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Alckmin é responsabilizado pelo processo de fechamento do Hospital da USP

Em audiência pública, estudantes, médicos e parlamentares apontam desmonte do HU como obra do governador tucano e do reitor escolhido por ele. Doria também foi alvo de críticas
por Redação RBA publicado 23/11/2017 09h06, última modificação 23/11/2017 09h36
Em audiência pública, estudantes, médicos e parlamentares apontam desmonte do HU como obra do governador tucano e do reitor escolhido por ele. Doria também foi alvo de críticas
Du Amorim/Governo de SP
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Alckmin, em 2013, quando liberou R$ 77 milhões para o Hospital São Paulo no âmbito do projeto de modernização dos hospitais universitários do estado

São Paulo – O governador Geraldo Alckmin (PSDB), com sua política de desmonte dos serviços públicos de saúde e de educação, entre outros, é o culpado pelo processo de sucateamento do Hospital Universitário (HU), vinculado à Universidade de São Paulo (USP). Esta é a opinião de médicos, estudantes, servidores da USP e parlamentares presentes à audiência pública que discutiu as razões da greve dos alunos da Faculdade de Medicina (FMUSP) iniciada no último dia 13, principalmente contra a redução no número de servidores.

Reunidos na tarde de ontem (22) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em audiência convocada pelo mandato do deputado Carlos Giannazi (Psol), eles responsabilizaram ainda o atual reitor, Marco Antonio Zago, escolhido por Alckmin, que sempre defendeu a desvinculação do HU da universidade por julgá-la "um custo" desnecessário. E não pouparam críticas a outro afilhado do governador, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que tem planos de municipalização da instituição e transferi-la à gestão da organização social (OS) SPDM. 

O hospital atende a toda a comunidade universitária e à população de diversos bairros e municípios vizinhos à capital paulista. Referência da região oeste da capital paulista, até 2013 prestava 282 mil atendimentos de emergência e 13 mil internações, além de 12 mil consultas ambulatoriais, 400 cirurgias, 3.543 partos, 140 mil exames de imagem e 965 mil exames laboratoriais custeados com apenas 8% da verba destinada à USP.

"Em greve contra o desmonte do hospital, os estudantes estão fazendo o que deveriam fazer a direção da FMUSP. Uma vergonha também é o reitor Zago, que não tem recursos para o HU, e sim para abrir curso novo de Medicina no campus de Bauru. Fora Alckmin, Fora Zago", disse o infectologista do HU formado pela mesma Faculdade de Medicina e dirigente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) Gerson Salvador. Em sua fala, o médico exaltou a coragem dos estudantes e lembrou os secundaristas, que em 2015, depois de ocupar escolas em todo o estado, fizeram Alckmin voltar atrás da proposta de reorganização e demitir o então secretário da Educação, Herman Voorwald.   

Decisão política

Para o líder da bancada do PT na Alesp, deputado Alencar Santana, Alckmin tem toda a responsabilidade. "No final de semana, dois grandes jornais exaltaram o governador, tratado como se fosse o 'salvador da Unesp', mas nada falam sobre seu papel no desmonte do HU. É como se a culpa não fosse dele", disse. "Trata-se de uma decisão política. Se ele quiser, remaneja recursos e salva o hospital. Mas essa não deve ser a sua preocupação."

O parlamentar lembrou que a grave situação do HU, que vem reduzindo o atendimento e fechou a pediatria nesta terça-feira (21), não é caso isolado. Falou de outros hospitais universitários, que passam por dificuldades, e criticou a política estadual de desonerações, que abre mão de recursos que poderiam financiar serviços de saúde e de educação, em favor de empresários.

As desonerações também foram abordadas pelo deputado Raul Marcelo (Psol). Citando o Tribunal de Contas do Estado (TCE), ele afirmou que Alckmin abre mão de R$ 15 bilhões por ano ao favorecer grandes empresários. "Finalmente o TCE criou grupo de trabalho para estudar a questão", disse o parlamentar. 

O sistema de escolha dos reitores das universidades estaduais paulistas, a partir de uma lista tríplice, criticado por Alencar Santana, foi combatido também pelo deputado Giannazi, autor de um Projeto de Lei que pretende alterar o processo. "Em tramitação desde 2007, (o projeto) tem o objetivo de acabar com esse mecanismo que vem desde a ditadura. Precisamos que o reitor seja escolhido democraticamente pela comunidade universitária", disse. 

Integrante da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Sâmia Bonfim (Psol) destacou a importância do HU para a formação dos médicos e para as 450 mil pessoas que dependem do serviço e criticou o prefeito João Dória, que apesar de vir retirando recursos da Saúde, defende a municipalização do HU e as organizações sociais, como a SPDM, que deverá administrá-lo em caso de vinculação à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). 

"Estamos votando na Câmara o orçamento de 2018 e vemos que faltará recursos para a manutenção de muitos serviços públicos, mas não para as OSs, que são fábricas de ganhar dinheiro", disse Sâmia, no momento em que Daniel Simões, chefe de gabinete do secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, deixava a audiência pública. 

Representando o secretário, Simões centrou sua fala na defesa da otimização dos recursos do setor "com inteligência" e na defesa de um novo modelo de assistência pautado em "economia de escala" e "nas reais demandas" da população. E afirmou que, embora a USP tenha pendências com o município, a gestão está "aberta ao diálogo". Mais tarde, ele e seus chefes foram duramente criticados pelos cortes de recursos e ameaças de fechamento de serviços de saúde em prol da "gestão inteligente".

Participaram ainda representantes da Associação dos Docentes da USP (Adusp), da Universidade Estadual Paulista (Adunesp), do Fórum das Seis (formado por trabalhadores USP, Unicamp e Unesp, mais as faculdades do Centro Paula Souza), de estudantes de Medicina, de Enfermagem e de médicos residentes.

O apoio aos alunos que continuam em greve por tempo indeterminado é total. Na manhã desta sexta-feira (24), haverá ato em defesa do HU, no qual os manifestantes deverão abraçar o prédio do hospital localizado no campus da Cidade Universitária, no Butantan. A manifestação, que contará com passeata pelas ruas da região, está sendo convocada pelo Coletivo Butantã na Luta.