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Governo Alckmin deixou de investir R$ 6,5 bilhões em 2015

Catorze secretarias cortaram investimentos em mais de 40% no ano passado. Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Saneamento e Transportes estão entre as que mais sofreram ajuste
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 19/02/2016 19:54, última modificação 03/04/2016 14:47
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Catorze secretarias cortaram investimentos em mais de 40% no ano passado. Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Saneamento e Transportes estão entre as que mais sofreram ajuste
Marco Ambrosio/Folhapress
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Alckmin: queda no investimento e déficit orçamentário marcaram o ano de 2015 em São Paulo

São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), investiu quase 40% menos do que o estimado pelo Orçamento do ano passado. Dos R$ 16,3 bilhões previstos, foram aplicados R$ 9,8 bilhões, em todas as áreas. As secretarias mais afetadas foram a de Energia e Mineração, que não realizou nenhum investimento, a do Meio Ambiente, que investiu R$ 41 milhões dos R$ 283 milhões previstos (-85,3%), e a do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, que executou R$ 252,8 milhões, dos R$ 763,9 milhões previstos (-66,9%). Porém, outras áreas também ficaram aquém do planejado.

Na Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, que administra as universidades estaduais, o governo Alckmin cortou R$ 3,2 milhões em investimentos na Universidade de São Paulo (USP), outros R$ 132 milhões na Universidade de Campinas (Unicamp) e ainda R$ 154 milhões na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp). No ensino técnico, o Centro Paula Souza sofreu corte de R$ 154 milhões.

Além dos cortes de investimento, a pasta de Meio Ambiente deixou de aplicar o recurso previsto tanto em Preservação e Conservação Ambiental como na Recuperação de Áreas Degradadas. Na primeira deixaram de ser aplicados R$ 246 milhões dos R$ 658 milhões previstos (37%) e na segunda ficaram congelados R$ 69 milhões, dos R$ 93 milhões orçados (74%). Esses recursos correspondem às chamadas despesas de custeio, que são a continuidade de ações que já são executadas. Os investimentos referem-se à implementação de ações novas.

Na área dos transportes, a extensão da Linha 9-Esmeralda, até a Estação Varginha, e a construção da Linha 13-Jade, que ligará São Paulo ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ambas as obras da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foram as mais afetadas pelos cortes nos investimentos. A primeira perdeu R$ 251 milhões, dos R$ 378 milhões orçados, e a segunda deixou de receber R$ 513 milhões em investimentos.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos, responsável pelas obras, investiu 42,8% menos do que o projetado para 2015. Dos R$ 4,1 bilhões, somente R$ 2,3 bilhões foram empenhados. Os dados foram obtidos pela liderança do PT na Assembleia Legislativa, por meio do Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária (Sigeo).

A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, responsável pela gestão da Sabesp e dos reservatórios de água, que enfrentaram grave falta de água entre 2014 e 2015, teve menos da metade dos investimentos realizados. Do pouco mais de R$ 1 bilhão previsto, R$ 512 milhões foram aplicados (-53%). A maior parte do recurso não utilizado refere-se a projetos de coleta e tratamento de esgoto.

Mesmo áreas em que Alckmin costuma exaltar avanços, os investimentos sofreram cortes relevantes. Na Segurança Pública, R$ 71,8 milhões deixaram de ser investidos (13%), sobretudo na Polícia Militar. Além disso, houve corte de R$ 536 milhões nas ações de policiamento e de outros R$ 86 milhões nas ações de inteligência da secretaria.

Já a Secretaria da Saúde deixou de investir R$ 267 milhões dos R$ 679 milhões previstos. O corte foi concentrado na aquisição de equipamentos para unidades de saúde (-R$ 97 milhões); no apoio financeiro em desenvolvimento à saúde nos municípios (-R$ 101 milhões); e na fabricação e distribuição de medicamentos (-R$ 27 milhões).

Entre as ações de custeio também houve cortes. Na atenção básica, foi de R$120 milhões; na assistência hospitalar e ambulatorial, menos R$ 203 milhões, e na vigilância epidemiológica, que atua no combate à dengue e ao zika vírus, por exemplo, o corte foi de R$ 3,6 milhões.

No ano passado, Alckmin teve o pior rombo orçamentário já registrado no estado paulista. As despesas superaram as receitas em R$ 1,38 bilhão. A diferença é 289% maior que em 2014, quando o déficit foi de R$ 355 milhões. A situação ocorreu mesmo após os cortes realizados pela gestão tucana em diversas áreas, o que levou as secretarias de Logística e Transportes, Saneamento e Recursos Hídricos, Transportes Metropolitanos e Habitação a deixar de executar um terço do orçamento previsto para o ano.

Confira abaixo os investimentos previstos e os realmente realizados em cada secretaria

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