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Indignação

'A história mal começou e eles pensam que está terminando', diz Lula

"Essa meninada que evitou o Alckmin de fechar escolas, que está vindo para as ruas para reivindicar democracia, essa meninada é o Lula multiplicado por milhões”, disse ex-presidente
por Redação RBA publicado 15/09/2016 14h05, última modificação 15/09/2016 17h15
"Essa meninada que evitou o Alckmin de fechar escolas, que está vindo para as ruas para reivindicar democracia, essa meninada é o Lula multiplicado por milhões”, disse ex-presidente
Roberto Parizotti/Cut/fotos públicas
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Lula sobre denúncia do MPF: 'À custa do que esse espetáculo? À custa do que divulgar um produto que não tem como entregar?'

São Paulo – “Já cassaram o Cunha, derrubaram a Dilma, elegeram Temer. Está na hora do desfecho da novela. Acabar com a vida política do Lula. Não existe outra explicação para o espetáculo de pirotecnia que fizeram ontem”, ironizou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso no início da tarde de hoje (15), para se defender da denúncia de ontem do Ministério Público Federal.

Em discurso em que variou entre humor, emoção e momentos mais agressivos, ele acusou os membros do MPF de inventarem uma “mentira” e a imprensa de cumplicidade. “Descobri que tanto meus acusadores como uma parte da imprensa estão mais enrascados e comprometidos do que eles pensam que eu estava. Construíram uma mentira, como se fosse o enredo de uma novela. Tenho convicção que setores da imprensa que mentiram vão ter que inventar outra versão para sair dessa encalacrada. Continuem falando. A história mal começou e eles pensam que está terminando”, avisou.

O ex-presidente citou Tiradentes para dizer que, independentemente de se perseguir lideranças como ele ou o principal personagem da Inconfidência Mineira, os ideais sobrevivem. “Acredito nas ideias de Tiradentes. Não adianta esquartejar, as ideias sobrevivem e anos depois veio a independência do país. Se me tirarem da política, vão ter problemas com o golpe que deram. Vão ter problema com o que tiraram do povo trabalhador. Vão ter problema em entregar o pré-sal, a Petrobras, as indústrias, a Caixa, o Banco do Brasil”, disse. “Assim não precisa de governo. É só colocar um vendedor. Governo de verdade é aquele que diz que vamos resolver o problema da miséria colocando o pobre no orçamento.”

Lula indicou acreditar que as ideias as quais acredita que sobreviverão já estão nas ruas com a geração mais jovem, que tem se manifestado contra o governo golpista de Michel Temer. “O país que eu sonho está longe. Subimos um degrau na escala social que eles estão tirando agora. Criminalizar o Lula é bobagem. Essa meninada que evitou o Alckmin de fechar escolas, que está vindo para as ruas para reivindicar democracia, essa meninada é o Lula multiplicado por milhões”, afirmou.

Segundo ele, a perseguição de que ele, o PT e Dilma Rousseff são vítimas começou em 2005, baseada na lógica da criminalização da política com o apoio da mídia, como têm denunciado cientistas políticos, juristas e pensadores progressistas. “A lógica não é mais o processo e os autos, a lógica é a manchete. Ou seja, quem vamos criminalizar pela manchete. Está acontecendo isso desde 2005. O PT tem que ser extirpado da história, assim fizeram com o partidão na década de 50.”

O ex-presidente também associou a perseguição contra ele, seu governo e ao governo de Dilma Rousseff com outros líderes populares que governaram o país. “Getúlio governou com mão dura. Juscelino talvez tenha sido vítima de mais inquéritos do que eu. João Goulart vocês sabem o que aconteceu. Não tenho a vocação de Getúlio de me dar um tiro, do Jango de sair do Brasil. Vão ter que disputar comigo na rua”, prometeu.

Ele voltou a dizer, como Dilma insistiu em sua defesa no processo de impeachment, que foram os governos petistas que criaram condições republicanas para as investigações da Polícia Federal e atuação do Ministério Público. “Tiramos da sala o tapete que escondia a corrupção deste país”, disse, momento em que foi aplaudido.

Segundo Lula, o “show de pirotecnia” do Ministério Público ao anunciar as acusações de que ele comandaria um esquema de corrupção vinculado à Petrobras deveria constranger as autoridades do país. “O procurador-geral da República deve estar pensativo. Os ministros do Supremo devem estar pensativos. O diretor-geral da Polícia Federal deve estar pensativo. À custa do que esse espetáculo? À custa do que divulgar um produto que não tem como entregar?”

Também usou a afirmação dos membros do MPF, que repercutiu em todo o país, de que eles não têm prova contra ele, mas têm convicção, para ironizar o silêncio sobre a apreensão de helicóptero da empresa do filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), Gustavo Perrella, com 400 quilos de cocaína, em 2013. “Eu vi um artigo do (Luis) Nassif que chamou a atenção. Eles sabiam e tinham provas de um helicóptero com 400 kg de cocaína. Tinham provas, pegaram o helicóptero, mas não tinham convicção. Então não prenderam ninguém”, disse. “Provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso em Curitiba.”

“Me dedicaram um apartamento que eu não tenho. Uma chácara que eu não tenho. Me dedicaram ser o comandante maior da corrupção. Sem provas, mas com convicção”, acrescentou.

Ele agradeceu os senadores de outros partidos que se mantiveram com Dilma até o fim no processo de impeachment. Pediu desculpas por não mencionar todos, mas citou Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Roberto Requião Requião (PMDB-PR), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), João Capiberibe (PSB-AP), Lidice da Mata (PSB-BA), Armando Monteiro (PTB-PE), Elmano Férrer (PTB-PI), Kátia Abreu (PMDB-TO), Otto Alencar (PSD-BA) e Roberto Muniz (PP-BA). “Não perderam a dignidade e a vergonha”, disse.

Durante o discurso, Lula estava na companhia de várias lideranças populares, como o presidente da CUT, Vagner Freitas, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, a senadora Gleisi Hoffmann e o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

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