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presidente não convence

'Pronunciamento de Temer é vago e incompleto', avaliam parlamentares

Para Guimarães (PT), fala foi “desrespeitosa para com os brasileiros”; Cristovam Buarque (PPS) diz que “faltam explicações” e Carlos Siqueira, presidente do PSB, “não há mais governabilidade”
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 20/05/2017 17h19, última modificação 20/05/2017 19h16
Para Guimarães (PT), fala foi “desrespeitosa para com os brasileiros”; Cristovam Buarque (PPS) diz que “faltam explicações” e Carlos Siqueira, presidente do PSB, “não há mais governabilidade”
Reprodução NBR
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Para parlamentares, isolamento cada vez maior de Temer chamou a atenção no pronunciamento deste sábado

Brasília – Assim que o presidente Michel Temer (PMDB) acabou seu pronunciamento na tarde de hoje (20), parlamentares de diversos partidos já começaram a se posicionar e a criticar os argumentos apresentados, considerados por muitos como "vago" e "incompleto".

No pronunciamento que era para se explicar sobre as conversas gravadas com o empresário Joesley Batista, Temer anunciou perícia dos áudios, o pedido de suspensão do inquérito aberto contra ele, criticou Batista, a quem chamou de “fanfarrão” e tentou se justificar dizendo que não acreditou quando o empresário afirmou, durante a conversa, que estaria mantendo contato com magistrados. “Não considerei verdadeiras nenhumas das narrativas apresentadas por ele”, disse.

Para o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT-CE), porém, o presidente "não conseguiu convencer ninguém".

"Além de ter feito um pronunciamento vago, Michel Temer foi desrespeitos para com a população brasileira mais uma vez. As palavras proferidas por ele não respondem em nada aos questionamentos feitos por todos em função das denúncias que o envolvem. Ainda teve o cinismo de pedir o arquivamento da investigação que foi aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF)", afirmou Guimarães.

De acordo com o líder da oposição, a crise econômica tende a se agravar ainda mais com o aprofundamento da crise política e, por isso, Temer deveria "ter a humildade de renunciar". "Só nos resta agora um caminho: ir para as ruas pressionar pela saída deste presidente que assumiu o cargo ilegitimamente. De nossa parte, também vamos pressionar no Congresso Nacional pelo impeachment".

falta explicação e modéstia

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que já integrou o PT, fez oposição ao governo Dilma Rousseff e tem afirmado que o melhor para o presidente é renunciar, avaliou o pronunciamento como "bem argumentado por Temer", mas destacou sentir falta de várias explicações e também do que definiu como "falta de modéstia por parte do presidente".

"Apesar de ele ter se saído bem, provavelmente com a assessoria de algum marqueteiro, o pronunciamento não isenta nem tira as dúvidas que pesam sobre o presidente neste momento", disse Buarque.

Na avaliação do senador, Temer soube aproveitar contradições do empresário Joesley Batista para explorar em sua defesa, tentou se valer de melhorias observadas na economia do país e procurou argumentar que sua maneira de falar na conversa com Batista não significa concordar com o pagamento de propina. "Nada disso, porém, isentou o presidente."

"O que estamos vendo é algo muito grave. Mesmo que todos estes pontos mencionados  no pronunciamento sejam esclarecidos posteriormente, temos o caso de um presidente da República que recebeu um grande empresário na residência oficial, que é uma casa do povo brasileiro, ouviu declarações sobre práticas ilegais e permaneceu calado", acrescentou.

Para Buarque, "mais correto teria sido Temer tentar se justificar sobre tudo o que falou e, ao final, pedir desculpas aos brasileiros". "Poderia até ter dito que nada tem a temer, como ele fez, e reiterar que quer que as investigações sejam realizadas. Mas também deveria confessar que errou por ter recebido um empresário de forma secreta e por esconder isso de todos. O povo brasileiro merecia esse pedido de desculpas."

Isolamento maior

O isolamento cada vez maior de Temer em relação aos parlamentares é um pontos que chamou a atenção no pronunciamento. Apesar de ter passado a manhã reunido com assessores e ministros mais próximos, Temer se manifestou acompanhado apenas pelos deputados Carlos Marun (PMDB-MS), Darcísio Perondi (PMDB-RS) e o ministro da Secretaria de Governo, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) – de um partido que se mantém dividido quanto a deixar ou não a base aliada.

No meio do dia, a executiva nacional do PSB anunciou que desembarcará do governo. Os integrantes da legenda, além de votarem neste sentido, resolveram fechar questão em apoio à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que prevê eleição direta caso Temer deixe a Presidência da República.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, destacou que o governo perdeu todas as condições de governabilidade diante das denúncias contra o presidente. Afirmou, também, que "o povo precisa entrar em cena porque a crise é muito grande". Segundo ele, "não é só do presidente, mas todo o sistema político que precisa ser renovado no processo eleitoral".

Além do PSB, já tinham deixado o governo nos últimos dias as legendas PPS e Podemos (ex-PTN). Ontem, o deputado federal e ex-senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), considerado um nome histórico do PMDB e que apoiou Temer desde o primeiro momento, disse que ele "deve esclarecimentos à população". Foi a primeira declaração crítica contra Temer partida de um peemedebista, mas já se sabe que há insatisfação entre deputados e senadores de todas as siglas que compõem a base que, até então, dava sustentação ao presidente.