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Seminário

Lula rebate FHC, defende ajustes e chama trabalhadores a retomar projeto progressista

Em discurso a bancários, ex-presidente reconheceu dificuldades da economia, disse que Dilma sabe que país precisa crescer e ressaltou: 'Nunca pedi a vocês para não fazerem greve'
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 21/05/2015 08h48, última modificação 21/05/2015 11h04
Em discurso a bancários, ex-presidente reconheceu dificuldades da economia, disse que Dilma sabe que país precisa crescer e ressaltou: 'Nunca pedi a vocês para não fazerem greve'
Ricardo Stuckert Filho / Instituto Lula
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Lula, em seminário de bancários em São Paulo. Problemas do país exigem projeto progressista, vitorioso nas urnas

São Paulo – Em discurso de uma hora na noite de ontem (20) para trabalhadores do sistema financeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu aos ataques do programa de TV do PSDB transmitido em carreira nacional no dia anterior. “Vi o programa do nosso adversário. Eu fico triste. Porque um homem que foi presidente da República, letrado como ele é, não tinha o direito de falar a bobagem que ele falou. Se ele quisesse falar de corrupção, precisaria contar a esse país a história da sua reeleição." No programa tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que "os enganos e os desvios começaram no governo Lula."

"Tem gente que no Brasil está pedindo a Deus para que a gente passe quatro anos nessa agonia. Agora eles não querem mais atacar a Dilma, eles pensam em balear o Lula. Eles se enganam, porque eu sei apanhar", ironizou.

Lula reconheceu que a economia do país passa por dificuldades, mas defendeu o ajuste fiscal proposto pelo governo da presidenta Dilma Rousseff. "É um momento muito delicado da história do país. Precisamos compreender o que está acontecendo – no país e no mundo – para tomar as decisões corretas", disse, ao abrir o Seminário Nacional de Estratégia para o Ramo Financeiro, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo.

Segundo ele, o ajuste fiscal é necessário para que o país pague contas assumidas ao se comprometer com os avanços sociais conquistados, inclusive com desonerações fiscais, para a criação de empregos e geração de renda para a classe trabalhadora. "Foi feito isso pra garantir que a gente chegasse em dezembro com quatro ponto oito de desemprego, o menor desemprego da história do Brasil e um dos menores do mundo."

Lula deixou clara sua opinião de que o problema é conjuntural, não de governo, e que quem pode resolvê-los é o projeto progressista que venceu as eleições, e não projeto conservador, que perdeu. "É preciso reconhecer que existem dificuldades e que somos nós que vamos resolver. E isso se resolve levantando a cabeça, não abaixando".

Para ele, a presidenta também conhece as necessidades da economia para além do ajuste fiscal. "Dilma sabe que tem que apresentar ao país um programa de desenvolvimento, de infraestrutura. A Petrobras não tem que ficar um século discutindo Lava Jato."  E completou: "O que não podemos é deixar que aqueles que perderam se comportem como se tivessem ganho e nós, que ganhamos, nos comportemos como se tivéssemos perdido."

O ex-presidente ressaltou que é preciso coragem e trabalho para fazer os ajustes necessários, mas que está otimista. "Não há nenhum motivo para não acreditar neste país. Poucos países têm as condições para o desenvolvimento que o Brasil têm. Este país tem um mercado interno forte, tem um povo trabalhador, tem um setor bancário público de fazer inveja ao mundo. Os desafios estão aí, precisamos de uma nova política industrial, precisamos exportar mais... Mas tudo isso só se resolve com trabalho e confiança no país".

Ele mencionou as Medidas Provisórias 664 e 665, que alteram regras de direitos trabalhistas e previdenciários. "Todo mundo que fala de ajuste fiscal só fala das Medidas Provisórias, que é o menos importante no ajuste, porque tem menos dinheiro em jogo. As MPs significam R$ 18 bilhões (de economia) para o governo. No ano passado foi desonerado em isenção de impostos (das empresas) R$ 114 bilhões. Se a gente não tivesse desonerado tudo isso, não precisava fazer corte."

Lula acrescentou, porém, que a luta dos trabalhadores é legítima e a greve faz parte do processo de mobilizações. "Nunca pedi a vocês para não fazerem greve, porque vocês podem estar mal com o presidente Lula ou com a presidenta Dilma, mas vocês não podem estar mal com a categoria de vocês. A Dilma sabe disso", disse o ex-presidente, sob aplausos.

Lideranças

 

Antes de Lula, o presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que o país vive um momento de enfrentamento de classes. Freitas disse que a direita tenta desconstruir as políticas públicas estabelecidas pelos governos petistas. "Eles instrumentalizam o Judiciário e a mídia. Tentam fazer uma judicialização da política para desconstruir o que construímos, como aconteceu nos governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek."

Segundo ele, o enfrentamento contra a agenda "reacionária” do Congresso, simbolizada pelo PLC 30/2015, requer a unidade dos trabalhadores e movimentos sociais. “A paralisação do dia 29 de maio é contra isso."

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, o país tem "um sistema financeiro que mais tira recursos da sociedade do que ajuda a financiá-la para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Cabe a nós cobrar que os bancos privados, e também os públicos, cumpram seu papel". Ela lembrou que no governo Lula (2003-2010) o volume de crédito, que correspondia a 22% do PIB, chegou a 60%.

Lula disse concordar com a dirigente dos bancários e afirmou ser preciso incentivar o crédito "para fazer a economia crescer". Ressaltou ainda que seu governo, com o programa de inclusão de pessoas de baixa renda, conseguiu "bancarizar mais de 70 milhões de brasileiros, pessoas que jamais imaginaram que teriam uma conta".

Com reportagem do Instituto Lula