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VOTAÇÃO DA DENÚNCIA

Para oposição, esquema para salvar Temer pode tirar votos também de quem o apoia

Dia é de corrida a indecisos pelo governo e de pressões da oposição. Apoiadores de Temer ainda avaliam se conseguirão se descolar de sua imagem desgastada
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 24/10/2017 10h36, última modificação 24/10/2017 12h05
Dia é de corrida a indecisos pelo governo e de pressões da oposição. Apoiadores de Temer ainda avaliam se conseguirão se descolar de sua imagem desgastada
Twitter/Reprodução
Compra Temer

Como na votação da primeira denúncia, oposição tenta com protestos denunciar quem compra e quem vende votos

Brasília – O dia está voltado para a contabilidade de votos em relação à denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência) por formação de quadrilha e obstrução de justiça. A votação está pautada para amanhã (25), no plenário da Câmara. As contas feitas por integrantes da base aliada são de que mesmo com a possibilidade de a denúncia ser rejeitada, o presidente terá aproximadamente 20 votos a menos que na primeira denúncia.

A constatação foi observada durante reunião realizada ontem entre líderes governistas, ministros e o próprio presidente. A avaliação é de que, mesmo que supere mais esta denúncia, Temer sairá enfraquecido não apenas perante a população, como também no apoio da base, o que impedirá a aprovação de propostas prioritárias do governo no Congresso.

“O resultado a ser observado na votação desta quarta-feira não altera o desgaste e enfraquecimento desse presidente ilegítimo. A cada dia fica mais nítida a preocupação dos parlamentares de se afastar o máximo possível dele perante a população”, observou o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).

Segundo um governista presente em reunião na noite de ontem, nem todos os deputados compareceram. Pressionado, o Planalto voltou a liberar emendas. Do envio da segunda denúncia à Câmara até ontem, já tinham sido empenhados recursos da ordem de R$ 829 milhões para emendas de parlamentares.

Dissidências 

A corrida hoje também se dá em função de o governo conseguir que a votação pela rejeição da denúncia seja considerada questão fechada pelas bancadas. Praticamente nenhuma delas concordou, com exceção de PMDB, PR E PSD que fizeram anúncio na noite de ontem. Mesmo assim, no PMDB, cinco deputados anunciam voto contrário ao presidente: Celso Pansera (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE), Laura Carneiro (RJ), Veneziano Vital do Rêgo (PB) e Vitor Valim (CE).

O PSDB, antes tido como um partido que poderia mudar de posição nesta denúncia em "retribuição" ao apoio do Planalto para manter no cargo o senador Aécio Neves (PSDB-MG), já divulgou que liberou a bancada. O PSB, que passou a ter novo líder na Casa na última semana, o deputado Júlio Delgado (MG), e que antes votou dividido, hoje se posiciona contra Temer – somando-se ao PT, PCdoB, Psol, Rede e PDT.

Mesmo assim, oposicionistas reconhecem ser pouco provável que a denúncia seja acolhida. E seguem nas ações de pressão externa ao Congresso para ampliar o desgaste do governo e de seus aliados, a menos de um ano das próximas eleições. Parte dessas manifestações ocorreria na manhã desta terça (24) no aeroporto e nas entradas do Congresso, para pedir aos parlamentares que estão em dúvida que não votem em apoio ao governo.

Desmembramento

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve ainda analisar mandado de segurança pedindo o desmembramento da denúncia. O assunto já foi decidido pela Câmara, que não aceitou dividir a denúncia, mas um grupo de parlamentares insiste na questão. Se houver a divisão, acreditam, ficará mais desgastante a votação para Temer. A decisão está a cargo do ministro Marco Aurélio de Mello, relator do mandado.

Outros assuntos que monopolizam o dia em Brasília são a reunião da executiva do PSDB, que aguarda resposta de Aécio Neves sobre sua permanência ou não na presidência do partido. Tudo indica que Aécio não vai continuar presidente nacional, mas pode ter interferência na indicação do seu substituto.

O dia também tem  votação de matérias referentes a mudanças nas regras de mineração, na Câmara, e a possibilidade de vir a ser votado, no Senado, pacote e isenções fiscais para petrolíferas internacionais na exploração do pré-sal.

De calma, ninguém que acompanhe os trabalhos dos três poderes na capital do país, poderá reclamar hoje. Apenas do calor, que continua – tanto na cidade, com  temperatura média de 30 graus e poucas chances de chuva, como também nos temas em debate.

AGENDA - Terça-feira, 24/10

 - Pauta para votação no plenário do Senado da PEC 14/2016, que cria as polícias penais federal, estaduais e distrital.

 - Pauta para votação no plenário do Senado da PEC 24/2012, que cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública (FNDSP).

-  A oposição pediu para ser realizada hoje sessão conjunta do Congresso, às 19h, para apreciação dos vetos, já que a última sessão foi cancelada, mas ainda não saiu resposta oficial da mesa diretora sobre isso.

- Pode ser votado no plenário do Senado, a urgência para tramitação do PLC 28/17, que regulamenta serviços de transporte que usam aplicativos, como Uber e Cabify.

- Votação na Câmara, às 14h30, do relatório do PL 7.197/02, que revisa medidas educativas do ECA.

- A comissão mista que analisa a MP 791 votará, na Câmara, às 14h, o relatório do texto. A matéria cria a Agência Nacional de Mineração (ANM) para substituir o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

- CPMI da JBS faz audiência para ouvir o ex-diretor da Caixa Jorge Hereda.

- PSDB realiza reunião para definir se o senador Aécio Neves (MG) continuará ou não na presidência do partido.

- STF julga o caso do refugiado italiano Cesare Battisti.

- STF ficou de divulgar até o final do dia decisão do mandado de segurança impetrado ontem que pede para a denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco ser votada de forma desmembrada.