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Posse dos deputados

Câmara empossa novos integrantes em meio a homenagens e muita articulação política

Apesar do clima de solenidade, parlamentares continuam se reunindo para formalizar os blocos partidários, negociar a composição da mesa diretora e conseguir votos de última hora para os candidatos
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 01/02/2015 14h20, última modificação 03/02/2015 16h01
Apesar do clima de solenidade, parlamentares continuam se reunindo para formalizar os blocos partidários, negociar a composição da mesa diretora e conseguir votos de última hora para os candidatos
Wilson Dias/Agência Brasil
Posse

Dos 513 deputados federais, 198 estão debutando na Casa

Brasília – “Aqui está a maior representação do povo brasileiro, a Câmara dos Deputados.” A frase do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), o mais veterano da casa e orador da ocasião, levou a aplausos e traduziu o que deveria ser o parlamento. Mas pouco convenceu, diante de uma composição considerada das mais conservadoras e marcada pela concentração de bancadas de cunho empresarial e evangélico da Casa, desde 1988 – segundo cientistas políticos. Isso não impediu, entretanto, que parlamentares, familiares, assessores e correligionários se aglomerassem pelo auditório Ulysses Guimarães, galerias e Salão Verde para acompanhar a cerimônia dos novos mandatos – que vão até 31 de dezembro de 2018.

Em meio a reverências feitas por Miro Teixeira a nomes famosos que já ocuparam as mesmas cadeiras, como Adauto Cardoso, Célio Borja, Ulysses Guimarães e Rubens Paiva (“que inacreditavelmente ainda está desaparecido”, ressalvou Teixeira), o clima foi de festa mas, ao mesmo tempo, de muitas conversas de bastidores. Tudo na tentativa de se definir a formação dos blocos parlamentares, a ser oficializada a partir das 13h30, e a presidência da Casa e dos integrantes das mesas diretoras, a partir das 18h.

A solenidade foi presidida por Teixeira por exigência regimental. Aos 74 anos, o deputado com mais tempo de legislatura federal  dá início, hoje, ao seu 11º mandato. E foi marcada pelo destaque de vários parlamentares. O primeiro a ler o juramento de posse, de forma tímida, foi Abel Salvador Mesquita Júnior (PDT-RR), o “Abel das galinhas” em seu estado. O palhaço Tiririca (PR-SP), entrando no seu segundo mandato, chamou a atenção de crianças e pessoas de outros estados presentes ao evento com suas tiradas cômicas.

Reverências e emoção

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que após atuar como senador e ter sido governador do seu estado por dois mandatos, este ano voltou à Câmara e foi bastante reverenciado pelos colegas. Também foram muito saudados representantes da chamada bancada dos trabalhadores, acompanhados por grupos de vários sindicatos que assistiram à solenidade, como Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), e Paulo Teixeira (PT-SP).

Da mesma forma, foi intenso o assédio ao jovem Uldurico Júnior (PTC-BA), que com 23 anos incompletos é o mais jovem deputado federal do país. “Estou me sentindo pronto para fazer um bom trabalho. Carrego uma trajetória de mais de 50 anos de mandatos na minha família, sempre gostei de política e quis dar continuidade a esta trajetória”, afirma.

“Estamos prontos para cumprir com nosso dever constitucional e ajudar o governo na votação das matérias importantes para o país”, acentuou ainda Paulo Teixeira. "Estamos aqui para trabalhar e lutar pelos direitos dos trabalhadores", completa Vicentinho, que deixa esta semana a liderança do PT, ao responder uma pergunta sobre a desproporcionalidade entre as bancadas dos trabalhadores e do empresariado.

Como 198 deputados estão chegando pela primeira vez à Casa, foi comum o intenso movimento de transeuntes entre o Salão Verde e os gabinetes, porque muitos preferiram receber os convidados nos seus gabinetes.

Blocos partidários

Em meio às comemorações, a grande expectativa se dá, mesmo, em torno da consolidação dos blocos políticos que permitirão as negociações para a eleição da presidência e composição da mesa diretora. Eduardo Cunha formalizou o chamado "blocão", formado por 218 parlamentares, e composto por 14 partidos: PMDB (65), PP (38), PTB (25), DEM (21), PRB (21), SD (15), PSC (13), PHS (5), PTN (4), PMN (3), PRP (3), PEN (2), PSDC (2) e PRTB (1).

O segundo maior bloco, formado por 160 deputados, é integrado por PT (69), PSD (36), PR (34), Pros (11) e PCdoB (10), que apoiam a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O grupo apoiador de Júlio Delgado tem 106 deputados do PSDB (54), PSB (34), PPS (10) e PV (8).

Com o encerramento do prazo de inscrições de blocos, cinco partidos permaneceram isolados: PDT (20), Psol (5), PTC (2), PSL (1) e PTdoB (1).

A eleição da Mesa Diretora, que é composta pela Presidência, duas vice-presidências, quatro secretarias e igual número de suplências, está marcada para as 18h.

São candidatos à presidência da Casa, além de Cunha, Arlindo Chinaglia (PT-SP), Delgado e Chico Alencar (Psol-RJ). A corrida por votos continua acirrada, em meio a reuniões e a presença de cabos eleitorais vestidos com camisetas dos candidatos – que ainda insistem em ficar na frente da Câmara, a exemplo de ontem.

Neste domingo, voltaram a ser mencionadas especulações de que, apesar da predominância de votos declarados para Eduardo Cunha, há possibilidade de haver um segundo turno da eleição – entre Cunha e Chinaglia. Caso isso aconteça, a eleição deverá entrar pela noite.