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Pato

'Assim como pagou para golpistas em 1964, Fiesp se alia a Eduardo Cunha'

Participação ativa da entidade na defesa do impeachment e pesquisa que aponta apoio esmagador a golpe não são novidade, lembra ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, Adriano Diogo
por Redação RBA publicado 15/12/2015 15h15
Participação ativa da entidade na defesa do impeachment e pesquisa que aponta apoio esmagador a golpe não são novidade, lembra ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, Adriano Diogo
Brazil Photo Press/Folhapress
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As práticas golpistas da Fiesp se desenvolvem desde o início do mandato de Dilma Rousseff

São Paulo – O pato amarelo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) como símbolo das manifestações pelo impeachment no domingo (13) e a pesquisa divulgada pela entidade ontem, segundo a qual 91% dos empresários paulistas defendem o impedimento de Dilma Rosseff, não são novidade. Para o ex-deputado federal Adriano Diogo, “o pato lembra a todos o papel da Fiesp no golpe militar, um papel do qual a Fiesp, pode-se ver hoje, se orgulha, quando deveria envergonhar-se”.

O ato promovido pelos defensores do impeachment na Avenida Paulista, na capital paulista, se deu na mesma data do Ato Institucional n° 5, instaurado no ano de 1968.

“Da mesma maneira que em 1964 a Fiesp pagou para que os golpistas se organizassem e derrubassem o presidente eleito João Goulart – comprando armas, alugando petroleiros, pagando viagens de oficiais das Forças Armadas –, hoje a Federação das Indústrias de São Paulo está aliada ao ainda presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na tentativa de derrubar a presidente Dilma Rousseff”, disse Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, em artigo escrito em parceria com a historiadora Joana Monteleone. Na opinião do ex-deputado, a Fiesp deveria mostrar a pesquisa na íntegra.

Em uma de suas audiências, a Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa Paulista mostrou cópias dos livros nos quais eram registradas entradas e saídas de funcionários e visitantes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), um dos mais importantes órgãos da repressão no estado. Entre os nomes que aparecem nesses livros, está o de Geraldo Rezende de Matos, que é identificado como "Fiesp". O nome de Matos é registrado 45 vezes no Dops entre 1971 e 1972.

Na época da audiência pública, em fevereiro de 2013, a Fiesp informou, em nota, que "o nome de Geraldo Rezende de Matos não consta dos registros como membro da diretoria ou funcionário da entidade".

As práticas golpistas da Fiesp se desenvolvem desde o início do mandato de Dilma Rousseff e, mesmo antes, embora a entidade tenha se beneficiado de programas de isenções fiscais e da redução no preço da energia elétrica, que negociou diretamente com o governo. “Vamos lembrar por exemplo que a proposta de redução do preço da energia nasceu na Fiesp, o governo encampou, mas a reação da burguesia foi dizer que o governo era intervencionista e que a presidente Dilma deveria ser substituída”, lembrou o cientista político André Singer em março deste ano.

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