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'Nossa campanha firma o legado de Lula e Dilma no Rio de Janeiro', diz Jandira

Com trajetória de destaque na defesa dos direitos da mulher, candidata afirma que, se chegar à Prefeitura, a visão de gênero será transversal em todas as políticas públicas municipais
por Maurício Thuswohl, para a RBA publicado 30/09/2016 10h15, última modificação 30/09/2016 11h57
Com trajetória de destaque na defesa dos direitos da mulher, candidata afirma que, se chegar à Prefeitura, a visão de gênero será transversal em todas as políticas públicas municipais
Facebook/Jandira Feghali
Jandira Feghali.jpg

Segundo Jandira, não existe um legado real das Olimpíadas Rio 2016. 'Prefeitura se virou apenas para os interesses dos empresários'

Rio de Janeiro – Candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PCdoB, com apoio do PT, a deputada federal Jandira Feghali se empenhou em trazer para esta campanha eleitoral a gravidade do momento político nacional. Nos palanques, reuniões e debates, Jandira é a principal voz a denunciar o golpe parlamentar, e tem em Dilma, e também no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seus principais cabos eleitorais. Mas, se de um lado luta contra os "traidores" e "golpistas", como são por ela definidos, por exemplo, o candidato do PMDB, Pedro Paulo Carvalho, e o candidato do PRB, Marcelo Crivella, a deputada comunista viu a dinâmica da campanha criar uma outra disputa, desta vez por um lugar no segundo turno, contra as outras duas candidaturas do campo da esquerda: Marcelo Freixo (PSOL) e Alessandro Molon (Rede).

"O ideal é que pudéssemos unir as três candidaturas logo no início, mas isso não foi possível", lamenta Jandira. A deputada rechaça a possibilidade de abandono em favor de outro candidato: "Baseado em que pesquisa para tomar essa posição?", indaga. Mas garante que a esquerda estará unida no segundo turno.

Com trajetória ligada à defesa dos direitos da mulher, Jandira afirma que, se chegar à Prefeitura, a visão de gênero será transversal em todas as políticas públicas municipais. A candidata também promete criar escolas de tempo integral, abertas à comunidade, e acabar com o modelo das Organizações Sociais de Saúde (OSs) que hoje administram os hospitais da rede pública municipal. Leia a seguir a íntegra da entrevista:

A poucos dias da votação, já dá para avaliar se a estratégia dos partidos de esquerda de lançar três candidaturas foi correta?

O ideal é que pudéssemos unir as três candidaturas logo no início, mas isso não foi possível. A iniciativa de propor isso, inclusive, foi minha, através de uma reunião que propus em junho. Mas os demais candidatos entenderam que todos eram legítimos em se apresentar no primeiro turno. O que ficou acertado nessa reunião é que, pelo menos, não haveria confronto entre nós e estaríamos aliados no segundo turno.

Por que o eleitor de esquerda deve optar por Jandira Feghali? No que sua candidatura se difere das outras duas candidaturas de esquerda?

Nossa campanha é extremamente popular e firma o legado de Lula e Dilma na cidade. Nosso projeto trouxe inúmeros benefícios e direitos para o Rio, defende a democracia, luta contra o golpe em curso no país e exige mais direitos para toda a população. A atual gestão se utilizou destes benefícios, mas não priorizou a população mais pobre. A cidade hoje vive uma inversão de prioridades, numa lógica em que a Prefeitura é comandada pelos grandes empresários. É urgente romper esse projeto e dar voz e espaço às camadas mais populares desta metrópole.

Setores do PT em São Paulo já falam em um acordo de mão dupla nesta reta final de campanha que passaria pelas desistências simultâneas de Luiza Erundina em apoio a Fernando Haddad e da tua candidatura em favor de Marcelo Freixo. Esse acordo é possível?

Não. Até porque, baseado em que pesquisa para tomar essa posição? O Ibope da TV Globo? O próprio PSOL rechaçou essa aliança antes do primeiro turno e agora corre para firmar pontes e, muitas das vezes, nos atacando. É incoerente. Nossa candidatura cresce como nunca na cidade e ecoa um chamado pela renovação através de uma mulher. Nossa campanha está mais do que nunca animada nas ruas e nas redes, disputando voto a voto pelo segundo turno. Vamos florescer na cidade uma nova era.

A tua candidatura tem em Lula e Dilma dois importantes cabos eleitorais. Qual a importância de trazer a questão nacional para o debate municipal?

É indissociável fazer essa crítica numa eleição municipal dentro deste golpe parlamentar que o Brasil está vivendo. Com o golpe, cessaram direitos e cortaram recursos de áreas básicas, como educação e saúde. Politizar esse processo é importante porque tudo está ligado. Não adianta prometer novas escolas sabendo que Temer quer aprovar uma PEC que corta recursos na Educação. Não adianta deixar de falar disso enquanto o maior programa habitacional da cidade, o Minha Casa, Minha Vida, está sob perigo nas mãos de um ministro ilegítimo do PSDB. Essa discussão tem que ser feita porque o golpe não é somente uma consequência nacional, mas nos municípios também.

Lula e Dilma muito fizeram pelo Rio, e os demais candidatos traíram isso tudo. Traíram o legado, traíram a confiança e o projeto. Somos leais aos nossas ideais e, mesmo sabendo da manipulação midiática e o fascismo da direita, os 13 anos de Lula e Dilma foram os maiores governos de nosso período pós-redemocratização.

Além de ser uma das principais vozes do "Fora, Temer!" em Brasília e no Rio, a senhora ressaltou a traição do PMDB fluminense à Dilma. Como será tua relação, quando chegar à Prefeitura, com os governos estadual e federal?

Absolutamente administrativa. O governador Flávio Dino, do PCdoB, é uma mostra disso. Ele também é uma das vozes importantes da luta contra o governo ilegítimo, mas segue o protocolo republicano que um gestor público deve ter.

Como está sendo a experiência desta primeira campanha sem a doação de empresas? A senhora acha que a campanha está sendo de fato mais igualitária?

Nós lutamos muito por isso, você sabe. Mesmo que o fim desse tipo de doação não tenha saído na Câmara, mas no STF, foi uma vitória muito grande. Primeiro porque você iguala mais e evita campanhas hollywoodianas. É claro que não é fácil se adequar, porque ficamos muito tempo alojados nesse tipo de sistema. Mas era importante que acontecesse. A própria militância está reaprendendo a militar, digamos assim, fazendo feijoada, rifa, reuniões caseiras.

A falta de segurança para as mulheres no Rio, no que diz respeito aos assédios e ataques sexuais, é alarmante. Como prefeita, o que a senhora pretende fazer para mudar esse quadro?

A visão de gênero é transversal em todas as políticas que proponho no meu plano de governo. Foi uma prioridade minha desde o início. Isso se dá na educação, na saúde, na segurança, na mobilidade, em tudo. A visão de uma mulher e mãe é extremamente sensível a esta causa. Nossa atenção é que o tema de gênero esteja na formação do cidadão passando por cuidados nos serviços públicos. Queremos implementar o programa Rio, Cidade Mulher focando diversas políticas que tratem do tema.

Em 2006, quando parecia próxima da vitória para o Senado, tua candidatura sofreu um ataque sistemático de forças conservadoras com cunho religioso fundamentalista, o que acabou sendo decisivo para a derrota para Francisco Dornelles. Como evitar que a história se repita em caso de uma disputa no segundo turno com Marcelo Crivella?

Nós estamos absolutamente tranquilos quanto a esta discussão. Tivemos reuniões em diversos segmentos, principalmente com a Igreja Católica, através do arcebispo Dom Orani Tempesta. Aliás, ele é um grande parceiro de meu mandato como deputada federal. O diálogo entre as forças sociais sempre precisa existir.

Como prefeita, o que a senhora pretende fazer em relação ao chamado "legado olímpico", no que diz respeito à mobilidade e à ocupação do espaço urbano?

O legado real não existiu. A mobilidade ainda continua péssima em pontos da Zona Oeste e Norte, a Prefeitura se virou apenas para os interesses dos empresários e esqueceu por completo o resto da cidade. A Linha 4 do metrô, por exemplo, gastou bilhões para levar de Ipanema à Barra, enquanto podia-se com a mesma verba terminar a Linha 2 até Santa Cruz. Os equipamentos olímpicos, que são estruturas obrigatórias, devem ser incorporadas ao uso da população, com acesso das escolas, formação de atletas e capacitação de profissionais. São da cidade e, é claro, de nosso povo.

Qual a tua principal proposta para a Educação?

Neste quesito temos forte referência em Brizola e Darci Ribeiro. Garantir escolas de tempo integral, abertas à comunidade, onde implantaremos os conselhos de bairro. A escola precisa ser o centro de integração do bairro. Cultura, esporte e internet banda larga como parceiros curriculares, programa de saúde dentro da escola e formação cidadã. Também é preciso aplicar as leis de educação musical, afro e indígena. Vamos melhorar a estrutura das escolas e superar o déficit de vagas em creches, que deverão ter horário estendido até a noite.

E a principal proposta para a Saúde?

As Clínicas da Família terão pleno funcionamento e serão ampliadas, com implantação do terceiro turno, pois hoje fecham no fim da tarde impedindo que aqueles que trabalham sejam atendidos. Sobre as OSs, somos contrários a este modelo. Além de analisar as denúncias feitas de superfaturamento em algumas delas, a gestão das unidades de saúde tem que ser pública, com concurso público. Os hospitais também terão seu pleno funcionamento. Isso significa ter equipes completas dos profissionais; serviços e equipamentos estruturados em seus funcionamentos, além de integração com todo o sistema de atendimento, mantendo a importante e necessária retaguarda hospitalar à rede básica.