Você está aqui: Página Inicial / Política / 2018 / 03 / Mulheres sem terra ocupam fábrica da Suzano na Bahia

jornada de lutas

Mulheres sem terra ocupam fábrica da Suzano na Bahia

Elas denunciam os problemas relacionados à crise hídrica no município, causados pela produção em grande escala de eucalipto
por Redação RBA publicado 05/03/2018 13h49, última modificação 05/03/2018 13h59
Elas denunciam os problemas relacionados à crise hídrica no município, causados pela produção em grande escala de eucalipto
MST
ocupação mst suzano.jpg

Por volta das 11h, as mulheres deixaram a ocupação. Jornada também fará outras ações contra governo Temer

São Paulo – Na madrugada desta segunda-feira (5), cerca de mil trabalhadoras rurais ocuparam a frente da fábrica Suzano papel e celulose, localizada em Mucuri, extremo sul da Bahia. A ação faz parte da abertura da Jornada Nacional de Luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Por volta das 11h, as mulheres deixaram o local. Elas denunciam os problemas relacionados à crise hídrica no município, causados pela produção em grande escala de eucalipto. Outro problema apontado pelo movimento é a pulverização aérea realizada nas áreas da Suzano, o que atrapalha o cultivo de pequenos agricultores.

"A gente tem uma pauta histórica contra a empresa, por conta dos impactos ambientais que ela está causando na região. A gente tem diversos assentamentos cercados pelos eucaliptos e a empresa usa muitos agrotóxicos por pulverização aérea, assim nossos companheiros não conseguem produzir nada de forma saudável. Então, há um envenenamento abusivo por parte deles", conta Diomara Santos, uma das mulheres que ocupavam o local.

De acordo com ela, a plantação têm secado os mananciais de água doce. "O cultivo extensivo do eucalipto consome muita água e por conta disso o Rio Mucuri está desaparecendo. Cada pé de eucalipto adulto consome 30 litros de água por dia, então, imagina o consumo abusivo que causa no bioma natural. Tem anos que falta água no município, a população está sofrendo com isso", acrescenta.

A Jornada também prevê a mobilização de milhares de trabalhadoras do campo e da cidade em todo o país com o objetivo de rechaçar o governo Temer. Com o lema "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem", as ações na Bahia denunciarão as privatizações, a violência, os latifúndios improdutivos, além defender a reforma agrária popular.