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saída pela esquerda

'Governo precisa recuperar credibilidade', diz Aldo Fornazieri

Cientista político defende que os mais ricos paguem pelo ajuste fiscal e analisa que proposta de pedido de impeachment é um ‘equívoco golpista’
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 30/03/2015 19h34, última modificação 31/03/2015 08h45
Cientista político defende que os mais ricos paguem pelo ajuste fiscal e analisa que proposta de pedido de impeachment é um ‘equívoco golpista’
Gerardo Lazzari/RBA
protesto

Fornazieri: “A única chance de Dilma chegar razoavelmente até o fim do governo é o país voltar a crescer”

São Paulo – Para o cientista político Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), a única maneira de o governo de Dilma Rousseff se recuperar é garantir o crescimento econômico por meio de um ajuste fiscal, que deve incidir com mais força sobre os mais ricos. O governo deve procurar recuperar credibilidade, acrescentou. Mas ele também avalia que um pedido de impeachment sem um ato doloso cometido pela presidenta durante o mandato é uma estratégia “golpista”.

“A única chance de Dilma chegar razoavelmente até o fim do governo é o país voltar a crescer”, afirmou, durante debate que discutiu a conjuntura política do país, promovido pela Fespsp. “Nós estamos atravessando um momento político muito difícil e não sabemos claramente qual será a saída. Eu entendo que a única forma de o governo se recuperar é fazer o ajuste fiscal, e em um momento extremamente difícil, quando temos um baixo crescimento e até uma perspectiva de recessão. Sem o ajuste fiscal, o governo não vai recuperar a credibilidade a ponto de recuperar os investimentos.”

Aldo defende que o ajuste fiscal deve atingir de forma mais intensa os mais ricos, para não reduzir ainda mais o poder de compra dos mais pobres. “É um mecanismo que atinge toda a sociedade, mas eu entendo que os mais ricos devem pagar mais para esse ajuste. Quando o Joaquim Levy (ministro da Fazenda) aponta para a redução das desonerações fiscais que incidiram em determinados setores produtivos, eu entendo que é uma medida correta. Quando ele aponta para o fim das concessões de bilhões de reais para empresas via BNDES com juros subsidiados, eu entendo que é uma medida que vai no caminho correto.”

O pedido de impeachment, no entanto, é entendido como “equivocado” pelo professor, já que a presidenta não cometeu nenhum ato doloso durante seu mandato que justificasse a medida, como determina a Constituição. “Eu entendo que pedir o impeachment sem nenhum ato doloso é uma visão golpista da abordagem de um mecanismo que é constitucional.”

O coordenador do curso de pós-graduação em Política e Relações Internacionais e professor da Fespsp, Moisés Marques, ressaltou que o governo Dilma deve não apenas gerenciar o mercado, mas se reaproximar dos movimentos sociais, que foram fundamentais em sua reeleição. “O governo tem que equacionar Estado, mercado e democracia. O primeiro diálogo de Dilma foi com o mercado. Lula também, mas ele acenou para os movimentos sociais e levantou a bandeira do combate à fome. Dilma também precisa fazer isso.”