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Memória coletiva

Questões econômicas e facilidade de comunicação explicam saudade da era Lula

Para cientista político, melhor momento da economia brasileira desde a redemocratização explica nostalgia do período 2003-2010, revelada por pesquisa divulgada pelo jornal "Valor Econômico"
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 15/02/2017 19h02, última modificação 16/02/2017 14h26
Para cientista político, melhor momento da economia brasileira desde a redemocratização explica nostalgia do período 2003-2010, revelada por pesquisa divulgada pelo jornal "Valor Econômico"
Ricardo Stuckert / Instituto Lula
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Lula: saudade explicada pelo fato de ter sido uma época em que se ganhava melhor e o povo era valorizado

São Paulo – A combinação de duas pesquisas divulgadas nos últimos dias é reveladora dos motivos pelos quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mantém à frente das intenções de voto para 2018. Hoje, pesquisa CNT/MDA divulgou estudo reiterando a preferência por Lula, que continua liderando com 30,5%, 31,8% e 32,8%, dependendo do cenário de primeiro turno. Na segunda-feira (13), o jornal Valor Econômico tornou pública pesquisa qualitativa realizada pela empresa Ideia Inteligência, segundo a qual a intenção de votar no ex-presidente se deve a um sentimento de saudade, ou nostalgia, do período de seu governo, de 2003 a 2010.

Essa ‘saudade’ é explicada, principalmente, pelo fato de ter sido uma época em que se ganhava melhor e o povo se sentia mais valorizado. Portanto, o aspecto econômico é o óbvio e principal fator que explica a persistência de Lula à frente das pesquisas, apesar das denúncias e campanhas midiáticas contra ele, na opinião do cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC (UFABC). “Se tomarmos por verdade que, do ponto de vista de desempenho eleitoral, a questão do desemprego e do poder de compra são fundamentais, o período Lula, nesses quesitos, foi o melhor momento da economia brasileira desde a redemocratização”, diz.

A respeito do que se cristaliza na memória da população como “lembrança positiva”, o povo não está interessado e nem compreende aspectos mais complexos da economia, se as commodities ajudaram o governo, ou como andava a economia mundial ou qual era a política monetária do Banco Central.  

“Do ponto de vista de um eleitor que está passando na rua e é entrevistado por uma pesquisa, ele lembra do poder de compra, da valorização do salário mínimo, do desemprego baixo, do colchão de benefícios sociais da época. São questões racionais, imediatas e simples. O fato é que esse eleitor pensa: ‘quando Lula era presidente da República, minha vida era melhor’.”

Fora os aspectos econômicos que se refletem diretamente na vida das pessoas, há outro fator para a nostalgia ou saudade de Lula, de acordo com o cientista político. “Somado ao fato de ter sido com ele o melhor momento econômico desde a redemocratização, Lula é alguém que tem uma capacidade de comunicação muito grande. Me parece que é uma combinação importante para criar essa imagem positiva e duradoura, que persiste apesar das questões como denúncias de corrupção, toda a imagem negativa vendida até agora”, diz Marchetti.

Para ele, a memória positiva refletida pelas pesquisas em que o ex-presidente lidera persistentemente mostra como as questões mais recentes ligadas às denúncias são “limitadas e não conseguiram destruir sua imagem”. “É preciso lembrar também que esse capital do Lula foi capaz de eleger a Dilma duas vezes. Ainda era o capital político vindo dos anos Lula e PT.”

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