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Jessé de Souza: 'A ideia de Lula não vai morrer. O pobre não aceita mais ser escravo'

Sociólogo discursou em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba. Para ele, ódio de parte da sociedade contra Lula tem origem nas políticas de inclusão social
por Redação RBA publicado 12/04/2018 15h12, última modificação 12/04/2018 16h46
Sociólogo discursou em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba. Para ele, ódio de parte da sociedade contra Lula tem origem nas políticas de inclusão social
Joka Madruga/ Agência PT
Jesse Souza

Para Jessé de Souza, setores do país querem que o pobre volte a trabalhar 'por nada', como na escravidão

São Paulo – O sociólogo Jessé de Souza afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é vítima do ódio da elite e de setores da classe média por ter tocado na principal questão da formação sociocultural do Brasil: a desigualdade. “O ódio ao ex-escravo é mantido hoje em dia no ódio ao pobre”, afirmou o autor do livro A Elite do Atraso – da escravidão à Lava Jato, em discurso na manhã desta quinta-feira (12), em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde Lula está preso.

Para Jessé de Souza, ter aumentado o poder de renda dos pobres, permitido a eles frequentar aeroportos e, principalmente, ingressar na universidade é o grande “crime” cometido pelo ex-presidente. “É isso que a classe média não perdoa em Lula”, disse, destacando que o tema da corrupção é apenas um pretexto.

Na opinião do sociólogo, há no Brasil atualmente um movimento para fazer a população pobre voltar a trabalhar “por nada”, igual ao período da escravidão, com as pessoas humilhadas e de cabeça baixa. “O que está acontecendo no nosso país é uma loucura, uma doença, e essa doença tem a ver com o ódio ao pobre.”

Apesar desse movimento expresso, entre outros fatores, na mudança da legislação trabalhista e na tentativa do governo de Michel Temer em “reformar” a Previdência, Jessé de Souza lembrou os recentes discursos de Lula, nos quais o ex-presidente diz que ele se tornou “uma ideia”, fundamentada na luta por justiça social.  

“Muitos pobres sabem que sua situação não é natural, ela é construída por uma vontade política absurda, que representa uma enorme maldade e desumanidade”, afirmou o sociólogo. “A ideia de Lula não vai morrer. Os pobres não aceitam mais serem escravos novamente. Essa ideia vai continuar.”

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