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Sem decisão

Temer silencia sobre gravação de ministro da Transparência; servidores protestam

Grupos de servidores da CGU, Congresso, sindicatos e representantes do órgão em 22 estados pedem saída de Fabiano Silveira, depois de ele ter sido flagrado em áudios comprometedores para barrar a Lava Jato
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 30/05/2016 13h42, última modificação 30/05/2016 17h05
Grupos de servidores da CGU, Congresso, sindicatos e representantes do órgão em 22 estados pedem saída de Fabiano Silveira, depois de ele ter sido flagrado em áudios comprometedores para barrar a Lava Jato
Reprodução/NINJA
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Funcionários da CGU e de outras entidades fazem a 'lavagem' do ministério de Fabiano Silveira

Brasília – O governo interino de Michel Temer iniciou a semana com outro estremecimento, depois que foi vazada conversa na qual o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, dá conselhos para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado sobre como conter a Operação Lava Jato. Hoje (30), servidores da Controladoria Geral da União (CGU) iniciaram o dia realizando protestos em frente ao prédio da entidade e chegaram a impedir a entrada do ministro no local. No momento, eles fazem, com manifestantes de outras entidades (inclusive do Judiciário), a lavagem da frente da CGU. No governo, informações são de que Temer está reunido com parte de sua equipe para discutir uma solução para o caso de Silveira.

Segundo servidores que conviveram com o ministro durante o cargo de conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e durante sua passagem pelo Senado Federal, órgão onde entrou após aprovação em concurso, ele é aplicado no seu trabalho e costuma ter uma postura discreta.

O ministro, entretanto, se encontrou ontem à noite com o presidente e teria ponderado, conforme informações do Palácio do Planalto, que teria feito apenas uma menção ao caso,  negando qualquer caráter mais comprometedor à conversa. Ele afirmou, ainda, por meio de uma nota, que passou na casa do senador Calheiros rapidamente na ocasião, quando encontrou “por acaso” Sérgio Machado. E disse nunca ter tido qualquer contato maior com o ex-presidente da Transpetro.

Entre assessores do presidente interino também há entendimentos de que o caso é bem menos grave do que o do áudio com o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá, que deixou o cargo na última terça-feira.

Na Câmara dos Deputados e no Senado, outros servidores se manifestaram e fizeram ironias sobre o presidente interino ter dito que o foco do seu governo é o combate à corrupção. “Se saiu um ministro e o presidente diz que quer passar a limpo, realmente, o país, então tem que tirar não apenas o Fabiano Silveira, como todos os outros 13 que são envolvidos em ações na Justiça”, afirmou a professora Ivanilda Albuquerque, do Governo do Distrito Federal, que participou da manifestação em frente ao anexo II da Câmara dos Deputados.

Também esta manhã, servidores de carreira e representantes da CGU em 22 estados divulgaram nota repudiando a atitude do ministro e anunciando que vão deixar seus cargos, caso Fabiano Silveira não seja demitido. Além desses representantes, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon) faz a mesma exigência e pede a saída de Silveira. Espera-se alguma decisão por parte do presidente Michel Temer até o final do dia.