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Ódio racial

Árabes repudiam declaração de Ana Amélia e alertam para avanço da xenofobia

Instituto da Cultura Árabe e Coletivo de Muçulmanas e Muçulmanos contra o Golpe destacam preocupação com o avanço do discurso de ódio repetido por “lideranças golpistas", como a senadora do PP-RS
por Redação RBA publicado 20/04/2018 14h00
Instituto da Cultura Árabe e Coletivo de Muçulmanas e Muçulmanos contra o Golpe destacam preocupação com o avanço do discurso de ódio repetido por “lideranças golpistas", como a senadora do PP-RS
Fernando Frazão/Fotos Públicas
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Comunidade árabe repudia com veemência as provocações da senadora tucana, que confunde a sociedade e incita o ódio

São Paulo – O presidente do Instituto da Cultura Árabe (Icarabe Brasil), Mohamed Habib, gravou mensagem na qual manifesta preocupação com as recentes demonstrações de preconceito em relação à comunidade árabe, principalmente após a recente declaração da senadora Ana Amélia (PP-RS) – assista ao vídeo no final da reportagem.

Ao criticar uma entrevista da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), à TV Al Jazeera, do Catar, na qual denuncia ao mundo árabe que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um preso político, a senadora Ana Amélia chega a afirmar que atitude de Gleisi poderia infringir a Lei de Segurança Nacional, e fez menção indireta ao grupo terrorista Estado Islâmico. "Só espero que, dada a gravidade do conteúdo dessa exortação publicada pela TV Al Jazeera, essa convocação ao apoio dos países do mundo árabe não tenha sido também um pedido para que o exército islâmico venha ao Brasil atuar aqui", disse a senadora tucana.

Professor titular da Unicamp, o entomólogo egípcio naturalizado brasileiro Mohamed Habib vive no Brasil há 46 anos. Na mensagem, ele afirma que em todos esses anos tem sido feliz pelo tratamento carinhoso que recebe no Brasil, a exemplo de toda a comunidade árabe. Mas que agora assiste a uma onda propagandista contra o árabe e contra a cultura árabe, tratada como terrorista.

“Os árabes nunca foram terroristas, mas vítimas. Basta olhar os últimos 100 anos de história para saber quem é a vítima e o agressor. Uma pena que algumas pessoas usam da crise política, econômica e eleitoral brasileira para se projetar às custas da imagem do árabe, o que configura crime racial inafiançável”, diz.

Em nota divulgada à imprensa, o Icarabe Brasil repudia veementemente a declaração da senadora tucana em sessão do Senado transmitida pela TV, em que associa a televisão Al Jazeera a grupos terroristas. A entidade árabe acredita que a sociedade brasileira em geral não aceita e não compactua com atos dessa natureza, que incitam crimes de ódio, abrindo-se as portas à barbárie.

O coletivo Muçulmanas e Muçulmanos Contra o Golpe também se manifestou por meio de nota em solidariedade à senadora Gleisi.

O coletivo destaca o avanço do discurso de ódio repetido à exaustão por “lideranças golpistas, entre elas, a senadora Ana Amélia, do PP/RS, a mesma responsável por estimular atos de violência contra a caravana de Lula pelo Sul do país, que resultou, inclusive, em um atentado com arma de fogo. São pronunciamentos desastrosos e fascistizantes, como os dessa senhora, que promovem o aumento dos casos de xenofobia e islamofobia.”

Ainda segundo o manifesto, ao atrelar as imagens de árabes, especialmente dos muçulmanos, ao terrorismo, os golpistas cometem crime de ódio, que deve ser denunciado pelas entidades islâmicas e apurado pelas autoridades. “A irresponsabilidade dessas lideranças pode ser medida nas denúncias diárias de agressões, principalmente contra as muçulmanas, e de ameaças constantes de morte contra destacados membros de nossa comunidade.”

O coletivo destaca ainda que as relações diplomáticas e comerciais do Brasil com os países árabes durante os governos do PT promoveram excelentes resultados para os dois lados. “Um dos grandes destaques é para o chamado “agronegócio”, que lucrou bilhões de dólares com a exportação de carne e aves, por exemplo. Portanto, somente aumenta nosso estarrecimento ao notar que a senadora do PP, que se apresenta como uma das porta-vozes dos golpistas e dos promotores do ódio é identificada como membro da “bancada ruralista”. O que as empresas que lucram com os negócios com o mundo árabe pensam dos ataques de Ana Amélia aos seus clientes?” 

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