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'Golpe do PMDB na saúde mental não é mera coincidência', diz Frente Antimanicomial de SP

Reintegração de posse de ocupação contra coordenador indicado pelo partido de Temer, na tarde de hoje, é vista como ação estratégica e articulada contra o SUS e os movimentos sociais
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 15/04/2016 19h16
Reintegração de posse de ocupação contra coordenador indicado pelo partido de Temer, na tarde de hoje, é vista como ação estratégica e articulada contra o SUS e os movimentos sociais
Arquivo/Abrasco
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Para ativistas pelo fim dos manicômios, golpe à democracia é golpe ao SUS, à saúde mental e aos movimentos sociais

São Paulo – A Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo (Feasp) divulgou na tarde de hoje (15) nota de repúdio à ação truculenta da Polícia Federal durante reintegração de posse de uma das salas do coordenador de Saúde Mental, Valencius Wurch, ocupada há 120 dias por especialistas e militantes da luta antimanicomial.

Eles reivindicam a saída do coordenador Wurch do comando das políticas para o setor. Indicado pelo PMDB, ele foi diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, na Baixada Fluminense, que ficou conhecida como "Casa dos Horrores" pelas práticas desumanas adotadas no tratamento de doentes mentais. Além disso, se manifestou publicamente, por diversas vezes, contrário à reforma da saúde mental que prevê o fim dos manicômios e um atendimento humanizado.

Representante do Levante Popular da Juventude na Frente, Evelyn Sayeg entende que a desocupação, um dia antes da votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff pela Câmara, não é mera coincidência.

“A reintegração de posse é mais uma ação estratégica e articulada pelo PMDB contra o movimento antimanicomial, o movimento de saúde, o SUS e seu caráter democrático, inclusivo, criado democraticamente e contra os movimentos sociais em geral”. Ela lembra ainda que os ataques ao SUS estão numa perspectiva privatista e neoliberal, defendida em documento pelo partido de Michel Temer. “Propõe retrocessos, perda de direitos e ataques ao SUS."

Pesquisadora do Observatório Nacional de Saúde Mental e Justiça Criminal, Alyne Alvares estava na ocupação quando os policiais federais chegaram. “Entraram com arma em punho, numa ocupação pacífica, em que éramos muito cuidadosos”, conta.

Segundo ela, a desocupação de uma das salas de Wurch já vinha sendo pautada na Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Conselho Nacional de Saúde, à revelia dos movimentos sociais e entidades que sustentam a resistência do nome do coordenador.