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Wadih Damous: 'Não houve condução coercitiva. Houve um sequestro'

Ex-presidente da OAB-RJ reafirma golpe em marcha, que atinge também a presidenta Dilma e o PT, e que deve ser barrado nas ruas
por Redação RBA publicado 04/03/2016 11:15, última modificação 04/03/2016 14:34
Ex-presidente da OAB-RJ reafirma golpe em marcha, que atinge também a presidenta Dilma e o PT, e que deve ser barrado nas ruas
Agência Câmara
Damous

Damous: "O que está em curso, no país, não podemos nos cansar de enfatizar, é um golpe de estado"

São Paulo – Para o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), as ações desencadeadas hoje (4) pela Operação Lava Jato, lideradas pelo juiz Sérgio Moro, que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de maneira coercitiva para prestar depoimento, configuram um golpe de estado. "Não houve uma condução coercitiva. Houve, na verdade, um sequestro."

"Vamos ser claros e objetivos: há um golpe de estado em curso. Esse foi, até o momento, o passo mais importante do golpe. Esse golpe é perpetrado pelo sistema de Justiça brasileiro, associado aos grandes meios de comunicação", afirmou Damous, em entrevista nesta manhã à Rádio Brasil Atual.

O deputado diz que a chamada "República de Curitiba", a mando do juiz Moro, a quem classifica como "obscuro e fascista", coloca o país, e os seus poderes constituídos, de joelhos.

Wadih Damous, ex-presidente da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), explica que a condução coercitiva só pode ser aplicada quando alguém que é intimado a depor perante o juiz se rebela e não vai. "Se não for assim, é sequestro. O presidente Lula foi sequestrado pela Polícia Federal a mando do juiz de Curitiba", alega o deputado.

"O que está acontecendo agora aconteceu em 1964. Dia 13 vai ser algo similar à Marcha da Família, que precedeu o golpe de 1º de abril. Temos que, neste momento, nos lembrar de Getúlio, de João Goulart. O mesmo está acontecendo hoje no Brasil."

Ele explica que todas essas ações fazem parte de um jogo de pressão comandado pelo "obscuro juiz-celebridade" para que o Supremo Tribunal Federal (STF) fixe em Curitiba a jurisdição para investigar e julgar o ex-presidente Lula.

"Essa questão está no STF. Ele quer forçar o Supremo a decidir que a competência é dele, e não é. O que Atibaia e Guarujá tem a ver com a investigação da Petrobras? O que nós estamos vendo em curso, repito, é um golpe de estado."

Damous lembra que não vão se deter ao ex-presidente, e que a articulação do golpe visa a atingir a presidenta Dilma Rousseff e o PT. "Essa é a estratégia golpista do juiz Sérgio Moro, associado ao ministro do STF Gilmar Mendes e aos grandes meios de comunicação."

Para o deputado, a mobilização da militância progressista e dos movimentos sociais vai ser decisiva para deter o golpe. "Isso se barra nas ruas. Não podemos ficar de braços cruzados. Não podemos fazer como em 1964, que, perplexos, se assistiu à perpetração de um golpe de estado. O que está em curso, no país, não podemos nos cansar de enfatizar, é um golpe de estado. Não mais no modelo tradicional, com as Forças Armadas, com canhões e baionetas, mas com a aparência de legalidade, levada a cabo pelo sistema judiciário brasileiro, liderado por um juiz fascista", diz Wadih Damous.

    Ouça a entrevista da Rádio Brasil Atual: