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Pedetistas dizem que apoiar governo não significa ‘abrir todas as porteiras’

Ciro diz que é obrigação do PDT “cobrar, pedir, suplicar que a presidente se reconcilie com os valores que levaram quase 30 milhões de brasileiros da miséria absoluta para uma vida de dignidade mínima"
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 22/01/2016 19h10, última modificação 22/01/2016 19h22
Ciro diz que é obrigação do PDT “cobrar, pedir, suplicar que a presidente se reconcilie com os valores que levaram quase 30 milhões de brasileiros da miséria absoluta para uma vida de dignidade mínima"
José Cruz/Agência Brasil
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Ciro (esq) diz que sua intenção é a melhor possível e que deseja ajudar o governo, mas...

Brasília – Apesar de anunciar apoio à presidenta Dilma Rousseff contra o processo de impeachment no Congresso, o diretório nacional do PDT aproveitou a continuidade da reunião com representantes regionais, hoje (22), para fazer uma espécie de “lavagem de roupa suja” em relação à conduta dos seus representantes e reclamar sobre a necessidade de mais empenho por parte do governo para mudar a política econômica.

Após a fala de vários dirigentes de diretórios regionais, que reclamaram de medidas adotadas pelo Executivo, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, disse que o momento era de se fazer discursos sinceros. E fez um relato sobre o quase rompimento dos pedetistas com o Executivo no ano passado. Segundo ele, houve um esvaziamento do Ministério do Trabalho (cujo titular, Manoel Dias, pertencia ao partido até a realização da última reforma ministerial, em outubro) e “todos sabem que estávamos caminhando no sentido de deixar o governo”.

“Mas a presidenta nos fez um apelo e houve uma mudança no país que foi o processo de impeachment. O fato de termos atendido ao apelo da presidenta e ter continuado fazendo parte da base aliada não significa uma abertura de porteiras”, afirmou Lupi, dando a entender que nem todos os pontos defendidos pelo Executivo contarão amplamente com o apoio dos integrantes da sigla.

“Acreditamos que esse processo de impeachment é uma tentativa de golpe e com isso não podemos concordar. Precisamos ter uma compreensão dos ideais que a legenda carrega e precisamos nos opor a esse tipo de estratégia, por isso demos nosso apoio”, enfatizou o presidente pedetista.

Ministério e alfinetadas

Lupi também foi cobrado por integrantes da legenda para que seja avaliado até quando o PDT poderá manter ministros no Executivo – hoje eles contam com o ministro das Comunicações, André Figueiredo – se forem lançar candidato próprio à Presidência da República em 2018 e não contarem com o apoio do PT. O tema, porém, ficou de ser decidido num encontro posterior.

O recém-filiado Ciro Gomes, candidato natural à presidência pelo partido, também deu alfinetadas em Dilma, apesar de ter sido elogiado pela presidenta. Ciro disse que sua intenção é a melhor possível e que deseja ajudar o governo, mas criticou a atual equipe econômica e afirmou que é obrigação do PDT “cobrar, pedir, suplicar que a presidente se reconcilie com aqueles valores que trouxeram quase 30 milhões de brasileiros da miséria absoluta para uma vida de dignidade mínima".

Mais uma vez Leonel Brizola foi lembrado por Lupi, que repetiu uma frase do ex-governador: “Brizola dizia que é muito difícil sair do governo porque o poder inebria. E isso é verdade, mas vamos ter esse discernimento quando acharmos necessário”.

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