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Caso HSBC: 'Governo tenta acesso à lista completa de envolvidos em escândalo'

Para o deputado e jornalista Paulo Pimenta, não é possível investigar o caso HSBC a partir de uma lista que contempla, segundo critérios obscuros, apenas 5% dos envolvidos
por Redação RBA publicado 27/02/2015 12h21, última modificação 27/02/2015 16h55
Para o deputado e jornalista Paulo Pimenta, não é possível investigar o caso HSBC a partir de uma lista que contempla, segundo critérios obscuros, apenas 5% dos envolvidos
ANDREW COWIE/EFE
HSBC

Em cooperação com outros países, Brasil espera ter acesso às contas secretas do HSBC da Suíça

São Paulo – Em entrevista à Rádio Brasil Atual, ontem (26), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse acreditar que a Receita Federal está tomando as providências necessárias para que, através de acordos internacionais, o Brasil consiga tomar parte nas investigações sobre contas secretas irregulares de brasileiros no HSBC da Suíça, no caso conhecido mundialmente como Swissleaks.

"É muito importante que nós possamos ter acesso a todos os nomes. São mais de 106 mil contas, de diferentes países, e não podemos, enquanto país, aceitar uma investigação que parta de uma seleção, feita por alguém, com critérios que não sabemos quais são", afirma o deputado, fazendo menção à lista encaminhada à Justiça pelo jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, que selecionou, segundo o "interesse público", 342 nomes de um total de 6.600 brasileiros envolvidos.

Para o deputado, que também é jornalista, "até pode-se entender que, do ponto de vista jornalístico, o UOL ou o Fernando Rodrigues não queiram compartilhar essas informações com os demais órgãos de imprensa", mas "não é razoável que essas informações não sejam levadas às autoridades, ou, pior, que se encaminhe às autoridades uma pequena parcela, 5% das informações, selecionadas a partir de um critério subjetivo".

Paulo Pimenta afirma que para que se possa identificar os crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e, principalmente, os crimes de fundo que levaram ao acúmulo desses recursos, é necessário ter acesso à integra dos documentos.

"Não acredito que o governo vá obter essas informações fidedignas do consórcio de jornalistas. O governo deve obter junto às autoridades de outros países que já estão mais avançados na investigação", afirma o deputado, ressaltando que países como Bélgica, Espanha, Inglaterra, França já conseguiram recuperar parte dos recursos desviados ilegalmente.

O deputado afirma que da massa documental que compõe o "maior escândalo financeiro já desvendado até hoje" constam o nome dos titulares e a movimentação das contas secretas, e que o montante total retido em mãos de brasileiros pode chegar em R$ 20 bilhões.

Pimenta lembra, ainda, que a maior parte das contas secretas foi aberta entre 1997 e 2001, período das grandes privatizações no âmbito federal e estadual, das grandes concessões de serviços públicos, que podem ter culminado em desvios, a serem descobertos pelas investigações.

"Estamos trazendo a público uma face do capitalismo financeiro internacional que sempre se imaginou que existia, mas nunca tinha sido tão exposta."

Ouça a entrevista completa da Rádio Brasil Atual: