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'Eles são violentos desde 1500. Nossa proteção é a organização', diz líder do MST

"Não existe possibilidade de nos defendermos militarmente", diz João Paulo Rodrigues. Para ele, combate a onda fascista requer apoio da sociedade. MST dialoga com pré-candidatos. E apoia Lula
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 03/05/2018 17h45, última modificação 03/05/2018 18h20
"Não existe possibilidade de nos defendermos militarmente", diz João Paulo Rodrigues. Para ele, combate a onda fascista requer apoio da sociedade. MST dialoga com pré-candidatos. E apoia Lula
Kamilla Rodrigues/Brasil de Fato
João Paulo Rodrigues

João Paulo afirma que MST participará da campanha eleitoral e observará candidatos pró-reforma agrária

São Paulo – No primeiro dia da 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária, um tema recorrente foi o aumento da violência no campo e dos ataques contra atores políticos, como o atentado a tiros à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela região Sul e contra o acampamento pela libertação do petista em Curitiba. "Desde 1500 eles são violentos. A novidade é o ataque à luta política", afirmou o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Paulo Rodrigues, na abertura do evento, no Parque da Água Branca, em São Paulo.

Segundo ele, a única forma de derrotar a onda fascista é com apoio da sociedade, o que deve incluir o Congresso e os meios de comunicação. "Não existe possibilidade de nos defendermos militarmente. A nossa proteção é a organização", disse o dirigente. 

O líder do MST afirmou que não existe preocupação de eleger uma bancada parlamentar de assentados e acampados. "O principal é termos companheiros comprometidos com a causa da reforma agrária." Mas o movimento dedicará "boa parte" do segundo semestre à campanha eleitoral. 

Alguns pré-candidatos à Presidência da República foram convidados a visitar a feira, que termina no domingo (6) – eles são esperados para o sábado pela manhã. Nesta sexta, a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), estará no local. Segundo João Paulo, o movimento mantém diálogo com candidatos do campo progressista, mas apoia a candidatura de Lula. "A vinda deles aqui é para tomar um bom café sem agrotóxico."

Ele rechaçou candidaturas como as de Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL). À pergunta de um repórter sobre o ex-governador paulista, João Paulo disse que o movimento mantém "relação cordial" com o tucano, mas se trata de uma "relação oficial com o governo, não com o candidato".

E lembrou que o atual governador, Márcio França (PSB), também foi convidado para visitar a feira. A área em que ocorre o evento, como nos anos anteriores, é administrada pelo governo do estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente. Os sem-terra já se reuniram com outros oponentes políticos, como o governador José Richa, no Paraná. O MST, segundo o dirigente, negocia todas as pautas que digam respeito às causas do movimento.

"Em vez de fazer um debate estrutural, procura-se criminalizar (os movimentos sociais). É muito mais fácil", critica Débora Nunes, da direção nacional. Ela afirma que enquanto há pessoas sem lugar para morar e trabalhadores lutando pela terra, existem prédios abandonados pelo poder público e áreas improdutivas. "Esse é o debate central."