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ALTA COMBUSTÃO

Maia recua e recoloca em votação requerimentos que pedem adiamento da sessão

Legendas da oposição trabalham para que votação aconteça à noite ou na semana que vem
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 02/08/2017 16h32, última modificação 02/08/2017 16h42
Legendas da oposição trabalham para que votação aconteça à noite ou na semana que vem
Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Votação contra Temer

Oposição tenta adiar horário da votação para expor mais parlamentares favoráveis a Temer

Brasília – Depois de a sessão da Câmara que discute a denúncia contra Michel Temer ser encerrada e reaberta logo em seguida e de serem apresentados novamente vários requerimentos pela oposição, desta vez para pedir o adiamento da votação, o clima começou a esquentar a partir do meio da tarde de hoje (2). O responsável pela confusão foi o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que no seu discurso disse que não via "moral" nos oposicionistas para criticar o presidente. Criticado até mesmo pela base aliada, Costa insultou o PT e o PCdoB chamando-os de "organizações criminosas". “O senhor lave a boca para dizer qualquer coisa”, rebateu a líder do PCdoB, Alice Portugal (BA).

Costa foi repreendido pelo próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pediu: “Por favor, modere sua fala. Aqui só existem partidos políticos e seus representantes”. Foi esse tom de animosidade que passou a vigorar no plenário, com tendência de ser ampliado até o início da noite.

Também em resposta a Wladimir Costa – que tatuou o nome de Temer no ombro, no último final de semana –, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) disse que “todos aqueles que estiverem do lado de lá possuem o mesmo padrão e nível de apoiar Temer dos que falaram aí”, apontando o dedo para Costa. “Isso demonstra a desqualificação total do atual parlamento. Sabemos que 85% da população querem a saída de Temer imediatamente. Como é que o Congresso Nacional faz ouvidos moucos e finge que não sabe que Temer é corrupto? ”, acrescentou o parlamentar.

O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), também reagiu. “Somos um partido que tem raiz no povo brasileiro, somos um partido de lutas e não vamos deixar que fiquem falando do PT. Essas pessoas não têm moral para falar de nós. Estamos aqui num movimento legítimo para acolher a denúncia contra um presidente que chegou ao poder sem passar pelo crivo popular, assumiu o cargo de forma ilegítima”, afirmou. 

Peço que se respeite o regimento e peço ao presidente da Casa que contenha essa escória desqualificada que aqui está para que respeitem a nossa fala e deixem que nos pronunciemos”, pediu o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Apresentação de planilha

Um outro momento de tensão que levou a vários protestos e discursos inflamados foi observado no final da manhã com o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), ministro de Articulação Política do governo, que se licenciou para votar pela rejeição da denúncia. Imbassahy chegou a abrir dentro do plenário uma planilha durante conversa com vários colegas, mostrando dados referentes à distribuição de cargos.

A postura do ministro licenciado foi repudiada por várias bancadas que destacaram o que julgam ser um sistema de compra de votos adotado nos últimos meses pelo governo e levou a nova cobrança do pedido de denúncia apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e da ação ajuizada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o uso do cargo pelo presidente para obter vantagens na votação da denúncia.

Virou piada entre muitos dos presentes a declaração do deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), integrante da base aliada, horas depois. Pereira elogiou o governo, afirmou que a denúncia deveria ser rejeitada logo para que se pusesse dar um fim à questão e os trabalhos dos ministérios terem encaminhamento porque, segundo ele “vários ministros já estavam trabalhando do próprio plenário”. “Estão fazendo isso para melhorar o país”, ressaltou, numa forma de amenizar o mal-estar provocado por Imbassahy.

Avanços e recuos

Poucas horas após o início da sessão, os governistas comemoraram o fato de terem conseguido quórum maior do que 342 deputados, considerado o número necessário para o início da votação, já que até a noite de ontem havia grande expectativa em relação à presença dos parlamentares na sessão. Muitos governistas deram como certa a rejeição da denúncia contra o presidente, em função desse comparecimento. Mas por volta das 14h os oposicionistas é que começaram a comemorar, porque passaram a sentir a possibilidade de atrasar a votação, ao menos até o início da noite, expondo mais o posicionamento dos deputados.

O objetivo destes parlamentares é obstruir a votação por meio da apresentação de sucessivas questões de ordem e requerimentos para que o pleito aconteça após as 18h, quando será maior o acompanhamento da sessão por parte dos brasileiros. E eles apostam no constrangimento de deputados que temem a reação popular ao seu posicionamento favorável a Temer.

A briga agora está relacionada a requerimentos que pedem o adiamento da votação. A princípio, o presidente da Casa abriu a votação conjunta de cinco requerimentos sobre o mesmo tema de uma única vez, que foram rejeitados. Diante dos protestos dos oposicionistas, que reclamaram que Maia estaria ferindo as regras regimentais, ele voltou atrás e retomou a votação dos requerimentos um por um.

“Vamos empurrar isso aqui para a noite ou para a próxima semana. Queremos que o Brasil veja o que está acontecendo”, disse o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), ao avaliar o cenário observado na Câmara. “Este é um momento o qual nenhum de nós gostaria que o país vivesse e passasse. Os brasileiros estão cansados de verem o parlamento passar a mão na cabeça de quem comete crimes e temos a oportunidade de virar essa página hoje”, destacou Molon.

Ao avaliar os trabalhos do dia, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que se os debates continuarem da forma como se encontram,a votação deve ter um quórum menor do que no período da manhã. O jogo, porém, é duríssimo, e mais favorável à rejeição da denúncia do que ao seu acolhimento, mas os oposicionistas têm dado declarações de que não vão desanimar. “Estamos lutando. Não nos surpreenderemos se houver uma mudança até o final da votação”, apostou Fontana.