Você está aqui: Página Inicial / Política / 2018 / 06 / Ciro critica 'política estúpida' da Petrobras e reafirma prioridade com PSB

Eleições 2018

Ciro critica 'política estúpida' da Petrobras e reafirma prioridade com PSB

Ele voltou a defender revogação da "reforma" trabalhista, que chamou de selvageria, e projeto nacional de desenvolvimento. Sobre o PT, disse que só resta a ele "tocar o bonde". E não descarta o DEM
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 12/06/2018 15h37, última modificação 12/06/2018 18h00
Ele voltou a defender revogação da "reforma" trabalhista, que chamou de selvageria, e projeto nacional de desenvolvimento. Sobre o PT, disse que só resta a ele "tocar o bonde". E não descarta o DEM
Jaélcio Santana/FS
ciro

Pré-candidato do PDT fala na Força, propondo "reuniões mensais" com as centrais sindicais e diálogo com empresários

São Paulo – Em encontro na sede da Força Sindical, em São Paulo, o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) reafirmou posições contra a "reforma" trabalhista, cuja revogação defende, e por um "projeto nacional de desenvolvimento" que una representantes dos empresários e dos trabalhadores, inclusive defendendo reuniões mensais com as centrais sindicais, se eleito. Ele criticou o que chamou de "política estúpida" de preços da Petrobras e disse que, na discussão sobre possíveis alianças, a prioridade é o PSB, pelo fato de não ter candidato, mas não descarta legendas de outro espectro, como o DEM.

Depois de falar e responder questões de sindicalistas de várias categorias, Ciro evitou alguns temas, como a tabela de frete mínimo para os caminhoneiros e a redução da jornada de trabalho. Alegou que alguns assuntos exigem mais tempo de reflexão e argumentou a necessidade de cautela antes de assumir compromissos. E lembrou que pretende dedicar os seis primeiros meses de um possível governo procurando reunir todos os setores em torno de um projeto nacional. "Todos os presidentes, desde 1945, foram eleitos com minoria no Congresso. Mas todos tiveram seis meses imperiais."

Ao lado do presidente nacional do PDT, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, o pré-candidato disse que é preciso "apetrechar" o Ministério, que estaria sendo esvaziado intencionalmente, assim como o Ministério Público do Trabalho, com o objetivo de "desmontar a rede de proteção social". Ciro foi o primeiro presidenciável convidado pela Força. Curiosamente, o presidente efetivo e o interino não estavam presentes.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, licenciado do comando da central, permaneceu em Brasília, enquanto seu substituto, Miguel Torres, viajou aos Estados Unidos, para participar de congresso do UAW, sindicato dos trabalhadores na indústria automobilístico. Quem fez a recepção foi o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. A central tem parte de seus dirigentes filiada ao PDT, embora um bloco expressivo tenha migrado para o Solidariedade, levado por Paulinho.

DEM, PCdoB, PSB, PT

Para Ciro, um dos caminhos para retomar o crescimento é "reinaugurar a prática democrática do diálogo". Ele disse ser favorável, se eleito, a reuniões mensais com os "velhos amigos" das centrais, "em diálogo com o mundo da produção". Afirmou que não há "negociação" com partidos, mas um ambiente de propostas, e negou qualquer "mal-estar" com o DEM, partido que estaria no arco de possíveis alianças, apesar da prioridade anunciada ao campo de centro-esquerda. "A prioridade, sem desmerecer ninguém, é o PSB, pela circunstância simples, e apenas por ela, que não tem candidato", disse Ciro depois do encontro com os sindicalistas.

A mesma reflexão cabe ao PCdoB, acrescentou, lembrando que o partido tem pré-candidata, a deputada estadual gaúcha Manuela d´Ávila. "Acho que (Manuela) representa valores muito importantes para a vida brasileira. Eu adoraria ter apoio dela, mas ela tem todo o direito de ser candidata também."

Sobre o andamento das conversas com o PSB, Ciro respondeu com um sorriso: "Indo". Foi mais incisivo em relação ao PT.

"Escute, o PT tem candidato, reafirmadamente, diariamente, que é o Lula, ainda fazem isso com certa angústia. A eles vai o meu respeito, (é preciso) compreender seu tempo, não especular sobre sua estratégia, porque cada vez que eu quis fazê-lo, fraternamente, fui objeto de agressões injustas, porque eu sempre fui parceiro, sempre fui companheiro. Nos 16 anos de influência do Lula, nos 16 anos eu o apoiei, ajudei, sem condicionar nada, o Ceará é o único estado brasileiro que dá dois terços dos votos contra o impeachment. Então, o que me resta em relação ao PT é respeitar a vontade deles, o jeito deles, e tocar meu bonde."

O pedetista disse ter uma relação antiga de amizade com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Respeito a candidatura dele, estou vendo com muito prazer o seu crescimento político, e portanto não haveria muita dificuldade de estabelecer um entendimento para o Brasil.  Não sei se para fins eleitorais, porque ele é candidato e eu também." A uma pergunta mais insistente sobre a relação com o partido, reagiu: "Só vocês (jornalistas) que criaram esse mal-estar. Eu faço política, não faço jornalismo, nem futrica."

Política refém do marketing

Ele voltou a falar em revogação da Lei 13.467, de "reforma" trabalhista. "Não tenho medo das reformas. O PDT é o partido das reformas. Essa reforma imposta ao Brasil é uma selvageria. A guia deve ser a proteção ao trabalho, o que não quer dizer impor ineficiência. Nem tudo (da lei) é ruim, mas a origem disso é viciada, porque veio de um governo ilegítimo, que não discutiu nada."

Segundo ele, o país tem problemas estruturais, que se tornaram mais graves no período recente, mas quem vêm desde os anos 1980, com pequeno crescimento. "Morreu o velho modelo desenvolvimentista, e não fomos capazes de criar um novo modelo econômico. A política ficou refém da marquetagem, da propaganda. Não dá para resolver os problemas a golpe de conversa mole. Precisamos voltar a ter uma concepção de projeto nacional de desenvolvimento", insistiu.

Para Ciro, neoliberalismo não é um "palavrão", mas "um marco de economia política que já se mostrou completamente inviável", acrescentando que "deixada só, a iniciativa privada produz concentração, injustiça e ruptura cíclicas". Ele defende "Estado forte, iniciativa privada forte e universidade imediatamente fornecendo as respostas".

Chamou de "picaretagem na veia" a política do governo para conter a desvalorização da moeda, com a aplicação do chamado swap cambial: "Pagar com dinheiro público a especulação". 

Também criticou o setor financeiro, afirmando que os cinco principais bancos brasileiros não concorrem efetivamente, mas formam um cartel. "O banco Itaú distribuiu R$ 9 bilhões de dividendos para quatro famílias", afirmou, dizendo ser favorável à cobrança de imposto sobre lucros e dividendos. Sobre a Petrobras, observou que a empresa tornou-se exportadora de petróleo bruto barato e importadora de derivados, "para beneficiar o acionista minoritário". E acrescentou ser contrário à venda da Embraer para a norte-americana Boeing.

O pedetista fez um breve comentário sobre a Copa, afirmando que o Brasil tem uma equipe bem preparada. "Estou sentindo falta do Daniel Alves", emendou, sobre o lateral-direito cortado por contusão. Ele lembrou que foi comentarista na Rádio Educadora de Sobral, no Ceará, para onde a família foi quando Ciro era criança – o político nasceu em Pindamonhangaba, no interior paulista.