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COBRANÇA

Jarbas Vasconcelos, do PMDB, diz que Temer ‘deve satisfações ao país’

Nome histórico entre os peemedebistas, que nunca apoiou os governos do PT, o pernambucano chamou a atenção por dizer que “do mais simples ao mais esclarecido, todos precisam dessa resposta”
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 19/05/2017 19h28, última modificação 19/05/2017 19h32
Nome histórico entre os peemedebistas, que nunca apoiou os governos do PT, o pernambucano chamou a atenção por dizer que “do mais simples ao mais esclarecido, todos precisam dessa resposta”
Moreira Mariz / Ag. Senado
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"Temos que reconhecer que o Brasil está sendo passado a limpo", disse o deputado em entrevista hoje

Brasília – O deputado Jarbas Vasconcelos (PE), um dos fundadores históricos do velho PMDB, que apoiou desde o início o governo de Michel Temer, afirmou hoje (19), em entrevista concedida à Rádio Jornal, no Recife, que quer “explicações imediatas de Temer” e considerou este o que chamou de “momento mais agudo da crise política”. A declaração chamou a atenção porque Jarbas sempre se posicionou contrário aos governos do PT, mesmo quando o partido integrava a base aliada dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. E trabalhou pelo impeachment de Dilma, defendendo a ida de Temer para o Palácio do Planalto. “Temer deve satisfações ao país”, disse Jarbas.

Apesar de ter amenizado a crítica ao presidente, afirmando que ainda confia nele até que tudo seja esclarecido e ressaltando que “as pessoas erram”, a declaração do deputado explicitou, pela primeira vez, o ambiente de divisão e dúvida que, desde quarta-feira (17), tem sido observado entre os peemedebistas, nos gabinetes da Câmara dos Deputados e do Senado.

Em sua fala, o deputado, ex-senador e ex-governador de Pernambuco, considerou que o Brasil está “no olho do furação”. Conforme a avaliação feita por ele, poucas vezes o país vivenciou um fato de tamanha gravidade. Jarbas apontou como pontos positivos em todo esse processo, no entanto, a força das investigações e o que considerou como neutralidade das Forças Armadas no momento, ao contrário do quadro observado no país durante o golpe de 1964.

“Temos que reconhecer que o Brasil está sendo passado a limpo. Antes, já haveria movimentação nos quartéis e seria convocado um general. Isso não acontece agora", acrescentou.

“Continuo achando Temer uma pessoa correta, que busca fazer o que tem que ser feito, mas as pessoas erram. É preciso, diante disso, um posicionamento firme por parte do presidente. Ele tem que explicar tudo com conteúdo. Seu nome foi envolvido de forma contundente e do mais simples ao mais esclarecido, todos precisam dessa resposta”, acrescentou.

Michel Temer foi flagrado em conversas filmadas e entregues em delação premiada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, discutindo o pagamento de propina para silenciar o deputado cassado Eduardo Cunha – que está preso desde o ano passado – numa possível delação.