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Sessão sobre cassação de Cunha é suspensa por uma hora para garantir quórum

Às 19h30, havia 361 deputados na Casa, mas presidente diz que só vai abrir os trabalhos com o número de 400 a 420 parlamentares, mesmo diante dos apelos de líderes partidários
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 12/09/2016 19h37, última modificação 13/09/2016 17h06
Às 19h30, havia 361 deputados na Casa, mas presidente diz que só vai abrir os trabalhos com o número de 400 a 420 parlamentares, mesmo diante dos apelos de líderes partidários
Luis Macedo/ Câmara dos Deputados
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No final da tarde, líderes de várias legendas que querem a cassação de Cunha se reuniram

Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abriu a sessão que vai decidir pela cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) hoje (12), às 19h, e em seguida suspendeu os trabalhos por uma hora, para permitir a chegada dos parlamentares que faltam. No momento, registraram presença no plenário 361 deles, mas Maia quer que o quórum fique entre 400 e 420 parlamentares. Muitos deles gritam no plenário palavras de ordem, como "Fora, Cunha".

"Eu assumi esse compromisso há mais de 30 dias e disse que realizaria a sessão hoje, mas contanto que houvesse o número de deputados acertado. Então, estou cumprindo com o acertado e peço que vocês também cumpram com o de vocês", afirmou Rodrigo Maia - que é tido como um dos aliados de Cunha. O início dos trabalhos foi marcado por debates entre os parlamentares que queriam que a sessão fosse iniciada já com a leitura do relatório aprovado pelo Conselho de Ética, para confirmação do quórum uma hora depois, e entre os que pediram pelo adiamento até as 20h. Venceu o adiamento.

Maia argumenta que quer essa quantidade de parlamentares para garantir uma margem segura de presenças em plenário e, assim, evitar qualquer contestação de ordem regimental.

No final da tarde, líderes partidários de várias legendas que querem a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – Rede, Psol, PCdoB e PT – se reuniram para dizer que suas bancadas confirmaram o comparecimento em peso à sessão. Eles também  afirmaram que pretendem trabalhar para que todo o processo ocorra nesta segunda-feira. A expectativa é que outros parlamentares, que já estão na cidade, cheguem a tempo.

Por conta de tantos comentários sobre estratégias para impedir que haja quórum suficiente, os deputados contrários a Cunha pediram a Rodrigo Maia para ser listada e divulgada a relação dos faltosos, logo no início da sessão.

O líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), lembrou a árdua luta que foi conseguir a tramitação da representação contra Cunha e, depois, a transformação da representação em processo no Conselho de Ética. Molon afirmou que quando o grupo de parlamentares que assinou o pedido de representação contra o deputado afastado, na época presidente da Casa, tomou tais providências, 11 meses atrás, diante de tantos obstáculos observados,  ouviu de muitos colegas que este dia jamais chegaria.

“Estamos aqui para dizer que o dia chegou, sim. Todos estão conscientes que não dá mais para protelar esse processo”, destacou. Segundo Molon, existem votos suficientes para garantir a cassação do deputado afastado nesta segunda-feira.

Chico Alencar (Psol-RJ) foi mais duro. Ele também confirmou a participação da bancada do partido que integra e disse que o dia é “de se sepultar finalmente este cadáver que tanto prejudica o Congresso Nacional” e contestou informações sobre ser necessário um quórum mínimo de 420 deputados para serem abertos os trabalhos. Alencar acredita que se for observada a presença de 350 deles será possível iniciar a sessão – o que atrapalha estratégias dos aliados de Cunha que trabalham por ausências.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lembrou as pautas de caráter conservador e prejudiciais ao governo impostas pelo deputado afastado e afirmou que é grande a espera pela chegada da sessão. "Vamos ajudar, com esta cassação, a pôr fim a partir deste processo, à onda de retrocesso e conservadorismo que foi imposta ao Legislativo nos últimos tempos por este senhor. Sei que este é apenas o caminho para isso, mas será um grande passo", disse Jandira.

No final da tarde, Cunha afirmou, em entrevista ao jornal Folha de SP, que apesar do burburinho em torno de uma provável renúncia ele não vai tomar esta atitude e, além de fazer sua defesa, pretende acompanhar toda a sessão do próprio plenário.

Está sendo aguardada com ansiedade a chegada do deputado afastado, mas ele já avisou que não dará entrevistas e só chegará após o início da sessão. No momento, o Salão Verde da Câmara está lotado de assessores, parlamentares e jornalistas e é grande a expectativa em torno da chegada dos deputados que faltam para cumprir o quórum exigido.