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Lula pelo Brasil

'Cometi o crime de fazer o Brasil ser respeitado no mundo', diz Lula

Caravana do ex-presidente esteve no oeste do Paraná em ato com agricultores. Périplo pela região Sul termina na próxima quarta-feira, em Curitiba
por Redação RBA publicado 26/03/2018 17h34, última modificação 29/03/2018 08h28
Caravana do ex-presidente esteve no oeste do Paraná em ato com agricultores. Périplo pela região Sul termina na próxima quarta-feira, em Curitiba
Ricardo Stuckert
Lula em francisco Beltrão

Lula usou de ironia ao dizer que os feitos positivos de seu governo são seus verdadeiros "crimes"

São Paulo – No mesmo momento em que os juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) julgavam de forma rápida o recurso de sua defesa, nesta segunda-feira (26), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava sobre um palanque em Francisco Beltrão (PR) defendendo o legado do seu governo (2003-2010) e criticando os grupos que têm atacado a caravana pelo Sul do Brasil. “Não consigo entender o ódio estabelecido neste país. Quem ‘taca’ ovo deveria dar ovo pra quem não tem o que comer”, afirmou Lula, enquanto dizia ter visto na cidade duas mulheres com cestas cheias de ovos.

Assim como fez em Chapecó (SC), o ex-presidente voltou a fazer referência aos rojões que tentavam atrapalhar o ato no centro da cidade do oeste do Paraná. “Guardem os rojões pra quando eu tomar posse”, provocou. Ao mesmo tempo em que os desembargadores do TRF4 rejeitavam os argumentos dos embargos de declaração sobre possíveis omissões na sentença do tribunal em 24 de janeiro, Lula novamente enfatizou sua inocência no processo sobre o apartamento tríplex de Guarujá. Com ironia, reconheceu ter cometido alguns “crimes” durante os oito anos na Presidência da República.

“Cometi muito crime sim. Gerei 22 milhões de empregos de carteira assinada, cometi o crime de fazer empregada doméstica ser reconhecida como cidadã, cometi o crime de levar luz elétrica a 15 milhões de pessoas, cometi o crime de dar crédito consignado pro trabalhador, e cometi o crime de fazer o Brasil ser respeitado no mundo”, afirmou Lula. “O ódio que eles têm de mim é que eles imaginavam que o Brasil não daria certo comigo.”

Durante o ato, o ex-presidente conversou com o estudante André Luiz Neves, aluno da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), instituição criada durante o governo do petista. Filho, neto e bisneto de agricultores, André Luiz cursa Ciências Biológicas e trabalha em uma cooperativa agrícola. Em nome da sua mãe, o rapaz entregou uma rosa a Lula e agradeceu pela abertura da universidade.

Então Lula lembrou que, apesar de não ter diploma universitário, foi o presidente que mais criou universidades no Brasil – país que, por sua vez, foi o último do continente a ter uma instituição de ensino superior, em 1920, com a inauguração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Só eles querem ter direito a escola, a entrar na faculdade, a ter carro, a viver do bom e do melhor. Eles têm que entender que a comida que comem é feita por agricultor familiar”, disse o ex-presidente, em referência aos seus críticos.

A caravana passa

Antes do ex-presidente Lula subir ao palco na cidade de Francisco Beltrão, a senadora paranaense e presidenta do PT, Gleisi Hoffman, afirmou que, apesar da violência contra a caravana, a comitiva chegou ao seu destino. “Não temos medo porque temos compromisso com o povo. Nessa região tem muito investimento do PT, queiram eles ou não. Muitos dos tratores que eles usam (para protestar) foram comprados com dinheiro do Mais Alimentos”, disse, em referência ao programa de crédito que destina recursos para investimentos em infraestrutura produtiva.

Gleisi enfatizou que a maioria da população está recebendo muito bem a caravana de Lula na região sul e que os pequenos grupos que têm atacado a comitiva não irão intimidar seus integrantes. “Vamos aonde quisermos neste país.”

Uma parte da organização que acompanha a caravana não conseguiu chegar a tempo ao ato. Assim como muitos populares que tentaram se dirigir para lá mas ficaram parados numa estrada bloqueada por alguns milicianos, com olhar passivo dos poucos policiais destacados para o local. O bloqueio, com objetivo exclusivo de sabotar uma atividade política, prejudicou toda a movimentação da cidade. O pequeno grupo não foi incomodado pela PM. Assista:

Após o ato em Francisco Beltrão, a caravana estará no final da tarde desta segunda-feira (26) em Foz do Iguaçu, onde o ex-presidente participa do Seminário Internacional da Tríplice Fronteira, na Universidade da Integração Latino-Americana (Unila).

A viagem pelo sul do país segue nesta terça-feira (27) com ato pela reforma agrária, em Quedas do Iguaçu, visita ao campus da Universidade Federal da Fronteira (UFFS) e a laboratórios de agronomia, em Laranjeiras do Sul, além de encontro com agricultores assentados no Assentamento 8 de Junho. Na quarta-feira (28), último dia da caravana, será realizado um ato de encerramento no centro de Curitiba.