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Exceção

PM invade sindicato para 'averiguar' ato em defesa da democracia

Plenária debatia ações recentes da Polícia Federal e do Ministério Público quando o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em Diadema foi cercado. "Séria ameaça ao Estado de direito"
por Redação RBA publicado 12/03/2016 10:19, última modificação 12/03/2016 18:30
Plenária debatia ações recentes da Polícia Federal e do Ministério Público quando o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em Diadema foi cercado. "Séria ameaça ao Estado de direito"
Teonílio Barba / arquivo pessoal / facebook
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Ameaças. PM paulista invade e cerca encontro que debatia arbitrariedades de poderes constituídos contra a democracia

São Paulo – Soldados da Polícia Militar invadiram ontem (11) à noite a subsede de Diadema do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na Grande São Paulo, onde ocorria um ato de desagravo às recentes ações da Polícia Federal e do Ministério Público paulista contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo Dilma e em defesa da democracia. O encontro reunia políticos – entre eles o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e o deputado estadual Teonílio Monteiro da Costa, o Barba, o ex-prefeito daquela cidade e ex-secretário de Saúde da capital José de Filippi, militantes do partido, sindicalistas e movimentos sociais .

De acordo com o deputado estadual e presidente do PT de Santo André, Luiz Turco, a plenária corria normalmente quando os participantes foram surpreendidos com a chegada da PM. "Fomos surpreendidos com a chegada da Polícia Militar, que entrou no prédio do sindicato, sem justificativa, de forma ostensiva, criando um clima de tensão muito grande entre os companheiros presentes", relatou Barba, em seu perfil no Facebook.

"Dois PMs, um tenente e um soldado invadiram a plenária, argumentando que queriam saber o que estava acontecendo no local. Logo após chegaram muitas viaturas fechando a rua em frente ao prédio do sindicato. Os soldados estavam armados com metralhadoras e revólveres. Parecia uma praça de guerra do lado de fora", contou Luiz Turco.

Ainda de acordo com informações divulgadas pelas redes sociais, a própria militância impediu a entrada dos policiais. Questionados sobre as razões da operação, afirmaram que "souberam que estava ocorrendo uma reunião de apoio a Lula e foram até o local averiguar".

O sindicato permaneceu cercado e os policiais foram embora depois de anotar números de documentos dos participantes da reunião. Após a PM se retirar, a plenária prosseguiu normalmente.

"Estamos vivendo uma séria ameaça ao Estado de Direito que nos preocupa profundamente. Nossa vida partidária sempre foi pautada em decisões democráticas e transparente, portanto, não precisamos de vigilância. E não vamos nos intimidar, isso porque, nós trabalhadores já estamos acostumados a lutar pelos nossos direitos", declarou Barba.

Nota

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC divulgou nota em que reprovou a ação da PM em Diadema, ressaltou o papel dos trabalhadores na construção e aprimoramento da democracia brasileira e lembra ao governo paulista a necessidade de que as forças policiais sejam contidas dentro da legalidade no cumprimento de suas funções.

Leia a nota:

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, consciente de sua responsabilidade pela manutenção e aprimoramento do Estado Democrático de Direito que, com a intensa e permanente dedicação de todos os seus Membros, ajudou a estabelecer em nosso País, reprova as ações policiais registradas em sua sede de Diadema.

Ressalta que essa entidade sindical coopera para a consecução do bem comum, que abrange a dignidade da pessoa humana, a provisão das necessidades dos indivíduos e a consolidação de uma ordem jurídica justa, estável e segura. Enfatiza que o valor social do trabalhismo e o pluralismo político são fundamentos republicanos (art. 1º, CF).

Como as demais instituições responsáveis pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, busca o desenvolvimento nacional, especialmente com a superação pacífica e racional de crises, visando a erradicação da pobreza, da marginalização, do preconceito e das desigualdades sociais (art. 3º, CF).

São garantias invioláveis de todos, os recintos particulares e o direito de reunião das pessoas, até como natural expansão da sociabilidade humana (art. 5º, incs. XI e XVI, CF).

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC reprova os excessos das autoridades policiais que, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade, sem causa devida, violam os direitos e as garantias da intangibilidade dos locais particulares e da reunião das pessoas, colocando em risco a ordem pública, e insta o Poder Executivo Estadual a manter as suas forças policiais nos estritos limites da legalidade, contendo e corrigindo os abusos ocorridos e noticiados pela mídia.

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

São Bernardo do Campo, 12 de março de 2016