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Governo quer reforçar agenda no Congresso para evitar adiamentos e retrocessos

Reuniões durante a semana com deputados e senadores terão participação direta de Dilma, que pedirá prioridade para debates sobre CPMF e reforma da Previdência
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 16/02/2016 10h46, última modificação 16/02/2016 10h58
Reuniões durante a semana com deputados e senadores terão participação direta de Dilma, que pedirá prioridade para debates sobre CPMF e reforma da Previdência
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Plenário em sessão conjunta do Congresso Nacional. Atividades seguidas de perto pelo Executivo durante o ano

Brasília – Executivo e parlamentares, sobretudo os da base aliada no Congresso, deverão se encontrar várias vezes ao longo da semana, com o objetivo de estabelecer uma agenda sem atrasos na votação de propostas consideradas estruturantes para o governo – casos da CPMF e a reforma da Previdência –, além de tratar da votação das chamadas pautas-bomba e até do processo de impeachment contra o mandato de Dilma Rousseff.

A informação circulou ontem (15), após reunião de Dilma com líderes partidários no Senado, ministros do Executivo e os líderes do governo das duas Casas legislativas. A presidenta faz hoje reunião semelhante com líderes da Câmara dos Deputados.

Conforme parlamentares que participaram do encontro, a presidenta acenou com a possibilidade de mudar o teor da proposta para a recriação da CPMF, elevando o percentual da redistribuição do que vier a ser arrecadado a estados e municípios.

Na maioria das vezes, esses encontros entre Executivo e Legislativos são feitos entre ministros, e os parlamentares e costumam abordar a pauta legislativa da semana. Mas Dilma já avisou que, desta vez, tratará ela própria de conversar com os parlamentares, com o objetivo de se chegar a uma agenda parlamentar para os próximos meses.

Em suas intervenções, Dilma tem insistido na necessidade das medidas do ajuste serem implantadas o quanto antes, ante o cenário econômico atual.

“Já dissemos e reiteramos que o ano será difícil, mas vamos trabalhar para acelerar propostas como a recriação da CPMF, a Desvinculação de Receitas da União (DRU) e outras matérias que permitam a criação de condições favoráveis para a retomada do crescimento”, afirmou o líder do Governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), ao fim do encontro.

De acordo com ele, a principal preocupação dos partidos da base será evitar que obstruções e discussões atrapalhem a votação de matérias importantes, num ano marcado por várias formas de recesso branco – Olimpíadas, eleições municipais e, tradicionalmente para o Congresso, as festas juninas. “O intuito é fazer os trabalhos caminharem”, assegurou.

Questionado sobre as resistências em relação à recriação da CPMF, Guimarães disse que "quem é contra precisa apresentar solução para conseguirmos os recursos necessários para retomar esse crescimento. "O esforço é buscar o diálogo com todos e o governo está fazendo esforços”.

Sobre a reforma da Previdência e a reforma tributária, o líder afirmou que “é necessário dialogar sobre ambas desde já. Para isso temos de buscar entendimento com os municípios, envolver os prefeitos, que são os grandes interessados neste debate, e negociar com os governadores para não haver disparidade entre os estados”.

PMDB

Um último tema tratado na reunião foi a eleição para a liderança do PMDB na Câmara, amanhã. Concorrem à vaga, de um lado, o atual líder da legenda na Casa, Leonardo Picciani (RJ), considerado o candidato ideal para o Planalto, por ter se aproximado do governo nos últimos meses. E, do outro, o deputado Hugo Mota (PB), que é apadrinhado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Embora muitos peemedebistas deem como vitoriosa a reeleição de Picciani, a disputa é dura e tem exigido reuniões e articulações. Deputados federais licenciados do PMDB que ocupam cargos em outros estados estão sendo liberados para retornar à Câmara, numa estratégia para buscar mais votos para Picciani.

E surgiram informações esta tarde de que o ministro da Saúde, Marcelo Castro, que também é deputado pelo partido, foi autorizado pela presidenta Dilma para deixar o cargo por um ou dois dias, de forma a também participar da votação. O ministro, quando indagado a respeito, desconversou e disse que não há uma decisão sobre o assunto. Nos bastidores, é dado como certo que ele deverá fazer o anúncio de sua "licença" na tarde desta terça-feira.

Participaram do encontro de ontem, além de Castro, os ministros Nelson Barbosa (Fazenda), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), José Eduardo Cardozo (Justiça), Edinho Silva (Secretaria de Comunicação), Gilberto Kassab (Cidades), Gilberto Occhi (Integração Nacional), George Hilton (Esporte), Eduardo Braga (Minas e Energia), André Figueiredo (Comunicações), Aldo Rebelo (Defesa) e Antônio Carlos Rodrigues (Transportes). E, junto com Guimarães e os demais líderes do Senado, o líder do governo na Casa, José Pimentel (PT-CE).