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PSDB anuncia que permanece no governo de Michel Temer

Detentor de quatro ministérios, partido fez reunião com a executiva nacional e manterá apoio a Temer. Decisão não foi unânime entre tucanos
por Redação RBA publicado 13/06/2017 10h34, última modificação 13/06/2017 12h02
Detentor de quatro ministérios, partido fez reunião com a executiva nacional e manterá apoio a Temer. Decisão não foi unânime entre tucanos
BETO BARATA/PR
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Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi um dos defensores da permanência do partido no governo federal

São Paulo – O PSDB decidiu, em reunião da executiva nacional na segunda-feira (12), que continuará dando apoio ao governo Michel Temer, apesar do envolvimento do presidente em várias denúncias de corrupção. O anúncio foi feito pelo presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), e pelo senador e ex-ministro José Serra (SP).

A reunião teve a participação de governadores – entre eles Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR), Simão Jatene (PA) e Marconi Perillo (GO) –, dirigentes estaduais, senadores, deputado e prefeitos de capitais – incluindo João Doria (São Paulo) e Arthur Virgílio Neto (Manaus).

Detentor de quatro ministérios (Relações Exteriores, Secretaria de Governo, Cidades e Direitos Humanos), o partido é um dos principais aliados do governo desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Os tucanos pensaram em abandonar o governo Temer, após acusações feitas de executivos da JBS envolvendo o nome de Michel Temer. O presidente é investigado na Lava Jato e alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e pode ser também denunciado por organização criminosa.

O apoio a Temer não é unânime no partido. O relator da reforma trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (ES), é um dos que defendiam que o partido entregasse os cargos no Executivo. 

Após o anúncio de sua permanência no governo, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior pediu a desfiliação do PSDB. Ao jornalista Gerson Camarotti, do portal G1, Reale, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma, afirmou que não tem condições de ficar num partido que "relativiza" a questão ética.

A decisão do PSDB foi criticada por senadores peemedebistas nas redes sociais. Roberto Requião (PR) afirmou que a decisão era de se esperar. "Nada a estranhar sobre apoio do PSDB a Temer, afinal são a mesma coisa, unos e indivisíveis. Vão a mesma pizaria e cabem na mesma mala", publicou.

Já Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura, questiona o fato de o partido tucano pedir o impeachment de Dilma em 2016 e se calar após as denúncias contra Temer. "PSDB há um ano era o dono da ética. Hoje, tentam construir uma razão para apoiar um governo sem ética. Alguém me explica? Eu só queria entender."

A deputada federal Maria do Rosario (PT-RS) ironizou a decisão e lembrou das denúncias que o governo enfrenta. "Dia 12, (dia) dos namorados, PSDB não rompeu afeto com o governo Temer. Se continuar assim, no dia 24, (dia de) São João, tucanos vão estar é dentro da fogueira", tuitou.