Resumo
Igreja verde
Por: Paulo Donizetti de Souza
Publicado em 01/03/2007
A Igreja Católica faz da Campanha da Fraternidade, com o tema Amazônia, uma contundente pregação pela responsabilidade socioambiental das empresas, cobra responsabilidades das autoridades públicas e mobiliza fiéis para um meio ambiente saudável. “Nós pecamos contra a natureza quando jogamos lixo pela janela do carro”, comparou o bispo de Santo Amaro, dom Fernando Figueiredo, na missa de abertura da campanha. As paróquias católicas devem ajudar, durante a campanha, a popularizar informações a respeito de problemas ambientais e práticas que podem ser adotadas no cotidiano.
Mapa da morte
Dos dez municípios brasileiros campeões de homicídios, cinco estão na região em que a floresta amazônica é engolida por negócios agropecuários: Colniza (1º), com 165,3 mortes por 100 mil habitantes entre 2002 e 2004, Juruena (2º), com 137,8, São José do Xingu (5º), com 109,6, Aripuanã (8º), 98,2 – no Mato Grosso – e Tailândia, (7º), 104,9, no Pará. Rio de Janeiro e São Paulo estão na 107ª e 182ª colocações, com taxa de homicídios por 100 mil habitantes de 57,2 e 48,2, respectivamente. Relatório divulgado em fevereiro pela Organização dos Estados Ibero-Americanos endossa indicadores que ligam a expansão agrícola na Amazônia com assassinatos rurais, desmatamento e trabalho escravo. Leia as reportagens de Iberê Thenório e Leonardo Sakamoto na agência Repórter Brasil (www.reporterbrasil.org.br).
Emprego e renda
A pesquisa de janeiro do IBGE sobre emprego e renda rendeu diferentes manchetes nos jornais. Para o Diário de São Paulo e O Estado de S. Paulo, o desemprego subiu para 9,3% e a renda cresceu em 1,1%. Para a Folha de S.Paulo e o Valor Econômico, o emprego ficou estagnado e a renda cresceu. O primeiro grupo comparou janeiro com o mês anterior, quando os empregos temporários gerados em torno das demandas de Natal minguam ou desaparecem. O segundo grupo fez a comparação certa, analisou janeiro deste ano com janeiro de 2006.
Mais espaço nas decisões
Decreto publicado no último dia 2 no Diário Oficial da União instituiu um grupo de trabalho no Ministério do Planejamento para criar proposta de participação social na elaboração e na execução do Orçamento da União. O grupo terá representantes do governo e entidades da sociedade civil, entre elas a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong) e a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).
Ainda o PAC e o FGTS
Oito medidas provisórias que compõem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) movimentam a Câmara dos Deputados. Uma delas, a MP 349, prevê 5,2 bilhões de reais do FGTS em projetos de infra-estrutura. A Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (ligada à Força Sindical) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec) entraram com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal.
Soluções para o impasse
O governo havia assegurado que as contas vinculadas do FGTS não serão afetadas. E já acenou por meio da Caixa Econômica Federal com garantias de rentabilidade no mínimo equivalente à habitual correção dos saldos do fundo – Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano – para as aplicações no fundo de investimento. A proposta pode solucionar o impasse. Outra alternativa, a participação dos trabalhadores na gestão dos fundos de investimento, seria, segundo a CUT, uma ferramenta mais poderosa que a própria rentabilidade mínima.
Diferentes, porém...
O Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero (Nemge-USP) preparou a atualização do guia Ensino e Educação com Igualdade de Gênero na Infância e na Adolescência – Guia Prático para Educadores e Educadoras. A segunda edição do trabalho – direcionado a orientar profissionais de educação a lidar com os contrastes socioculturais que estão por trás da conduta de meninos e meninas na escola – será lançada neste mês de março.
O xadrez de Lula e Bush
Antes de o presidente George W. Bush aterrissar no Uruguai para discutir acordos comerciais entre nosso vizinho do sul, os Estados Unidos e o Nafta (acordo que une EUA, Canadá e México), a visita de Lula ao seu colega Tabaré Vázquez procurou, com êxito, jogar algum óleo na pista de pouso de Bush. O presidente uruguaio ouviu de Lula que sem integração, e sem o Uruguai, não há Mercosul. E garantiu cinco acordos comerciais com o Brasil, entre eles dois envolvendo a construção e reforma de pontes na fronteira entre Brasil e Uruguai e um, a produção de biocombustíveis. E prometeu: não deixa o Mercosul.
Cachaça x bourbon
Novos lances do xadrez estarão em jogo nas negociações em torno do Fórum Internacional de Biocombustíveis, que reúne, além de Brasil e Estados Unidos, África do Sul, China, Índia e Comissão Européia. Os norte-americanos, combativos, falam ainda da criação de uma Opep do Etanol, em alusão à Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Auxiliares de Lula estão atentos às demandas de Bush. E são várias. O álcool pode diminuir a dependência americana do petróleo e é menos poluente. Mas nos EUA é produzido do milho, muito mais caro que a cana, e tem feito subir o preço do grão. Pecuaristas já começam a chiar por não conseguir bancar a ração de seus rebanhos. Especialistas também receiam que os EUA tentem gerar pressão de procura sobre a capacidade de oferta brasileira de cana para depois exercer influência pesada sobre o preço local.
Pressão no Sesi
A decisão do Serviço Social da Indústria em São Paulo de cobrar mensalidades em suas escolas continua mobilizando familiares de alunos. O Sesi recebe mensalmente contribuição da indústria sobre a folha de pagamentos dos trabalhadores para que estes – ou seus familiares – tenham acesso gratuito a serviços, como educação. Nos últimos três anos o Sesi foi superavitário. A notícia saiu na Revista do Brasil no final do ano. Já foram recolhidas mais de 50 mil assinaturas em São Paulo contra a medida. A direção do Sesi não quer conversa. Sindicatos, como o dos metalúrgicos do ABC, e pais de alunos decidiram entrar com representação no Ministério Público pedindo abertura de ação civil contra a cobrança. Neste mês de março, vai haver protestos em frente ao prédio da Fiesp. Os pais denunciam ainda que muitas escolas estão em péssimo estado de conservação.
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