Você está aqui: Página Inicial / Política / 2017 / 12 / Depois de anunciar menos 12 mil vagas, ministro do Trabalho pede demissão

no mesmo dia

Depois de anunciar menos 12 mil vagas, ministro do Trabalho pede demissão

Ronaldo Nogueira alega que deixou o cargo para se candidatar nas eleições do ano que vem. Substituto no ministério recebeu a indicação com "susto"
por Redação RBA publicado 28/12/2017 10h29, última modificação 29/12/2017 09h54
Ronaldo Nogueira alega que deixou o cargo para se candidatar nas eleições do ano que vem. Substituto no ministério recebeu a indicação com "susto"
MTE
Ronaldo Nogueira

Além da "reforma", Nogueira também se notabilizou por portaria que flexibilizava critérios do trabalho escravo, suspensa pelo STF

São Paulo – O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, pediu demissão na tarde desta quarta-feira (27), horas depois de anunciar o fechamento de 12.292 vagas com carteira assinada em novembro, no primeiro mês da entrada em vigor da "reforma" trabalhista que, segundo o governo, estimularia a criação de novos postos. 

Nogueira – que é deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul e agora volta à Câmara – justificou sua saída devido à intenção de se candidatar nas eleições do ano que vem. Contudo, o prazo para desincompatibilização com vistas ao pleito de 2018 vai até o início de abril, o que reforça as suspeitas de que a sua demissão também estaria ligada aos pífios resultados alcançados pela "reforma". 

Ainda assim, o ministro demissionário defendeu o legado da "modernização trabalhista" que, segundo ele, tirou o país de "um modelo de alta regulação estatal para uma forma moderna de auto composição dos conflitos trabalhistas". 

A gestão de Nogueira à frente do ministério do Trabalho também ficou marcada pela polêmica portaria que flexibilizava os critérios de classificação do trabalho análogo à escravidão, abrindo brechas para o aumento da exploração. A portaria foi suspensa, por decisão liminar da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

O Ministério do Trabalho continua nas mãos do PTB, que tem se mantido fiel ao governo, inclusive tendo fechado questão a favor da aprovação do projeto de reforma da Previdência defendido por Temer. 

Para o lugar de Nogueira, o escolhido foi o também deputado Pedro Fernandes (MA). Ao jornal Folha de S.Paulo, o novo titular da pasta se disse assustado pela escolha. "Foi um susto, mas estou topando. Já me refiz do susto e vamos lá", afirmou Fernandes.