da sociedade que asseguraram as duas reeleições, tanto de Lula, em 2006, como de Dilma, agora. As agendas da reforma política e da regulação dos meios de comunicação são inadiáveis.