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Sabatina

Senadores recebem relatórios sobre indicados para dirigir a Anvisa

Indicado pelo governo, Jarbas Barbosa tem experiência em saúde pública e bom trânsito entre vários partidos
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 10/06/2015 19h43, última modificação 11/06/2015 17h25
Indicado pelo governo, Jarbas Barbosa tem experiência em saúde pública e bom trânsito entre vários partidos
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Desde o início do ano, Jarbas Barbosa ocupa a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde

Brasília – A leitura hoje (10), no Senado, do relatório para aprovação do médico Jarbas Barbosa da Silva Júnior, atual secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde e indicado pela presidenta Dilma Rousseff para ser o principal nome da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi marcada por uma situação peculiar. Barbosa tem sido elogiado por sua trajetória profissional tanto pelo senador José Serra (PSDB-SP) como pelo senador Humberto Costa (PT-PE) – ambos ex-ministros da Saúde, respectivamente, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva. Também foi alvo de comentários enaltecendo o seu trabalho por parte de diversos outros parlamentares e pelo atual ministro titular da pasta, Arthur Chioro.

Considerado um dos maiores especialistas em saúde pública no Brasil e tido como apadrinhado de Chioro, Jarbas Barbosa é visto como um técnico de currículo exemplar e bom trânsito entre políticos de vários partidos. Sem falar que exerceu praticamente todos os cargos na sua especialidade, tanto no âmbito municipal como estadual e no ministério, assim como em organizações internacionais.

Foi secretário municipal e estadual de Saúde, secretário de vigilância em Saúde do ministério, secretário-executivo do ministério, gerente da área de vigilância sanitária da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), em Washingon-DC – cargo este, ocupado após ter sido aprovado em um concurso público internacional – e consultor legislativo do Senado (também concursado). Voltou ao ministério em 2011 para a Secretaria de Vigilância em Saúde e desde o início do ano ocupa a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos da pasta.

Barbosa possui especializações em Saúde Pública e em Epidemiologia, mestrado em Ciências Médicas e doutorado em Saúde Coletiva. “É um profissional que, além da competência na atuação, possui um sentido de espírito público muito grande. É bem quisto porque não costuma fazer distinção no seu trabalho: se está tratando da prevenção a uma doença e é preciso direcionar mais verbas para determinado estado, não lhe interessa saber quem está governando esse estado”, contou um ex-assessor que trabalhou com o secretário no início do governo Lula.

Militância estudantil

Embora sem filiação a qualquer partido político, Jarbas Barbosa também militou no movimento estudantil de Pernambuco, na década de 80, ao lado do ex-ministro e senador Humberto Costa (PT-PE). Ocupou a secretaria de Saúde no terceiro governo de Miguel Arraes e chegou ao ministério, no governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de Serra, que o convidou após assumir a pasta.

Na montagem do primeiro governo Lula, Barbosa foi chamado por Humberto Costa para retornar à equipe do ministério. Também chegou a presidir o Comitê Executivo da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no período entre 2013 e 2014. Hoje, representa o país como vice-presidente, no Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O médico costuma ser citado pelos colegas por possuir obsessão pelo trabalho e capacidade de estimular equipes em torno dos projetos que desenvolve. Numa dessas ocasiões, foi o responsável pela implementação e descentralização do chamado programa de prevenção e controle de doenças, considerado uma experiência bem-sucedida no país.  Ele também coordenou operações que resultaram na quebra de patentes de vários medicamentos por indústrias farmacêuticas e levaram ao envio do princípio ativo desses remédios para o laboratório Farmanguinhos – para a produção de remédios genéricos que permitiram o oferecimento, à população, em valores bem mais acessíveis.

De Aids a verminoses

Além disso, são sempre mencionados, em sua atuação, trabalhos que chamaram a atenção da área na coordenação do programa estadual DST-Aids em Pernambuco, no período entre 1982 e 1990, e a implementação de vários programas (no período em que foi secretário estadual) que ajudaram a consolidar o SUS no Nordeste, principalmente na rede hospitalar, com ações articuladas de vigilância e epidemiologia sanitária. Outro ponto bastante lembrado é o fato de ter sido quem deu início ao chamado Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (Episus), que forma, desde então, especialistas em investigações de campo de surtos e epidemias.

Informações de bastidores são de que Arthur Chioro empenhou-se pessoalmente na indicação de Jarbas Barbosa para ocupar a vaga na Anvisa, a ponto de ter conversado com produtores de vacinas, de remédios e equipamentos médicos, antes mesmo de o Palácio do Planalto enviar o nome do médico ao Congresso. E em todos os contatos, Chioro teria defendido o nome dele com o argumento de que a agência precisa de um presidente que seja técnico da área e não tenha filiação nem indicação partidária.

Dado a um estilo discreto, que se limita a conceder entrevistas apenas para falar do trabalho, Barbosa afirmou, em entrevista ao Diário de Pernambuco em 2012, que por conta da sua atuação nos organismos internacionais, teve contato com experiências de outros países que pôde comparar com o trabalho em realização no Brasil. Ele defendeu que em determinadas doenças, como as verminoses, o melhor é o tratamento coletivo, filosofia que tem procurado adotar, como forma de atender mais rapidamente aos pacientes e como técnica de prevenção.

Fernando Neto

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) fez a leitura do relatório com a indicação da Casa Civil de Jarbas Barbosa e, também, de Fernando Mendes Garcia Neto, outro nome indicado para uma diretoria ao lado de Barbosa. Garcia Neto é o atual diretor-adjunto da Anvisa e sua indicação consiste num atendimento da presidenta Dilma a pedido do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O diretor-adjunto também é considerado um técnico renomado da área de saúde e inteirado das ações da agência. Conforme informações da CAS, após a leitura do relatório, os senadores possuem prazo de uma semana para fazer considerações sobre os indicados. Em seguida, deverá ser marcada a data da sabatina de ambos –, o que deve ocorrer até o dia 26.