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Executivo relata 'clube' de empreiteiras para subornar funcionários da Petrobras

por Agência Brasil publicado 16/11/2014 11h19, última modificação 16/11/2014 12h25
© ambep.org.br / reprodução
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Obras da refinaria Abreu e Lima: PF investiga denúncias que podem ter contribuído para custos dispararem

Brasília – Um dos executivos que aceitaram fazer o acordo de delação premiada com os investigadores da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, afirmou que havia um "clube" de empreiteiras para ganhar as licitações da Petrobras. Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Pùblico Federal (MPF), Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, diretor da Toyo Setal, disse que pagou de R$ 50 a 60 milhões em propinas ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, um dos presos sexta-feira (14) pela PF, na sétima fase da operação.

De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público, as empreiteiras envolvidas no esquema participavam de um cartel para distribuir entre si os contratos com órgãos públicos, principalmente oriundos da Petrobras. Segundo os procuradores, parte dos desvios de recursos públicos eram repassados a partidos políticos por meio do doleiro Alberto Youssef.

No depoimento de delação, Mendonça Neto ressaltou que havia entendimento prévio entre Duque, então diretor de Serviços da Petrobras, de que os contratos que fossem resultantes do clube "deveriam ter contribuições àquele [o grupo de empresas participantes]" . O diretor também disse que negociou diretamente com Renato Duque e "acertou pagar a quantia de R$ 50 e 60 milhões, o que foi feito entre 2008 a 2011".

Em nota, Alexandre Lopes, advogado do ex-diretor da Petrobras disse que a prisão "é injustificada e desproporcional", pois ele não reponde a uma ação penal. De acordo com Lopes, ele se colocou a disposição da Justiça para colaborar com as investigações.
A sétima fase da Operação Lava Jato foi deflagrada em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, Pernambuco e no Distrito Federal. Os alvos foram diretores das empreiteiras OAS, Camargo Correa, Engevix, UTC, Mendes Júnior, entre outras. Todos os presos foram levados, nesta madrugada, em um avião da Polícia Federal, para a Superintendência da PF de Curitiba, onde devem prestam depoimento hoje.

Procurado pela reportagem, o Consórcio Camargo Corrêa não respondeu. O consórcio foi responsável pelas obras da Refinaria Abreu e Lima, principal obra da Petrobras investigada. Em nota, a OAS informou que todos os esclarecimentos solicitados pela Polícia Federal foram fornecidos e que continuará colaborando com as investigações. As demais empreiteiras citadas nas investigações da Lava Jato, Engevix e IESA, não foram localizadas.