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Congresso

Líderes do PT defendem reconstrução da base e do diálogo com governo

Para José Guimarães e Sibá Machado, crise instalada no processo de eleição do presidente Eduardo Cunha é 'página virada' e relacionamento com oposição deve ser sem 'levar desaforo para casa'
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 10/02/2015 19h56, última modificação 10/02/2015 22h25
Para José Guimarães e Sibá Machado, crise instalada no processo de eleição do presidente Eduardo Cunha é 'página virada' e relacionamento com oposição deve ser sem 'levar desaforo para casa'
Fotos: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
JoséGuimarães_SibáMachado

Guimarães (esquerda), líder do governo, e Sibá Machado, que comanda bancada, querem 'afinar viola com PMDB'

São Paulo – Os deputados federais José Guimarães (PT-SP) e Sibá Machado (PT-AC), novos líderes do governo e da bancada do partido na Câmara, respectivamente, consideram as turbulências e a propalada crise no relacionamento do Palácio do Planalto com sua base na Casa uma “página virada”. Após duas reuniões com os partidos que dão sustentação ao governo, uma das quais encerrada no final da manhã de hoje (10), eles dizem que a reconstrução de uma agenda positiva para o país, que inclui a reforma política e o restabelecimento do esfacelado diálogo com o PMDB, está em andamento.

Para Sibá Machado, as insinuações de oposicionistas sobre impeachment da presidenta Dilma ainda é resultado da eleição e "vinha na esteira de enfraquecimento das relações" dentro do Congresso. José Guimarães diz que os oposicionistas têm medo de 2018. "O medo deles é que sabem que em 2018 Lula volta. Vi o líder do PSDB no Senado (Cássio Cunha Lima) flertando com isso. Até um dia desses Cássio Cunha Lima era ficha suja. Muitas vezes faltam os argumentos à oposição e inventam essas saídas mirabolantes."

O senador tucano Cássio Cunha Lima teve o mandato de governador da Paraíba cassado em 2009 por abuso do poder político. Ontem, ele disse no Senado que "não se pode falar em golpismo quando se pronuncia a palavra impeachment". Segundo ele, "a palavra impeachment está escrita na nossa Constituição e, portanto, por ser um tema constitucional, não tem de causar arrepio".

O líder do partido na Câmara diz que a crise no Congresso está superada. "A eleição passou, o bloco do PMDB venceu bem, o governo e o PT aceitaram o resultado, e assunto encerrado. Vamos para a próxima agenda, que é a agenda do Brasil. A CPI (da Petrobras) cuida da sua vida e o plenário cuida do Brasil”, resume Sibá Machado.

A tarefa, segundo José Guimarães, que substituiu o criticado ex-líder do governo Henrique Fontana (PT-RS), é “defender o governo e disputar com a oposição, num enfrentamento de alto nível, sem levar desaforo para casa”. A segunda responsabilidade, diz Guimarães, é recompor a base do governo e a “nova governabilidade” no Congresso.

Na reunião de líderes hoje, participaram representantes dos dez partidos da base: PT, PMDB, Pros, PCdoB, PDT, PSD, PP, PR, PRB, PTB. “As conversas estão iniciando no sentido da retomada. Na reunião de lideranças, estavam representados todos os partidos, inclusive do PMDB. Está em curso a retomada do tão sonhado diálogo”, afirma Machado. Na reunião, o PMDB foi representado pelo deputado Marcelo Castro (PI).

Guimarães, cuja postura é a de um negociador mais hábil do que seu antecessor Henrique Fontana, prefere a diplomacia ao comentar a relação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o líder rebelde do partido mais importante da base governista. “O PMDB é um todo. Temos que afinar a viola com ele. O PMDB participa do governo. Queremos recompor a base compreendendo as diferenças entre os partidos”, afirma. No entanto, Guimarães insinua que o partido de Cunha não tem do que reclamar. “O PMDB participa do governo, tem seis ministérios. Queremos recompor a base compreendendo as diferenças entre os partidos.” Sibá Machado diz que o momento é de “retomada do diálogo” com Eduardo Cunha.

A reconstrução do diálogo entre o Palácio do Planalto e a base no Congresso é também uma das principais missões dos novos líderes. Para tentar superar a falta de diálogo com o Parlamento, decorrente inclusive das dificuldades da presidenta Dilma nesse trato, uma reunião entre o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, e partidos e lideranças da base deve ocorrer após o carnaval. Uma das principais pautas serão as medidas provisórias 664 e 665, que introduzem mudanças nos sistemas previdenciários e trabalhistas e são muito criticadas pelas centrais sindicais.

“As MPs vão passar por um debate, claro que vai haver emendas. O governo vai ceder, mesmo porque o Congresso tem autonomia para votar”, prevê Sibá Machado.

Segundo o líder do PT, os partidos estão acertando que cada bancada faça uma triagem para manter as emendas que considera fundamentais, já que são mais de 600 as modificações propostas.

Outra pauta certa é a reforma política. As diferenças entre as propostas do PT e do presidente da Câmara são grandes. A começar do financiamento de campanha. O partido da presidenta Dilma Rousseff quer o financiamento público de campanha, enquanto Cunha trabalha pelo financiamento privado, mas não pode fazer a defesa explícita do modelo, que é objeto de julgamento no Supremo Tribunal Federal, paralisado por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes e sem data para ser concluído.

Segundo Sibá Machado, os partidos da base acertaram o procedimento para a reforma. Será apensar tudo o que for possível na proposta a ser analisada pela comissão especial instalada pelo presidente Eduardo Cunha na tarde de hoje, destinada a analisar e juntar as propostas. O presidente da comissão é o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

Tanto DEM quanto PT concordam em limitar a "proliferação de partidos" com a introdução de algum tipo de cláusula de barreira. "Na essência temos concordância. Vamos discutir este tema sem problema", diz o líder do PT.