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Mobilizações

Em Brasília, manifestantes contra impeachment recebem visitas de ministros

Representantes de movimentos sociais, acampados em ginásio, dizem querer "respeito aos votos" que deram em 2014
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 15/04/2016 13h27, última modificação 15/04/2016 13h50
Representantes de movimentos sociais, acampados em ginásio, dizem querer "respeito aos votos" que deram em 2014
Lula Marques / Agência PT / Fotos Públicas
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Movimentos sociais acampados em Brasília se mobilizam contra o impeachment do mandado de Dilma

Brasília – Apesar da expectativa de grande movimentação na Esplanada dos Ministérios de manifestantes contrários e favoráveis ao processo de impeachment, a ser votado no domingo (17), a maior mobilização da manhã de hoje (15) se concentra na área do ginásio de esportes Nilson Nelson, onde estão acampados centenas de integrantes de movimentos sociais, que vieram à cidade demonstrar apoio ao governo e pressionar o Congresso a votar pela manutenção da legalidade democrática e em respeito aos resultados das eleições de 2014.

Os acampados, que chegaram nos últimos dias de vários estados, são representantes de entidades como CUT, MST, MTST, UNE e MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), entre outros. As estimativas de policiais militares são de que aproximadamente 3 mil pessoas estavam acampadas no local até a noite de ontem, mas o número aumenta a cada momento com a chegada de novos grupos, e os acampados já falam em 10 mil pessoas.

“Dissemos que iríamos para as ruas para defender nossos direitos e evitar a perda de conquistas e é o que estamos fazendo. Estamos seguindo, daqui a pouco, para a frente do Congresso e faremos nossa parte na luta contra esse golpe”, disse Enivaldo Santos, integrante do MST de Goiás, que chegou na última quarta-feira.

Abril vermelho

Para o MST, a mobilização tem uma conotação ainda mais forte, uma vez que todos os anos, no dia 17 de abril (que este ano cai justamente no próximo domingo), eles fazem manifestações chamadas de “abril vermelho”, em alusão ao dia do chamado massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 21 camponeses foram assassinados e 69 ficaram feridos, em 1995.

Desta vez, os manifestantes protestarão pelas duas causas. “De certa forma, estão relacionadas. O massacre dos trabalhadores no Pará é o massacre que se tenta hoje, por meio desse golpe, para fazer o país retroceder e retirar direitos e conquistas históricas e que vão prejudicar à massa trabalhadora, mesmo”, acentuou Santos.

Os manifestantes já receberam a visita de alguns ministros do Executivo e aguardam, para amanhã (16), um encontro com a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que devem ir pessoalmente ao acampamento, por volta das 10h. Está sendo organizado um ato de apoio por parte de todos os movimentos sociais presentes ao governo e a Dilma.

Um dos primeiros ministros a visitar a área foi o titular da pasta de Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto. Ao encontrar os acampados, Rossetto lembrou que existe um golpe político em curso. “Que ninguém tenha dúvida, e falo isso para vocês que representam os brasileiros mobilizados, não tenham dúvida: a cada dia cresce a opinião pública contra o golpe. Vamos derrotá-los na Câmara Federal e nas ruas”, destacou.

“Querem ser presidente? Apresentem-se ao povo brasileiro e vençam uma eleição. Vamos continuar nossa caminhada, a caminhada da democracia. Respeitem o voto popular. A nossa democracia é uma democracia do povo", disse Rosseto, em meio a aplausos dos manifestantes.

‘Respeito ao voto’

“A visita dos ministros e da presidenta aqui é boa para ajudar a animar a população e evitar as tentativas da oposição de se criar um clima de ‘já ganhou’, mas queremos dizer que, de nossa parte, não temos dúvidas, só certezas. Vamos para as ruas com a consciência de que nosso voto em 2014 precisa ser respeitado e aqui não há desânimo. Vamos derrubar esse golpe”, afirmou a estudante Alessandra Aguiar, que integra um grupo da UNE do Paraná, acampado no local.

Na Esplanada, propriamente, a tensão continua sendo por conta da estratégia adotada de instalação de um muro no local, para dividir os manifestantes. Esse muro nunca foi construído, em 56 anos de existência de Brasília e, apesar das afirmações de autoridades e representantes das forças de segurança de que consiste numa boa iniciativa, tem sido criticado por muitos parlamentares, que temem a derrubada por um dos grupos e um confronto forte, podendo levar a vítimas nas manifestações.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o projeto do muro levou em consideração experiências adquiridas em grandes eventos na capital e informações de órgãos de inteligência. Esta manhã, o governo do DF divulgou que a área será supervisionada por policiais civis e militares, integrantes da Segurança Legislativa e representantes das forças de segurança nacional.