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Cerimônia

Caravanas se organizam em Brasília para a posse de Dilma

Vindas de ônibus, avião ou veículos próprios, pessoas de vários estados, idades e profissões chegam à capital do país para acompanhar passagem da presidenta pela Esplanada dos Ministérios
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 31/12/2014 19h47, última modificação 01/01/2015 12h51
Vindas de ônibus, avião ou veículos próprios, pessoas de vários estados, idades e profissões chegam à capital do país para acompanhar passagem da presidenta pela Esplanada dos Ministérios
Divulgação
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Confraternização: amigos de Louise Silva se encontram em Brasília e já estão comemorando a posse

Brasília – Como numa colcha de retalhos multifacetada, formada por brasileiros de todos os estados e com atividades que variam de sindicalistas a estudantes, comerciários, agricultores, professores e profissionais liberais, entre outros, está sendo formado, aos poucos, o público preparado para ocupar a Esplanada dos Ministérios e aguardar a passagem de Dilma Rousseff em carro aberto, a partir das 14h30 desta quinta-feira (1º). A capital do país recebe, há dois dias, grupos de pessoas que se organizaram para passar o réveillon na cidade e, horas depois, acompanhar de perto a posse da presidenta.

A maior parte está chegando de ônibus, cujos motoristas estão sendo orientados a estacionar nas áreas localizadas em frente ao Ginásio de Esportes Nilson Nelson e no pavilhão de feiras do Parque da Cidade para que possam ficar acampados nestes locais. Mas tem sido intensa, também, a movimentação de pessoas que compraram passagens aéreas com antecedência e não param de desembarcar de voos comerciais, o que aumentou o fluxo do aeroporto Juscelino Kubitschek na manhã de hoje (31). Destaca-se, ainda, o número de pessoas que preferiram viajar nos seus próprios carros, acompanhados de amigos.

Embora muitos tenham afirmado que já assistiram a uma das posses do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou à primeira posse de Dilma Rousseff, boa parte dos visitantes conhece pouco Brasília. Por isso, a maioria que já está na cidade passou o dia desta quarta-feira visitando os pontos turísticos e procurou dar uma olhada pelo local onde vai ficar para se posicionar de forma estratégica, o mais cedo possível, para a cerimônia.

“Queremos ver a Dilma de perto. A ideia é fazer tudo para chegar com antecedência”, disse Marcos Santana, presidente do Sindicato de Supermercados do Rio Grande do Norte, que viajou de Natal até Brasília. “Minha mãe veio comigo e falou que gostaria de falar com a Dilma”, contou a professora Louise Silva, de Caruaru (PE).

Tudo organizado

Todos prometem levar faixas, cartazes ou bandeiras. Alguns, mais organizados, prepararam até isopores com garrafas de água mineral e refrigerante, como o servidor público Jodeval Santos, do Paraná. “Até autofalantes nós trouxemos (para gritar por Dilma), só não sabemos se valerá a pena usarmos”, ressaltou.

Integrante da Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, Aparecido Araújo Lima, mais conhecido como Cidoli, de São Paulo, passou a manhã aguardando a chegada de militantes do seu estado e do Rio de Janeiro. Cidoli afirmou que mais do que a solenidade propriamente, a posse de Dilma Rousseff representa “um ato político pela democracia”.

“É claro que se trata de uma forma de manifestarmos apoio à presidenta, mas a presença dos movimentos sociais acabou levando à transformação do dia de amanhã num ato político, para defender nosso programa de governo, a continuidade dos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos e as coligações firmadas”, acentuou.

No mesmo tom, a professora Louise Silva carrega uma história bem representativa do grupo de brasileiros que decidiu iniciar o ano comemorando o novo governo petista.

Louise é professora, militante do PT, e percorreu 2 mil quilômetros de Caruaru, no agreste pernambucano, até Brasília. Ela veio de carro com dois colegas e a mãe, Dina Santos, que fez questão de integrar o grupo por um motivo específico. Dona Dina passou 25 anos sem estudar e recentemente, iniciou curso universitário de Pedagogia como uma das beneficiárias do Programa de Financiamento Estudantil (Fies). “Minha mãe é uma das mais animadas, por conta disso. Afirma que está realizando um sonho e quis vir de todo jeito”, colocou.

Posse de Lula

Louise Silva veio a Brasília para a primeira posse de Lula, em 2003. Na época, fez o percurso até a capital do país de ônibus, numa das muitas caravanas organizadas. Desta vez, se programou de forma diferente: ela vai encontrar com um grupo semelhante, formado por aproximadamente 80 pessoas, que estão vindo de ônibus, mas preferiu dirigir o próprio carro. Também optou por ficar hospedada na Asa Norte, em vez de acampar numa barraca.

“Viemos para comemorar a vitória, pelo fato do povo brasileiro ter resolvido eleger Dilma e rechaçado ideias conservadoras da oposição. Pelo povo ter percebido que o Brasil está mudando, passou por avanços. Além disso, viemos para mostrar à presidenta que ela pode contar conosco, pois vamos para as ruas lutar pelos projetos que ajudarão o Brasil a crescer e ajudá-la nestes próximos quatro anos”, disse.

Marcos Santana, que chegou num comboio de cinco ônibus com militantes do Rio Grande do Norte, disse que o grupo vindo do seu estado traz uma mensagem específica: a reforma política. “Tivemos a ideia de trabalhar por esse tema porque consideramos que a reforma política é importante para alavancar o próximo governo da Dilma e também porque entendemos que é a mãe de todas as reformas”, colocou.

Evitar provocações

Entre coordenadores do PT, as informações são de que, dentro da organização destes grupos, as conversas têm sido no sentido de orientar as pessoas para que evitem qualquer provocação de integrantes de manifestações anti-PT ou de protesto – que prometeram também ir para a Esplanada, segundo o secretário de organização da legenda, Florisvaldo Souza.

"Nossos militantes vêm para a posse para comemorar um novo ciclo político e a virada do ano. Se houver manifestações contrárias, vamos respeitá-las, evitando provocações e confusões", frisou ele. Na noite de terça-feira, a força de segurança nacional divulgou que o efetivo de homens envolvidos na segurança da posse foi ampliada de 4 mil para 7,5 mil deles, entre integrantes de contingentes das polícias federal, civil e militar, Forças Armadas e Polícia Rodoviária Federal.

Poucas horas antes desta declaração, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, enfatizou em entrevista para a TV Brasil que é importante a posse ser marcada pela presença popular.

“Entendemos que é importante que haja grande número de pessoas para que a presidenta se sinta apoiada. Ela (Dilma Rousseff) vai ter um governo com muitas dificuldades, como acontece em qualquer governo, aliás. Mas, mais do que nunca, é preciso deixar claro que além da governabilidade do Congresso Nacional, poderá contar com governabilidade social, com o apoio do povo”, acentuou.

Hotéis para estrangeiros

A solenidade de posse, como ocorre a cada período em que um presidente da República inicia seu governo, também tem impacto nos hotéis de Brasília, devido à ida de várias autoridades à capital para participar do evento. Enquanto nos hotéis de menor porte o movimento está baixo (em razão das concentrações de acampamentos de militantes em vários pontos do Distrito Federal), alguns destes estabelecimentos de cinco estrelas chegaram a registrar aumento de 1.000% em comparação com dezembro de 2013 e dezembro de 2014.

Foi o caso, por exemplo, do Meliá Brasil 21, conforme o seu gerente, Tércio Mello Júnior. “Não dá nem para comparar, ano passado a taxa de reservas era 6%. Hoje temos 60%”, conta o gerente. Segundo ele até agora estão reservados apartamentos para 33 autoridades, entre primeiros-ministros, presidentes e embaixadores, e suas comitivas.

Na Esplanada, enquanto a festa não começa propriamente, o movimento é dos comerciantes, que já montam seus espaços para venda de comidas e bebidas. “É a época do ano em que mais lucramos. Sempre venho para cá no dia do show da virada, mas é lógico que o movimento é bem melhor a cada quatro anos, quando tem posse. Já estamos acostumados com isso”, disse o ambulante Joelmir Teixeira. Morador de Sobradinho, uma das regiões administrativas do Distrito Federal, Teixeira levou a mulher e os dois filhos para a Esplanada.

“Todos lá de casa vão ajudar. O ano foi complicado em termos de dinheiro. Vamos passar o réveillon em família, aproveitar para vender bem e ainda assistir o show”, frisou, antecipando, por conta própria e já a partir do primeiro dia do ano, as expectativas de melhoria na economia que todo brasileiro também espera.