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Operação contra Lula é desfecho de parceria entre Moro e imprensa

por Luis Nassif publicado 04/03/2016 09h36, última modificação 04/03/2016 14h36
© globonews / reprodução TV
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Jornal GGN - Com mira no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a 24ª Fase da Operação Lava Jato denominada Aletheia "recebeu esse nome em referência a uma expressão grega que significa busca da verdade", informa a Polícia Federal. Do total de 44 ordens judiciais, 24 estão sendo realizado, hoje (4), na capital paulista, onde o ex-presidente foi levado em mandado de condução coercitiva, quando o investigado é obrigado a depor, sete em São Bernado do Campo, um em Guarujá, onde está o apartamento que foi associado a Lula, e três em Atibaia, onde se localiza o sítio frequentado por Lula.

A ação ocorre um dia após a revista IstoÉ vazar suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que afirmou que Lula mandou comprar o silêncio de Nestor Cerveró e de outras testemunhas para prejudicar a Lava Jato. A Operação desta sexta não era novidade para os grandes jornais. A Folha de S. Paulo, em seu painel, adiantou: "sinais de uma nova operação no forno da Lava Jato". Antes mesmo de os policiais chegarem à casa de Lula, o Estado de S. Paulo divulgou um dos elos entre a relação de Delcídio, adiantada em suposta delação, com o empresário José Carlos Bumlai – um dos objetos dessa fase que mira em Lula.

Em tática do juiz Sergio Moro, o Habeas Corpus dos advogados de Lula para evitar a medida valia apenas para São Paulo, e não para Curitiba, onde despacha o juiz da Vara Federal. Com a autorização, os carros da Polícia Federal chegaram às 6h em sua casa, em São Bernardo. A esposa do ex-presidente, dona Marisa, não foi levada pelos delegados.

O objetivo da Operação é investigar se empreiteiras e o pecuarista Bumlai favoreceram o ex-presidente, por meio do sítio em Atibaia e o triplex no Guarujá. Dentro da lista de tentativas de incriminação do juiz Moro, estão corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros.

O filho do ex-presidente Lula, Fábio Luíz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, também foi alvo dos mandados, em sua casa em São Paulo, onde parece ter havido tumulto, depois da chegada de dois carros da Polícia Federal e um da Receita, usados na diligência. Além do ex-presidente, os filhos Marcos Cláudio, Fábio Luis e Sandro Luis, a nora Marlene Araújo, e a esposa dona Marisa também são investigados. O empresário Fernando Bittar e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também estão na lista de alvos.

Ainda não há manifestação do Instituto sobre os mandados da Justiça do Paraná, mas ontem, a entidade havia informado que "o ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, antes, durante ou depois de seu governo, seja em relação aos fatos investigados pela Operação Lava Jato ou quaisquer outros citados pela revista", em referência ao suposto depoimento de Delcídio. "A sociedade brasileira não pode mais ficar à mercê de um jogo de vazamentos ilegais, acusações sem provas e denúncias sem fundamento", completou o Instituto Lula.

Ao todo, cerca de 200 policiais federais e 30 auditores da Receita Federal cumprem 44 ordens judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva. As medidas estão sendo cumpridas no estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

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