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Política e mídia

Para centrais, ameaças à Petrobras reforçam necessidade de reformas

Para sindicalistas, campanha 'difamatória' prejudica capacidade de investimentos do país. Eles defendem fim do financiamento privado de campanhas e mais pluralidade contra o monopólio da informação
por Carol Scorce, especial para a RBA publicado 29/01/2015 12h15, última modificação 29/01/2015 13h46
Para sindicalistas, campanha 'difamatória' prejudica capacidade de investimentos do país. Eles defendem fim do financiamento privado de campanhas e mais pluralidade contra o monopólio da informação
Arquivo/CUT
Sérgio Nobre

Sérgio Nobre, da CUT: central lançará campanha nacional em defesa da estatal petroleira

São Paulo – Centrais e governo têm divergências, neste momento, quanto à condução da política econômica. Mas concordam na avaliação de que a Petrobras precisa ser preservada e fortalecida. Durante ato de protesto de ontem (28) contra medidas que dificultam acesso a direitos sociais, os sindicalistas alertaram para que a empresa não sofra campanha difamatória, com objetivos políticos e interesses comerciais interessados em fragilizar a empresa. Eles afirmam que especulações em torno da Petrobras têm causado perdas para a companhia e provocando demissão de trabalhadores da cadeia produtiva de fornecedores.

Segundo o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, a central lançará campanha nacional em defesa da Petrobras. "A investigação pede que empresas citadas no processo, mesmo que não haja nenhuma comprovação de corrupção e desvios, não possam concorrer aos editais. Isso, objetivamente, significa que as empresas brasileiras não vão poder participar. Para nós, é golpe", afirma. "Os culpados por desvios de verba devem ser punidos exemplarmente, mas a Petrobras nasceu sobre forte resistência e hoje é um dos nossos maiores patrimônios. Temos de defender a empresa."

No discurso feito durante a reunião ministerial de ontem (27), a presidenta Dilma Rousseff disse que "toda vez que se tentou, no Brasil, condenar e desprestigiar o capital nacional estavam, na verdade, dilapidando o nosso maior patrimônio – nossa independência e nossa soberania". E reiterou, a exemplo do que havia dito no final do ano passado, que devem ser punidas as pessoas responsáveis pelos malfeitos, e não as empresas, inclusive as empresas privadas – que respondem por outros projetos de infraestrutura tocados pela União, em estados e municípios.

O dirigente da CUT acredita que há, para além das denúncias de corrupção, uma campanha de fato, cujo intermediário é a imprensa tradicional. "É por essas razões que defendemos a democratização da mídia, a pluralidade na produção e veiculação de informações. Hoje os jornais são dominados por grandes monopólios, defendem claramente os interesses da elite econômica, porque também fazer parte dela. O que vemos em boa parte da imprensa hoje é um combate à Petrobras, não àqueles que cometeram malfeitos. É caso clássico de que comunicação é estratégico, é um direito da população, e não pode ser negligenciado."

O projeto de reforma política, também mencionado por Dilma, é, para o presidente da UGT, Ricardo Patah, o melhor mecanismo para acabar com a corrupção política e empresarial. "A Petrobras sofreu perdas grandes, e não podemos renunciar a importância da empresa para os brasileiros. Sem pré-sal não vamos melhorar a educação, e isso é de interesse de toda a população. A investigação da Polícia Federal é importante, mas não encerra a discussão", diz. "Defendemos uma reforma política ampla, discutida com a sociedade, e que fortaleça as nossas instituições e o diálogo entre governo e povo. O financiamento privado de campanhas nos lega o Congresso que temos hoje, que olha muito mais para si."