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1º de Maio

Líder em 1964 defende 'menina' Dilma e diz que Temer 'não terá moleza'

"Estamos atrasados na luta", afirma o ex-ferroviário Raphael Martinelli, 92 anos, que participa do 1º de Maio há sete décadas
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 01/05/2016 16h05, última modificação 01/05/2016 20h02
"Estamos atrasados na luta", afirma o ex-ferroviário Raphael Martinelli, 92 anos, que participa do 1º de Maio há sete décadas
Marcia Minillo/RBA
Rafael Martinelli

O ex-dirigente lembrou origens da data, em movimento de operários pela redução da jornada nos EUA (único país que não reconhece o 1º de Maio): 'Que democracia é essa?'

São Paulo – Primeiros de Maio são rotina para Raphael Martinelli desde o início dos anos 1940. Aos 92 anos, o ex-líder ferroviário e ex-integrante do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT, central sindical informal que atuou até o golpe de 1964) preserva o ativismo e lembra de anúncios como os feitos por Getúlio Vargas. Hoje, Martinelli esperava por anúncios da presidenta Dilma Rousseff, que chama de "menina", que se confirmaram: em seu discurso, ela falou sobre reajuste médio de 9% no programa Bolsa Família e de 5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física.

Martinelli se mostra indignado com o vice-presidente Michel Temer. "Ficou um ano traindo a presidenta, conspirando", criticou, para acrescentar que ele, no poder, "não vai ter moleza".

O ex-dirigente lembrou das origens da data, em movimento de operários norte-americanos, em 1886, pela redução da jornada de trabalho. "O único país que não reconhece o 1º de Maio são os Estados Unidos. Que democracia é essa?"

Ele acredita que o movimento sindical precisa sair em defesa do mandato de Dilma e dos direitos sociais. "Estamos atrasados na luta", afirma, lembrando de quando 150 mil ferroviários se manifestaram pelo presidente João Goulart, o Jango, e pelas reformas de base. "Onde está a classe operária em defesa da menina?", questiona.