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Lula: 'Reivindico agora a indicação do PT para disputar a presidência em 2018'

“Quem acha que é o meu fim, vai quebrar a cara. Na política, só quem tem direito de decretar meu fim é o povo”, disse o ex-presidente, ao classificar operação judicial da Lava Jato como perseguição política
por Redação RBA publicado 13/07/2017 13h08, última modificação 13/07/2017 13h53
“Quem acha que é o meu fim, vai quebrar a cara. Na política, só quem tem direito de decretar meu fim é o povo”, disse o ex-presidente, ao classificar operação judicial da Lava Jato como perseguição política
Nelson Antoine/Folhapress
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Lula: 'Moro deve prestar conta à história, como eu. A história vai dizer quem está certo, quem está errado'

São Paulo – “Quem acha que é o fim do Lula vai quebrar a cara. Só quem tem o direito de decretar meu fim é o povo brasileiro.” Com essas palavras o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou no início da tarde desta quinta-feira (13) o pronunciamento sobre a sentença do juiz Sérgio Moro proferida ontem. "Quero dizer ao meu partido que até agora não tinha sido indicado, mas quero reivindicar a indicação para disputar a eleição de 2018", disse.

Expressando raciocínio semelhante a diversos analistas, como do jurista Fábio Konder Comparato, Lula afirmou que o ato final do processo da Lava Jato comandada por Moro passou a fazer sentido a partir de sua condenação a nove anos e seis meses de prisão. “As forças que prepararam o golpe não iam ficar de braços cruzados esperando a gente voltar ao poder em 2018.” Sem a condenação, afirmou, o golpe que apeou Dilma Rousseff da presidência da República “não fechava”.

“Moro deve prestar conta à história, como eu. A história vai dizer quem está certo, quem está errado. Não é possível a gente ter estado de direito sem a justiça. O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura, é perceber (que está sendo vítima) de pessoas que mentiram e vão passar a vida inteira sustentando a primeira mentira.”

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann afirmou que os militantes do partido estão "serenos e indignados por uma sentença que não tem base legal". "Estamos prontos pra fazer esse enfrentamento", prometeu.

Globo

No pronunciamento, Lula citou várias vezes a imprensa comercial e, particularmente, a TV Globo, como organização presente e atuante durante todo o processo do golpe que levou Michel Temer ao poder. O processo começou, disse, com “uma mentira do jornal O Globo”, usada pela Polícia Federal, a partir da qual o Ministério Público iniciou a acusação, o que foi igualmente noticiado “fartamente”, até a denúncia chegar a Moro.

“A globo quer o golpe dentro do golpe”, afirmou. “A Globo é disseminadora do ódio no país.” Lula lembrou a tese de Sérgio Moro segundo a qual a operação Lava Jato só seria bem sucedida com apoio da mídia para conseguir respaldo da opinião pública. Para Lula, o desfecho do processo já se desenhava “desde que o Moro disse que precisaria apoio da imprensa para condenar”. “Durante todo o processo o que eu mais lia é que a pessoa foi presa e a primeira pergunta que se fazia nos depoimentos era que tinha que falar do Lula.”

Matéria do jornal Folha de S. Paulo de 2015 mostrou que Sérgio Moro escreveu, em 2004, um artigo intitulado "Considerações sobre a Operação Mani Pulite" (Operação Mãos Limpas, da Itália). O magistrado observou, então, sobre a participação da imprensa no processo: “Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação (Mãos Limpas) teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva". 

Pouco antes do pronunciamento de Lula, o ex-prefeito Fernando Haddad afirmou que “quem defende a justiça tem que defender uma régua pra todo mundo. A Justiça não tem nada a ver com partido.” Ele disse que teria a mesma posição se o implicado em perseguição judicial fosse alguém do PSDB. "Esquece Lula, Fernando Henrique Cardoso, Alckmin, Serra. O que interessa é o que está nos autos. É muito frágil.”

Para o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, a condenação de Lula provoca reação. “O mundo jurídico já começou a reagir. A sentença que é uma aberração que pode colocar, no futuro, qualquer pessoa na mesma situação.”

Assista ao pronunciamento na íntegra. Imagens da TVT