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Número 100, Outubro 2014

Mídia

Revista do Brasil. E que venham outras centenas

Há 100 edições, esta revista pratica a democratização do acesso à informação. Até aqui, uma missão 100% cumprida, mais ainda há centenas de missões pela frente
por Redação RBA publicado 01/11/2014 11h20
Há 100 edições, esta revista pratica a democratização do acesso à informação. Até aqui, uma missão 100% cumprida, mais ainda há centenas de missões pela frente
Autorretrato
Patricia Schuster

Completar 100 meses de circulação é, no apertado mundo editorial de hoje, um feito a ser celebrado. Mais ainda num universo em que transitam algumas centenas de publicações e em quem a cada se diagnostica que os veículos impressos estão com os dias contados pelo avanço da era digital. Mas esta Revista do Brasil chegou lá. Ou melhor, está aqui, em sua mãos, pelo centésimo mês seguido. Por isso, perguntamos às pessoas o que é “100%” para elas. As respostas estão nesta e nas três próximas páginas.

Era início de 2006 quando começaram as reuniões que definiriam seu perfil editorial. Por iniciativa dos sindicatos dos Bancários de São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC – então presididos por Luiz Claudio Marcolino e José Lopez Feijóo –, formou-se um grupo de dirigentes de diversas entidades que se agregariam ao projeto, jornalistas que já haviam vivido a experiência de produção de revistas no mundo dos sindicatos, na imprensa comercial e também na chamada imprensa alternativa, e intelectuais que traziam sua experiência no mundo da pesquisa, da produção de informação.

O principal consenso: era preciso parar de reclamar dos veículos e reportagens da imprensa corporativa, movida a interesses políticos, ideológicos e comerciais. E ter o seu próprio veículo. Que reconheça o papel do Estado como condutor de políticas públicas humanizadas, que ponham a vida das pessoas à frente de seus objetivos. Que trate a política e a economia pelos impactos que produzem na vida dos trabalhadores e suas famílias. Que valorize a qualidade e a diversidade de nossa cultura, com espaço para o novo e memória para o que nunca envelhece. Que estimule a defesa da cidadania, dos direitos humanos; e o interesse por uma leitura prazerosa, com visão crítica do presente e um olhar transformador para o futuro. Que pudesse ser consumida e compreendida como uma parceira da educação e da construção do conhecimento.

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Foram meses de discussão até que se chegasse a esse título e esse formato, que se tornou realidade em junho daquele ano. Para Rosilene Corrêa, diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal, entidade que participa dessa empreitada desde o início, a revista foi uma forma prática de contribuir para o fortalecimento da democracia no Brasil. “Sabemos que este ainda é um pequeno espaço. Mas temos certeza de que nossa contribuição é importante para que cada vez mais pessoas tenham acesso à informação não pasteurizada, com resultado promissor para que a sociedade brasileira exerça seu direito de reflexão”, diz.

Segundo a professora, a publicação é uma ferramenta que, mais do que servir para a comunicação em si, possibilita o debate, auxilia na construção de visão crítica para quem trabalha com educação. “Ao chegar nas escolas, estimula debates entre professores, entre estudantes e entre professores e estudantes. Os temas possibilitam a inflexão nas diferentes matérias, de forma interdisciplinar, colaborando no processo educativo, motivador para o exercício da cidadania, que exige conhecimento histórico, avaliação da conjuntura e ação para a transformação do futuro”, afirma a professora. “Comunicação e educação possuem função social, são ferramentas para a tomada de consciência de quem somos e quem queremos ser. A democratização do acesso a ambos pode nos conduzir a uma sociedade formada por pessoas que respeitam as diferenças e a pluralidade, essenciais para um país moderno e humano, com sentimento claro de que é a diversidade a nossa mais importante riqueza.”

frases-2.jpgEssas características têm feito da publicação, inclusive, objeto de pesquisa acadêmica sobre as possibilidades do jornalismo. É o caso da jornalista Patricia Schuster, que desenvolve pesquisa de doutorado na área de Comunicação Midiática na Universidade Federal de Santa Maria (RS). “Como pesquisadora, posso dizer que a publicação é muito frutífera para os olhares acadêmicos. Mas principalmente como leitora, afirmo que se trata de um veículo raro, ímpar no mercado editorial brasileiro. Refiro-me não só a qualidade gráfica, mas, sobretudo, editorial. O jornalismo que tira o trabalhador da margem e o coloca como protagonista da sua história” define. “Ela é assumidamente comprometida com uma causa – inerente às organizações sindicais que a financiam – e ao mesmo tempo fiel aos princípios basilares do bom jornalismo. Ao contrários de algumas titãs, que travestem-se de jornalísticas, quando, na realidade, embalam comercial em informação.

Referência

Para o ex-dirigente bancário Luiz Claudio Marcolino, hoje deputado estadual pelo PT em São Paulo, esse projeto de comunicação se tornou referência no universo da comunicação brasileira.

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“Quando conseguimos dialogar com vários sindicatos sobre a importância da comunicação na vida dos trabalhadores, alcançamos um marco no processo da democracia brasileira. Mostramos que é possível produzir informação que leve em conta a realidade dos trabalhadores não apenas dentro de seu ambiente de trabalho, mas como cidadãos”, afirma.

Marcolino destaca que era esse o objetivo almejado há mais de oitos anos, quando se pensou na revista já como parte de um projeto mais abrangente. “É gratificante constatar que conquistamos o espaço hoje ocupado pela Rede Brasil Atual, o portal, a rádio, os jornais, TVT, que agora está recebendo investimentos para crescer. Estamos promovendo uma alternativa de diálogo social. E, mais importante, contribuindo para a produção do conhecimento, estimulando a reflexão ou simplesmente proporcionando acesso a uma boa leitura.”

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Hoje assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, Feijóo lembra que a revista nasceu da necessidade do movimento sindical de oferecer uma nova plataforma para toda sociedade, que representasse um novo paradigma em comunicação. E considera que a “longevidade” alcançada e a perspectiva de expansão dessa rede atestam o quanto a proposta é bem-sucedida. “Dialoga com a sociedade e a classe trabalhadora com assuntos que estão presentes na vida das pessoas e respeitando a sua realidade. A lógica das publicações da mídia corporativa faz com que suas pautas sejam movidas por interesses empresariais, enquanto a revista é um produto dos e para os trabalhadores, colada com as questões que dizem respeito a sua vida”, avalia.

O ex-líder dos metalúrgicos do ABC e da CUT reitera que desde o início levava-se em conta que um único veículo não bastaria. Daí a criação do portal, dos investimentos na rádio, na TVT e na parceria com veículos comunitários. “É um importante ponto de partida para enfrentar o monopólio existente no país e furar o cerco dessa cultura de dominação. Furar esse cerco é contribuir com a democracia. E ter chegado até esse número 100 é uma celebração de nosso êxito. Agora, espero que a travessia até o número 200 se dê em menos tempo que esses oito anos e pouco. Ainda sonho com uma nova revista semanal.”

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