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Lula Livre

'Elite tem medo que o povo possa escolher e eleja Lula presidente'

Comissão externa da Câmara visitou o ex-presidente Lula na PF em Curitiba, onde está preso injustamente pelo 52º dia
por Redação RBA publicado 29/05/2018 14h15, última modificação 30/05/2018 16h37
Comissão externa da Câmara visitou o ex-presidente Lula na PF em Curitiba, onde está preso injustamente pelo 52º dia
Ricardo Stuckert
Comissão Câmara Lula

'Como ele foi o melhor presidente que esse país já teve, o povo brasileiro está esperando Lula Livre', diz Benedita

São Paulo – Uma comissão externa com oito deputados de diferentes partidos estiveram nesta terça-feira (29) em Curitiba para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há 52 dias, e vistoriar as condições da carceragem da Polícia Federal.

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), relatou que a inspeção deveria ter sido realizada antes, mas os parlamentares tiveram suas prerrogativas cerceadas pela juíza substituta Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais de Curitiba. "Somente agora, quase 30 dias depois, pudemos estar aqui em nome do Poder Legislativo."

Segundo o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), "a elite tem medo que o povo possa escolher e eleja Lula presidente da República". Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que Lula transmitiu sua indignação, mas também esperança. Ela relatou ao ex-presidente sobre as manifestações convocadas para esta quarta-feira (30) em todo o Brasil contra as ações da Petrobras sob comando de Temer que resultaram na atual crise de desabastecimento. 

Pimenta afirmou que Lula continua praticando exercícios físicos, dedicado a leituras e está informado sobre os últimos fatos ocorridos no país. E reafirmou a disposição de ser candidato nas eleições deste ano. 

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Pimenta ressaltou a indignação do ex-presidente: "Lula pensa todos os dias quando acorda como é que pode estar aqui. Mas é uma pessoa que não tem ódio, porque tem a consciência tranquila da sua inocência. E sabe que quando for julgado o mérito nas instâncias superiores será inocentado." 

O deputado Silvio Costa (Avante-PE) comparou Lula ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que mesmo tendo ficado preso por 25 anos "não abriu mão das suas convicções". Ele disse que até um advogado que tenha ódio de Lula sabe que o juiz Sérgio Moro o condenou sem apresentar materialidade de provas que configurem crime. 

"O lulismo está mais vivo do que nunca. Saio daqui cheio de esperança de que, de novo, o Brasil vai ter cheiro de povo. Lula será sim candidato, vai ao segundo turno, e o povo vai escolhê-lo", disse Costa. 

O líder da minoria na Câmara, deputado Weverton Rocha (PDT-MA), ressaltou que os partidos de esquerda têm hoje "responsabilidade histórica" em fazer a defesa da democracia, em momento difícil, de direitos e garantias individuais ameaçados, e que a prisão injusta de Lula é símbolo desse atual momento de retrocessos. 

"Ele respeita, entende e defende que os partidos que tenham seus projetos, que venham para o debate. Mas acima das candidaturas, que estejamos unidos pela democracia. O mais importante é não desistir da luta, e é o que vamos fazer. Que essa injustiça seja reparada e tão logo o presidente Lula possa sair e disputar a eleição", disse o deputado maranhense.

O deputado Odorico Monteiro (PSB-CE), disse ter levado solidariedade ao ex-presidente em nome do partido de Miguel Arraes, e também destacou que a prisão de Lula – assim como foi no impeachment da ex-presidenta Dilma – carece de provas, mas, ainda assim, Lula "não perde a esperança que a gente possa voltar a crescer com distribuição de renda."

"Encontrei um homem forte, alegre, fazendo-nos rir diante desse momento. Agradeceu a esse povo maravilhoso que fica aqui o tempo inteiro, que dá bom dia, boa tarde, boa noite. Como ele foi o melhor presidente que esse país já teve, o povo brasileiro está esperando Lula Livre, para que a gente possa retomar o crescimento com inclusão", afirmou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ).

Já o deputado José Mentor (PT-SP) ressaltou que Lula pode ser candidato, mesmo se ainda estiver preso, e lembrou que ao menos candidatos à prefeito disputaram as últimas eleições, mesmo após terem sido condenados por órgãos colegiados, até decisões de última instância. "Ele pode ser candidato, disputar as eleições, e vai ser o nosso presidente."