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Campos, construções

Reforma trabalhista: senador propõe 'choque de realidade'

Paim quer que parlamentares visitem locais como fábricas, propriedades rurais e acampamento quilombola. Governo tenta acelerar tramitação de projeto
por Redação RBA publicado 07/06/2017 15h03, última modificação 07/06/2017 19h20
Paim quer que parlamentares visitem locais como fábricas, propriedades rurais e acampamento quilombola. Governo tenta acelerar tramitação de projeto
Edilson Rodrigues/Agência Senado
CAS do Senado

Paim propôs que membros da CAS verifiquem a "real situação" do trabalhador urbano e rural

São Paulo – O projeto de reforma trabalhista (PLC 38) começará a ser discutido amanhã (8) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, depois de ser aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O relator é o mesmo: Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que, sob críticas da oposição, desconsiderou mais de 200 emendas e fez um relatório sem alterar o texto aprovado na Câmara (como PL 6.787). Ele deve repetir o procedimento, em estratégia do governo para que o projeto não tenha de retornar à primeira Casa. A intenção do Planalto é aprovar a proposta ainda neste mês. Antes do embate na CAS, a oposição quer que os senadores tenham um "choque de realidade", verificando a "real situação" do trabalhador urbano e rural.

O senador Paulo Paim (PT-RS), que na CAE apresentou voto em paralelo, considerando o projeto original "inaceitável", sugeriu que os colegas de comissão percorram locais de trabalho nos próximos dias. No requerimento, o parlamentar propôs que senadores das CAS, da própria CAE e também da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa visitem um acampamento quilombola, uma propriedade de agricultura familiar, outra rural, uma fundição, uma fábrica de produtos químicos e um frigorífico.

Paim defendeu que a votação do PLC 38 fosse feita apenas depois dessas visitas, mas houve divergência com a base governista. "Se esse requerimento tiver o condão de paralisar a discussão da matéria aqui na CAS, eu encaminharei contra. Se o requerimento não tiver o condão de paralisar, não tenho nenhum problema de que a comissão possa discutir o ano todo essa matéria onde quiser. Até porque a reforma trabalhista não esgota com a votação desse projeto", afirmou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que tenta acelerar a tramitação.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) concordou com a proposta de Paim e sugeriu que as diligências sejam feitas em Goiás, estado vizinho ao Distrito Federal. "Poderíamos fazer já no início da semana que vem. Para que a gente tome um choque de realidade e venha debater com um espírito mais aberto essa matéria tão importante, que vai impactar tanto a vida das pessoas", declarou a senadora, que apresentou dois requerimentos para realização de audiências públicas.

Com 21 integrantes, a CAS é presidida por Marta Suplicy (PMDB-SP) e tem como vice Ronaldo Caiado (DEM-GO). O projeto terá de passar ainda pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) – e o relator será o governista Jucá.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse hoje ser a favor de um debate "sem pressa" sobre a reforma trabalhista. "Nós devemos ter um pouco de paciência. O Congresso vai funcionar pelo menos até o dia 13 de julho. Nós temos até o dia 13 de julho para votar esta matéria. Para que a pressa? Por que não permitir que a oposição disponha, dispute, reclame, faça o papel da própria oposição?"

Com informações da Agência Senado