Você está aqui: Página Inicial / Política / 2015 / 07 / Em convenção, partido se empenha para mostrar força no Nordeste

Oposição

Em convenção, partido se empenha para mostrar força no Nordeste

Integrantes da legenda fizeram questão de destacar aumento da reprovação da presidenta na região que nas últimas quatro eleições foi considerada trunfo político para o PT
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 05/07/2015 17h03, última modificação 05/07/2015 17h22
Integrantes da legenda fizeram questão de destacar aumento da reprovação da presidenta na região que nas últimas quatro eleições foi considerada trunfo político para o PT
psdb.org
serra.jpg

Saia justa: Serra quebrou protocolo do evento ao chegar atrasa e arrancar aplausos isolados para ele

Brasília – A 12ª Convenção Nacional do PSDB teve muitas manifestação de apoio por parte dos militantes aos caciques do partido, mas também passou por saias justas e quebra de ajustes internos pré-definidos pelo cerimonial da sigla. Estrategicamente organizado de forma a mostrar a força da legenda no Nordeste – região considerada, nas últimas eleições, um dos principais trunfos eleitorais do PT –, o evento contou com a apresentação de grupos regionais e a presença de várias pessoas portando chapéus de couro e sanfoneiros.

Por parte do Sudeste, a convenção contou com a participação do grupo carioca AfroReggae. Dentre as saias justas, figuraram declarações isoladas de tucanos sobre as últimas votações do Congresso e ironias ao governo, que terminaram se revertendo em temas que estavam sendo evitados pela executiva.

Como forma de evitar mal-estar entre as várias divisões do partido, ficou acertado previamente que, juntamente com a recondução de Aécio Neves ao cargo, seriam definidos na composição da nova executiva nacional, três nomes de São Paulo, indicados pelo governador paulista Geraldo Alckmin.

Sendo assim, foram escolhidos o deputado federal Eduardo Cury (coordenador do processo de montagem dos palanques municipais com vistas às eleições do próximo ano), o deputado federal Sílvio França Torres (secretário-geral) e o ex-deputado José Aníbal (presidente do Instituto Teotônio Vilela). Já o ex-governador Alberto Goldman permaneceu como um dos vice-presidentes da legenda. Os quatro são tidos como da cota de Alckmin dentro do PSDB.

Os demais vice-presidentes eleitos hoje foram os senadores Aloysio Nunes Ferreira (SP), Flexa Ribeiro (PA), Tasso Jereissati (CE) e os deputados Bruno Araújo (PE), Giuseppe Vecci (GO) e Mariana Carvalho (RO). O vice-presidente jurídico passa a ser o deputado e atual líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (SP). O primeiro e segundo secretário-geral escolhidos foram, respectivamente, os parlamentares Antonio Imbassahy (BA) e Nilson Leitão (MT). O tesoureiro, o deputado Rodrigo de Castro (MG).

 

Uma das primeiras a falar na convenção, a deputada estadual Terezinha Nunes, de Pernambuco, ressaltou que estava subindo no palco para dizer que hoje o PSDB se encontra unido no Nordeste e que, na região, o índice de desaprovação ao governo Dilma Rousseff se assemelha ao observado no restante do país.

“Essa mulher que está na presidência da República não nos representa. Caiu no cargo de paraquedas e nos envergonhou. O Nordeste virou a página e abandonou o PT. E vamos virar a página com um novo governo em 2018”, afirmou a deputada.

Base e aborto

O senador Magno Malta (PR-ES) provocou risos, aplausos e ao mesmo tempo certo constrangimento ao tocar na questão do aborto, um dos temas evitados pelos demais palestrantes. “Meu partido é da base do governo, mas eu não sou. Estou aqui saudando o PSDB porque sou da base do povo. O povo que não quer corrupção, nem drama e nem aborto”, pregou.

Mas a principal quebra de protocolo, porém, aconteceu por conta de José Serra. O cerimonial da legenda tinha programado que após a fala de todos os dirigentes regionais inscritos para se pronunciarem, os líderes da legenda entrariam juntos no palco. E caberia a Geraldo Alckmin (um dos prováveis candidatos à presidência pela sigla, caso não seja Aécio Neves) ser o último a falar, antecedendo Aécio – como forma de todos serem prestigiados de maneira semelhante.

O grupo, porém, entrou sem a presença de Serra, que argumentou ter se atrasado. Quando o senador paulista adentro sozinho, no local, em meio a muitos discursos já concluídos, arrancou aplausos dos militantes apenas para ele, estragando a articulação montada com antecedência pela assessoria.

Venezuela

Houve tempo, também, para homenagens a Franco Montoro, Mário Covas e Teotônio Vilela. E nesse clima pré-eleitoral, localizado bem próximo do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, não faltou nem mesmo a apresentação de um vídeo da deputada venezuelana Maria Corina, que faz oposição ao presidente daquele país, Nicolas Maduro.

Em poucas palavras, a parlamentar disse que foi importante para os venezuelanos terem recebido a visita de senadores capitaneados por Neves. Acrescentou, também que líderes como Aécio mostram que "valores como direitos humanos e democracia não possuem fronteiras". Foi uma resposta às críticas de deputados e senadores de vários partidos à iniciativa desastrosa do senador mineiro de viajar e se intrometer em assuntos políticos da Venezuela. Um cenário que mostra que, ao menos para o PSDB, o ano de 2018 já começou.