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Manifestações

Em Brasília, categorias defendem direitos e proposta de greve geral

Professores, profissionais de saúde, servidores do Detran e outros protestam contra perdas de direitos em geral, propostas pelo governo Temer
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 22/09/2016 15h56, última modificação 22/09/2016 16h11
Professores, profissionais de saúde, servidores do Detran e outros protestam contra perdas de direitos em geral, propostas pelo governo Temer
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Perto de 5 mil professores se manifestaram em apoio à greve geral na Praça do Buriti

Brasília – No Distrito Federal, atos são realizados desde a manhã de hoje (22) por servidores de várias categorias e em diversos locais. Eles integram as manifestações unificadas no país, neste dia nacional de mobilizações contra a perda de direitos trabalhistas e o conjunto de propostas do governo Michel Temer. A partir do meio da tarde, eles estarão reunidos em frente à Câmara Legislativa. Às 17h, sairão em passeata até a Esplanada dos Ministérios. Entre os grupos que mais chamaram a atenção durante a manhã, destacaram-se os dos professores, dos servidores da área de Saúde, do Detran e o dos servidores públicos federais.

Perto de 5 mil professores aprovaram, em assembleia na Praça do Buriti (em frente à sede do governo local), o apoio à greve geral a ser marcada pelas centrais sindicais e movimentos reivindicatórios contra propostas que têm sido impostas pelo atual governo, como o congelamento de gastos públicos e a reforma da Previdência.

A diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro) do Distrito Federal Rosilene Correa afirmou que o movimento tem dois objetivos: reivindicar a pauta local de pleitos da classe e, ao mesmo tempo, protestar e lutar para evitar a perda de direitos para os trabalhadores. Segundo ela, o plano de carreira dos servidores foi negociado em várias parcelas – a sexta, que deveria ter sido paga em dezembro do ano passado, foi suspensa. O governador, Rodrigo Rollemberg, havia prometido que o reembolso nos contracheques dos professores seria efetuado a partir de outubro deste ano. Mas até agora não houve qualquer confirmação.

A diretora também contou que a crise na educação em Brasília tem feito com que os professores não tenham tido direito, há muitos anos, à licença-prêmio, porque o governo não tem como substituir esses profissionais. E com isso há um passivo acumulado a ser pago aos docentes (em razão da licença não gozada) em valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 60 mil.

“Se as mudanças que estão tentando impor por meio de vários projetos de lei e propostas de emenda à Constituição forem aprovadas e entrarem em vigor por esse governo federal, aí sim, a situação será crítica. Por isso precisamos nos mobilizar”, afirmou.

A professora Maria José Correa Muniz, que estava com uma bandeira do Brasil nas costas, disse que a greve geral é necessária porque, a seu ver, caso os projetos do governo Temer que representam retrocesso sejam implementados, vão prejudicar os trabalhadores de forma devastadora. “Principalmente as mulheres e todos os que estão próximos de se aposentar”, ressaltou.

De acordo com Maria José, a terceirização, a predominância do negociado sobre o legislado nas relações trabalhistas, a privatização de estatais e a própria reforma da Previdência podem representar perdas que o Brasil nunca viu. “Nem no período da ditadura militar tivemos tantas retiradas de direito sendo ameaçadas”, acrescentou.

Modelo de Estado

O professor João Araújo disse que a mobilização tem como um dos principais protestos a mudança do modelo de Estado, que está clara para os trabalhadores. Araújo pediu aos professores a unidade da classe trabalhadora como um todo, ao lado das centrais sindicais. “Por isso que é importante nos reunirmos daqui a pouco com as outras categorias, para mostrar que não se trata de um movimento individual dos professores. Continuaremos nessa luta”, destacou ele.

Perto de 4 mil servidores do Detran, reunidos mais adiante, também discutiram problemas localizados da classe e ficaram de se juntar aos demais trabalhadores na Câmara Legislativa. Já os servidores públicos federais, que iniciaram o dia concentrados em frente ao Pátio Brasil, shopping localizado no início da Asa Sul, região central de Brasília, depois se dividiram em vários trechos da cidade em frente aos órgãos públicos nos quais são lotados.

O Sindicato dos Trabalhadores em Atividades de Trânsito, Policiamento e Fiscalização de Trânsito das empresas e Autarquias do DF (Sindetran) informou que no caso dos trabalhadores da categoria, além da mobilização geral, a luta também é pelo pagamento da última parcela de reajuste prometido, bem como reposição do auxílio-alimentação, reposição da inflação e pelos compromissos firmados pelo governo do Distrito Federal com o setor em 2015.

“Queremos, sobretudo, a autonomia administrativa e financeira do Detran. Debatemos sobre as demandas e iremos cobrar a pauta do governo que até agora não cumpriu o acordo firmado no ano passado. O nosso objetivo é saber se o GDF vai pagar o que nos deve, conforme o previsto”, afirmou o presidente da entidade, Fábio Medeiros.

'Descaso adoece população'

O SindSaúde, que congrega 23 mil servidores somente no DF, reuniu seus representantes em frente ao hospital de Base de Brasília. Em nota, segundo a presidenta do sindicato, Marli Rodrigues, “o cenário estabelecido tem feito com que as categorias se organizem para possíveis greves por falta de cumprimento de acordos”.

“Não é esse tipo de governo que o povo precisa. Estamos citando todos os problemas do Distrito Federal porque tudo isso termina em saúde. Tanto descaso adoece a população, que sofre ainda mais ao dar entrada nos hospitais, UPAs e centros de saúde”, argumentou.