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reviravolta

Fachin nega pedido de prisão de Aécio e caso não irá ao plenário do STF

Ministros só avaliarão se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autor do pedido, recorrer da decisão
por Redação RBA publicado 18/05/2017 12h57, última modificação 18/05/2017 13h43
Ministros só avaliarão se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autor do pedido, recorrer da decisão
Geraldo Magela/ Agência Senado
Aécio

Residências de Aécio e seu gabinete no Congresso, foram alvo de mandados de busca e apreensão

São Paulo – O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), negou hoje (18) o pedido de prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e decidiu não levar a decisão sobre ao assunto ao plenário do STF.

O caso só será levado ao plenário se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autor do pedido, recorrer da decisão de Fachin. Na manhã de hoje, ele teria conversado por cerca de uma hora com a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia.

Antes, o relator já determinado o afastamento de Aécio do mandato, o que o impede de votar no Congresso e de fazer qualquer outro ato como parlamentar. O ministro também apreendeu o passaporte do senador tucano e o proibiu de ter contato com outros investigados.

Uma sessão do Supremo está marcada para a tarde de hoje. Dos 11 ministros, só não deverão comparecer Luís Roberto Barroso, que está em Londres, e Gilmar Mendes, que chega a Brasília à noite, vindo de São Petersburgo, na Rússia.

Durante a manhã, as residências de Aécio em Brasília, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, além de seu gabinete no Congresso, foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados por Fachin. Também foi expedido um mandado de prisão contra a irmã do senador, Andrea Neves, que foi cumprido em Belo Horizonte.

Também foram alvo da operação os gabinetes senador Zezé Perrella (PSDB-MG) e do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que teria sido escolhido pelo presidente Michel Temer para intermediar uma negociação com a JBS, conglomerado do ramo alimentar pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Na noite de ontem (17), o jornal O Globo divulgou detalhes da delação premiada de Joesley, nas quais Aécio aparece pedindo R$ 2 milhões ao empresário para pagar sua defesa na Lava-Jato, em encontro no Hotel Unique, em São Paulo, em 24 de março. O senador afirmou que o criminalista Alberto Toron o defenderia.

O pedido de ajuda foi aceito e Joesley questionou quem seria o responsável por pegar as malas com o dinheiro, sugerindo que Aécio as retirasse pessoalmente. Aécio afirmou que mandaria alguém de sua confiança e que o empresário deveria fazer o mesmo. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", respondeu Aécio, segundo o jornal.

Fred seria, segundo O Globo, o um primo de Aécio chamado Frederico Pacheco de Medeiros, que foi diretor da Cemig, nomeado pelo senador Aécio e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.

O dinheiro foi entregue a Fred pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, segundo o jornal. Ao todo foram quatro entregas de R$ 500 mil. A Polícia Federal teria filmado uma delas. O dinheiro, no entanto, não foi repassado a advogado algum, segundo as investigações, mas sim para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Mendherson por sua vez teria levado o dinheiro de carro para Belo Horizonte, em três viagens. Ele teria negociado para que o dinheiro fossem para a empresa Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella.

Com informações do G1 e da revista CartaCapital