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IMPEACHMENT

Senadores discutem, transmissão é suspensa: 'Trama de hipócritas'

Parlamentar contrário ao afastamento acusa Eduardo Cunha, Rodrigo Maia, integrantes do Centrão e o próprio Temer. Mérito do relatório de Anastasia ainda não foi debatido
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 03/08/2016 13h41
Parlamentar contrário ao afastamento acusa Eduardo Cunha, Rodrigo Maia, integrantes do Centrão e o próprio Temer. Mérito do relatório de Anastasia ainda não foi debatido
Pedro França/Agência Senado
comissão impeachment

Colegiado votará amanhã (4) o relatório de Anastasia. Passo seguinte será o plenário

Brasília – Conforme esperado, a sessão da comissão especial do impeachment, hoje (4), teve discussão entre senadores, com críticas dos contrários ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff devido a articulações de peemedebistas ligados ao presidente interino, Michel Temer, para acelerar o ritmo dos trabalhos. Eles também se queixaram da interrupção da transmissão pela TV Senado. Com isso, não se sabe quando será, de fato, iniciado o debate sobre o mérito do relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG) – que consiste na verdadeira pauta da comissão. A sessão não tem horário para acabar e, em função da sua importância, a mesa diretora cancelou a realização da ordem do dia.

O tom mais duro foi do líder do PT, Humberto Costa (PE). Segundo ele, “tudo faz parte de uma trama que envolve o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os integrantes do Centrão e o próprio Temer”. “E isso tem que ser denunciado para todo o Brasil”, acrescentou.

Com pouco mais de uma hora e meia, o presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), teve de pedir por três vezes para que fossem desligados os microfones dos parlamentares. Também enfática na reclamação, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que 48 horas de antecipação ou atraso do julgamento final do impeachment vão pesar na última sessão que vai apreciar a matéria.

A senadora creditou as articulações em curso como reflexo da preocupação dos aliados do presidente provisório com o resultado final, “porque eles sabem que esta é uma votação disputadíssima cujo resultado não se pode dizer ao certo qual será”. “Pesquisas recentes mostram que boa parcela da população que apoiava o impeachment hoje mudou de ideia. E sabemos de vários colegas que continuam em dúvida sobre como vão se posicionar, mesmo a esta altura. É para mudar esse cenário que tentam tantas estratégias”, acusou.

Costa disse que não há mérito para as acusações contra a presidenta afastada, Dilma Rousseff. Ele lembrou que o processo começou com seis acusações, ques caíram para três. “Ainda por cima, o processo está repleto de depoimentos e pareceres de procuradores e técnicos que descartam a prática de pedaladas fiscais ou de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal”, acrescentou. “Aqui há dois tipos de senadores. Os que sabem que não houve crime e vão votar contra o impeachment e os que também sabem que não houve crime, mas querem votar a favor. E muitos já estão assumindo isso.”

Julgamento político

O líder petista também fez referência implícita à senadora Simone Tebet (PMDB-MS). Na sessão de ontem, Simone disse que não espera que Dilma seja responsabilizada por algo judicialmente, porque no Judiciário será cobrada a comprovação de dolo e de provas que os parlamentares não possuem no trabalho da comissão.

Hoje, depois de sua fala ter repercutido entre os parlamentares que apoiam a presidenta, Simone confirmou que o processo é político. Ela, no entanto, justificou-se dizendo que leu as quase 500 páginas de cada alegação final – da acusação e da defesa – e avalia o relatório de Anastasia como “uma peça extremamente técnica”.

Amanhã, a comissão vota o relatório. Depois desse último trâmite, o parecer seguirá para votação no plenário do Senado em dois turnos e para cumprimento de prazos regimentais previamente estipulados. Detalhes de todos os procedimentos dessa última fase serão discutidos no final do dia de amanhã, em reunião entre integrantes do colegiado, os presidentes da comissão e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski.