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Deputados protocolam pedido para criação da CPI da Carne Fraca

Segundo Ivan Valente, Câmara precisa investigar denúncias de corrupção envolvendo agentes públicos, além de apurar consequências para a saúde da população e impactos na economia
por Redação RBA publicado 23/03/2017 12h29, última modificação 23/03/2017 12h39
Segundo Ivan Valente, Câmara precisa investigar denúncias de corrupção envolvendo agentes públicos, além de apurar consequências para a saúde da população e impactos na economia
arquivo/EBC
Carne Fraca

Deputados pretendem investigar envolvimento de agentes públicos no esquema revelado pela Operação Carne Fraca

São Paulo – Com assinaturas de 208 parlamentares, os deputados federais Carlos Zarattini (PT-SP), Ivan Valente (Psol-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG) protocolaram na noite desta quarta-feira (22) pedido para criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar denúncias relacionadas à Operação Carne Fraca

"O Parlamento brasileiro precisa entrar nessa questão que tem grande impacto na saúde pública brasileira para investigar a corrupção no setor e os impactos monstruosos que foram criados a partir desse processo", afirmou Ivan Valente, que comemorou a rapidez com que foram colhidas as assinaturas. Por outro lado, ele prevê resistência por parte do governo e do setor "agropecuário" da Câmara. 

No pedido protocolado, os deputados pedem investigação sobre o "envolvimento de agentes públicos, notadamente aqueles detentores de cargos eletivos e membros do primeiro escalão do Poder Executivo Federal". Caberá agora ao presidente da Câmara,  Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidir pela instalação ou arquivamento do pedido da CPI. 

O esquema revelado pela PF, em operação desencadeada na última sexta-feira (17), aponta para o envolvimento de servidores das superintendências regionais do Ministério da Pesca e Agricultura nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás que atuavam diretamente para proteger grupos de empresários em detrimento do interesse público.

Os fiscais se utilizavam dos cargos para, mediante propinas, facilitar a produção de alimentos adulterados por meio de emissão de certificados sanitários sem que a verificação da qualidade do produto fosse feita. Parte da propina seria destina para o PP e o PMDB. 

O escândalo também tem potencial para atingir a cúpula do governo Michel Temer (PMDB-SP). Em escuta divulgada pela própria PF, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-SC) conversa com suposto líder do esquema criminoso – Daniel Gonçalves Filho, superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016 –, chamando-o de "grande chefe". 

Em outra conversa interceptada, e divulgada ontem (22) pelo jornal O Estado de S. Paulo, envolvendo uma servidora do Ministério da Agricultura apontada como uma das líderes do esquema, e um médico veterinário da Seara, empresa controlada pelo grupo JBS, eles reclamam sobre alteração na fiscalização de cargas animais proposta pelo deputado federal Dirceu Speraficos (PP-RS), confundido com Serraglio.

"Pô, mas o Speraficos? O Speraficos não é o velhinho que está conosco?”, pergunta a servidora do ministério, e logo desfaz a confusão, revelando suposta participação do ministro da Justiça no esquema: "Não, esse (velhinho) é o Serraglio", completa.