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Moro usou matéria da Globo como 'prova documental' que apartamento é de Lula

Nas ditas provas documentais também constam documentos relativos ao apartamento sem assinaturas. Provas produzidas pela defesa foram desvalorizadas e descartadas
por Cíntia Alves, do Jornal GGN publicado 13/07/2017 11h14, última modificação 13/07/2017 12h44
Nas ditas provas documentais também constam documentos relativos ao apartamento sem assinaturas. Provas produzidas pela defesa foram desvalorizadas e descartadas
Reprodução/O Globo
Moro globo

Em 2014, Moro recebeu das Organizações Globo o prêmio Faz Diferença pelos serviços prestados

GGN – O juiz Sergio Moro elaborou uma síntese das "provas documentais" que, segundo ele, confirmam a denúncia da Lava Jato contra Lula por conta do apartamento do Guarujá, e inseriu entre elas uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, em 2010, com a informação de que o apartamento no Guarujá pertenceria à família do ex-presidente. 

Para Moro, nenhuma das testemunhas de defesa, nem o material levado aos autos pelos advogados e tampouco o depoimento do ex-presidente Lula conseguiram explicar por que O Globo publicou que o tríplex era do petista muitos anos antes da Lava Jato começar a apurar o caso. 

"A informação, por forma desconhecida vazou, foi publicada e não foi desmentida. Aliás, segundo a referida matéria, 'a Presidência confirmou que Lula continua proprietário do imóvel'", observou Moro.  

Para condenar Lula a nove anos e meio de prisão em regime fechado e o dobro do tempo afastado da função pública, Moro lançou mão do seguinte raciocínio: disse que, no decorrer do processo, colheu depoimentos a favor e contra Lula. Mas, ao final, só enxergou validade nos documentos que confirmam a teoria dos procuradores. As provas produzidas pela defesa do petista foram desvalorizadas e descartadas pelo juiz de Curitiba. 

Na síntese das provas documentais, o juiz anexou todos os contratos assinados por Marisa Letícia, na época em que a ex-primeira-dama havia adquirido uma cota do empreendimento da Bancoop. Mas também anexou documentos sem assinaturas. 

Moro também usou as mensagens apresentadas por Léo Pinheiro, nas alegações finais, pois elas indicam que o tríplex sempre teve "atenção especial" na OAS por ser considerado de Lula desde o início das obras. 

Os documentos que mostram que a reforma foi feita com recursos da OAS Empreendimentos também foram usados contra Lula, embora a defesa aponte que eles só provam que nenhum centavo despendido no tríplex saiu de qualquer caixa de propina.  

Por fim, Moro ainda sobrepôs à reportagem de O Globo ao material produzido pela defesa de Lula.

Abaixo, a síntese de Moro: