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Lula: 'Se eles têm medo de mim, é pelas coisas boas que fizemos'

O ex-presidente, pré-candidato ao pleito de outubro pelo PT, esteve em Porto Alegre um dia antes de seu julgamento em segunda instância para falar com mais de 60 mil pessoas
por Redação RBA publicado 23/01/2018 21h46, última modificação 24/01/2018 13h59
O ex-presidente, pré-candidato ao pleito de outubro pelo PT, esteve em Porto Alegre um dia antes de seu julgamento em segunda instância para falar com mais de 60 mil pessoas
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Ao lado de nomes como a ex-presidenta Dilma Rousseff, Lula falou para mais de 60 mil pessoas

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou para mais de 60 mil pessoas hoje (23), em Porto Alegre. Lula prestigiou a vigília na capital dos gaúchos em defesa da democracia e do direito de o petista ser candidato nas eleições deste ano. Amanhã, o Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4) decide o destino da possibilidade de sua candidatura ao analisar apelação da decisão de primeira instância do juiz Sérgio Moro, da Justiça federal de Curitiba, que condenou o ex-presidente no caso do triplex de Guarujá a nove anos e meio de prisão.

Mesmo com a urgência da pauta, que levou trabalhadores de todos os estados do Brasil a realizar a vigília, Lula disse não ter marcado presença em razão de seu julgamento em segunda instância. "Não vou falar do meu processo e não vou falar da Justiça. Primeiro, porque tenho advogados competentes que já provaram minha inocência. Segundo, porque acredito que aqueles que vão votar devem se ater aos autos do processo e não às convicções políticas de cada um. Terceiro, porque tenho a vocês."

Lula fez críticas à base do governo de Michel Temer (PMDB) e de forças que o sustentam que, segundo suas palavras, julgam os governos do PT por méritos e ações populares e não por crimes. "Falo da soberania nacional, da integração latino-americana, do fortalecimento do Mercosul. Falo contra o desmonte das leis trabalhistas e do fim da Previdência. Falo dos sonhos da juventude que quer ter a oportunidade de estudar, de ter um emprego, a possibilidade de construir família em um país que tem 12% da água doce do mundo."

País, este, que Lula afirmou ter a "audácia" de ter sonhado e trabalhado por ele. "Provamos, mulheres e homens, que era possível construir um país diferente com empregos formais, com documentos, com aumento de salário. Sonhamos com um país que elevou o poder aquisitivo da camada mais pobre. Sonhamos com um país onde todos podiam tomar café, almoçar e jantar, onde uma criança não precisaria deitar sem ter um copo de leite. Um país, aonde o filho do pobre pode cursar letras. Um país aonde mudamos o ensino técnico e construímos mais de 500 escolas técnicas. Um país aonde a reforma agrária era dar terra para os trabalhadores produzirem e comerem. Esse país, nós construímos."

"Por conta dessas conquistas estamos vivendo o dia de hoje. Não posso me conformar com o complexo de vira lata do nosso país, com uma elite subalterna, que fala grosso com a Bolívia e como um gatinho com os Estados Unidos. A última elite a acabar com a escravidão. O Brasil foi o último país do continente a ter uma universidade federal (...)".

"Tive sonhos junto do povo desse país, quando acabamos com a Alca e implantamos o Mercosul com Rafael Correa (ex-presidente do Equador), Hugo Chavez (ex-presidente da Venezuela), Pepe Mujica (ex-presidente do Uruguai) e Michele Bachelet (ex-presidenta do Chile). Sei do sonho de construir a grande pátria. Tivemos a coragem de fazer uma reunião de todos países latino-americanos sem a participação dos Estados Unidos e do Canadá. A primeira reunião que Cuba pode participar. Sei do peso da criação dos Brics (bloco de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Sei o que isso significava. Sei da nossa relação com a África. Sei o que significou a autonomia da América do Sul", disse.

Para Lula, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, é parte de um contexto que inclui sua retirada da eleição. "Nunca aceitaram que o Brasil tivesse sua soberania. Nunca aceitaram que os países daqui pudessem determinar políticas de relações sem depender deles. Eles queriam combater a coca na Bolívia com bases militares. Nós, para combater o tráfico, pensamos em emprego e renda para a América Latina. Eles nunca aceitaram e fizeram com que a Dilma fosse expulsa do poder, mesmo com 54 milhões de votos".

Sobre os ataques, Lula questiona os motivos e méritos. "Não sei se é medo de eu voltar. Se for, é bom. Eles não têm medo pelas coisas ruins que fizemos, mas sim pelas coisas boas. Eles sabem do orgulho de uma empregada ver sua filha estudando em uma universidade."